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CRÍTICA|”Km0″ – Dixit

Abril 20th, 2005 | versão papel versão papel

Este disco é pensado, escrito, interpretado e produzido em português“, assim se lê no CD.
Esta será mesmo a principal característica do terceiro disco dos Dixit (tal como nos outros), banda do Seixal já com 12 anos de estrada e composta por Zé Rui (voz e guitarra acústica), Falcão (guitarras), Marinho (baixo) e Nuno (bateria). Depois do EP “Se…” (2000) e do álbum “The Best of…” (2002), este “Km0″ marca um novo início, a definitiva tentativa de sedimentação dos Dixit no panorama pop-rock nacional cantado em português. “Km0″ é um disco português.
É um disco sem segredos ou mistérios. É um disco sem feitiços, sem tons nem timbres de teor alternativo, são 10 músicas de um típico pop-rock naquilo que este tem de mais…popular, como manda a mais pura teoria pop. A isto se enlaça a preocupação constante da mensagem, a preocupação contínua em utilizar a música como o veículo transmissor de ideias, de coisas do quotidiano, de verdades, a preocupação em transmitir algo das suas vidas…das nossas vidas.
É verdade que não é um disco extraordinário, criativo ou inovador, é antes um disco puro, feito com alma; daquela alma lusitana, persistente, desbravadora dos caminhos mais inóspitos. É um disco de uma simplicidade enorme, que ao mesmo tempo que nos espanta com isso mesmo, nos deixa igualmente à espera de algo musicalmente mais imaginativo, mais colorido, encorpando com isso um pouco mais as letras que interpretam.
Este disco é pensado, escrito, interpretado e produzido em português“, e é mesmo.>>Os Dixit apresentam hoje o álbum “Km0″ no Santiago Alquimista pelas 23h00.

Ouvir o single “Bairro Alto”

“Km0″ – Dixit (2005/Íman Rec)

01 Bairro Alto
02 Cicatriz
03 Vampiros Alados
04 Dia 11
05 De Lés a Lés
06 Trágica Comédia
07 Lusa
08 Insónia
09 Rainha de Copas
10 Km 0
++ Bairro Alto (clube mix)
++ Cicatriz (acústica)
++ Dia 11 (surround 5.1)
++ Km 0 (surround 5.1)

Pop-Rock
www.dixit.web.pt
www.dixit.web.pt – Loja

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CRÍTICA|”Pulsar” – Danças Ocultas

Fevereiro 21st, 2005 | versão papel versão papel

Um pulsar, uma estrela longínqua, um bater de coração em ritmo acelerado numa viagem perdida no tempo e no espaço. Em diáspora. Felizmente.
Seis anos depois, a viagem ganhou novas cores, novos ritmos, novas sombras mas as mesmas emoções; Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel, quarteto de concertinas em plena maturidade criativa, visitam montes e planos vários, territórios diversos, transportam-nos para novos momentos de fantasia, de novos murmúrios, de novos sons, convidando para tal um ríquissimo grupo de amigos: Gaiteiros de Lisboa, Gabriel Gomes, Maria João, Mário Laginha, Edu Miranda, Abed Azrié no lindíssimo Alchimie e outros. As Danças Ocultas transformam-se, ganhando as concertinas uma outra alma, mais robusta, mais rica, mais feliz. As Danças Ocultas vivem…
Ao terceiro álbum a “surpresa”. Outra vez e sempre. Primeiro com o nascer das “Danças Ocultas”, depois é o “Ar” que se respira e por fim, o “Pulsar”, efectivamente, definitivamente, o vibrar constante num abrir de peito ao mundo, com uma qualidade sonora e rítmica que nos deixa assim, com a sua beleza e simplicidade…perplexos.
Às vezes ignorado…certamente imperdível. Aquele pulsar que faz os grandes discos.
Grande momento!

“Pulsar” – Danças Ocultas (2004/CNM)

01 Alchimie
02 Primeira Hora
03 Tristes Europeus
04 Fantasia
05 Sorriso
06 Porto Seguro
07 Distância
08 Casa Do Rio
09 Alento
10 Sirocco
11 Pandora
12 La Danse Idéale
13 Esse Olhar (Ao Fole)
14 Danças Ocultas

World Music
www.magicmusic.info/dancasoculta

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CRÍTICA|”from underskin” – a Jigsaw

Novembro 4th, 2004 | versão papel versão papel
Disco gravado por Márcio Silva há cerca de um ano no Master Mix Studios em Tentúgal, mais tarde misturado, produzido e masterizado por Miro Vaz (Squeeze Theeze Pleeze), “from underskin” marca a estreia dos a Jigsaw na edição em nome próprio. A jovem Som Sónico (www.somsonico.com) faz as honras da casa. A banda é composta pelo João Rui na guitarra e na voz, pelo Cardoso na guitarra, pelo João Silva no baixo e pelo Filipe na bateria.
Afinal o que trazem na bagagem estes homens de Coimbra?
Trazem um pop-rock carregado de guitarras, de melodias simples e de expressões eficazes tornadas rock em ritmo quase sempre tranquilo. Trazem o poder de um som cru, sem artifícios, de um som sem malabarismos, de uma mensagem clara e cristalina, de um som que facilmente nos absorve.
Dito assim, desta forma quente, estaremos diante de algum enlevo sonoro por aí escondido?
Bem… não propriamente. Os a Jigsaw trazem pouco de rotundamente novo, as influências que dão corpo às suas canções (sim, porque é de canções que estamos a falar) são plenamente assumidas e bem claras, mesmo que surjam (como parece) na sequência de uma tentativa de miscigenação sonora que a banda tenta iniciar em busca daquele som próprio; nesta fase, ainda no início, num bom início.
É um disco que deixa pistas e que nos recorda que ainda é possível fazer canções sínceras utilizando o habitual quarteto rock. É um disco que funciona, que cria um qualquer efeito positivo sobre nós mas que definitivamente também não nos surpreende verdadeiramente…falta o tal golpe de asa, a tal sublevação, a tal libertação (na FNAC a 7,95€).


“from underskin” – a Jigsaw (2004/Som Sónico)

01 random lovers
02 know yoursel
03 motionless
04 dreaming drowned man
05 outside waiting
06 of rage those of the wind
07 shipwreck

Sítio: www.ajigsaw.com

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CRÍTICA|VOL.1″ – Dead Combo

Agosto 27th, 2004 | versão papel versão papel

Excelente.
De guitarra e contrabaixo em punho, Tó Trips e Pedro Gonçalves oferecem-nos uma maravilha sonora feita de um sentimento vadio manchado por um suor made in lisbon, manchado por uma sonoridade que insiste em vaguear por aí. Por essa vida…
Não é um disco fácil mas é um disco cheio de alma, de verdade, de vontade, longe de outras tentações, é um disco instrumentalmente fascinante de tão estranho que soa, de sensações tão díspares que provoca. De produção ultra-imagética, “VOL.1″ marca-nos com a sua negritude, com a imagem sonora e sombria de ruas e vielas facilmente flashadas de uma Lisboa invernosa, antiga, crua.
A aventura sonora de Dead Combo leva-nos ousadamente por florestas por desbravar, por estranhos ambientes de tão belos que são. O som de Dead Combo, embalado pela estranha relação de uma guitarra e um contrabaixo (às vezes com bateria, saxofone ou trompete a acompanhar) leva-nos definitivamente para lá; para lá da fronteira do natural, do básico…rumo a um ambiente ficcional.
Projecto de imagem cuidada, disco com um excelente artwork.
Grande.

“Vol.1″ – Dead Combo (2004/Transformadores)

01 Janela (mediterrânica)
02 Mujitos Summer
03 Pacheco
04 Eléctrica Cadente
05 Polaroid Omelete e os Três Miseráveis Saxes Barítonos
06 Ribot
07 Rumbero
08 Rua Das Chagas
09 Tejo Walking
10 Um Homem Atravessa Lisboa Na Sua Querida Bicicleta
11 Me And My Friend Moonquake
12 Viúva Negra #1
13 Radiot
14 Aos Zig’s Zag’s
15 Fiji Dream
16 Cacto
17 Eléctrica Cadente (Versão Orquestra)

Sítio: deadcombo.planetaclix.pt

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CRÍTICA|”Canções Subterrâneas” – A Naifa

Agosto 4th, 2004 | versão papel versão papel
Estranha electrónica esta!
Estranha forma de electro-pop esta, que acompanhada à guitarra portuguesa e sustentada por uma voz afadistada, lhe confere uma textura intemporal até pela forma como liga o passado e o presente. Sim, sustentada pela excelente voz de Mitó.
João Aguardela e Luis Varatojo fizeram de “Canções Subterrâneas” um disco pop, arrojado pela excentricidade das relações sonoras combinatórias que evoca. Nesta relação ressalta o equilíbrio, o bom gosto musical, o senso equilibrado na forma como cada influência que lhe dá vida é doseada (sem exageros, o que em algumas situações nem é muito positivo). E depois há a mensagem. Vale ainda pela mensagem, pela força poética dos artistas vivos que lhe dão vida, vitalidade, a ligação à realidade. É importante este cuidado nas palavras que se passam.
Essencialmente não é um disco definitivo, é uma experiência razoavelmente conseguida mas em evolução, é um disco que deixa no ar espaço de manobra para novas invenções uma vez que este, chega ser repetitivo nas fórmulas usadas para cada tema.
Não é um disco de fado, é um disco de electrónica aproximado ao fado, é antes de mais, um disco português, um bom disco português, uma nova forma imagética de uma certa cultura popular lusa.

“Canções Subterrâneas” – A Naifa (2004/Sony Music)

01 Intro
02 Skipping
03 Queixas de um utente
04 Música
05 Meteorologia
06 Perigo de Explosão
07 Hécuba
08 Bairro Velho
09 Rapaz a Arder
10 Os Milagres Acontecem
11 Poema Com Domicílio

Sítio: www.anaifa.com

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CRÍTICA|”Gray Area Zone” – Tendrills

Março 29th, 2004 | versão papel versão papel

Disco de assinalável qualidade ao nível da produção mas que não chega a “comover”.
Subjectivamente falando, tenho a ideia que os Tendrills ficaram a meio caminho entre o que sonharam um dia fazer e aquilo que realmente fizeram.
Era para ser um disco de nu metal? às vezes é!, era para ser um disco pesado? Não me parece, quase sempre fica a meio caminho, assim como o meio caminho percorrido por uma frase que entra por um ouvido e não quer de lá sair?repetidamente, orelhudamente. Metal leve?
Melodias bem construídas, interpretações correctas, boas canções e a electrónica a compor o ramalhete. O problema é esse: um ramalhete bem composto, demasiado!
O risco é curto, está tudo demasiado correcto, a criatividade essa, ficou como que perdida por algum canto do estúdio.
Mas temos de ser sempre criativos? claro que não, mas alguma criatividade ajuda a criar alguma identidade e em “Gray Área Zone” não a encontrei. O uso diferenciado das máquinas não chegou.


“Gray Area Zone” – Tendrills (2004/Metrodiscos)
1.Closer
2.Big mistake
3.Let go
4.Sacred love
5.Cat walk
6.Comets
7.Wax wings
8.C.F.I.
9.Extraordinary
10.Sunshine
11.The glitch
12.Gray area zone

Sítio: http://www.tendrills.com

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CRÍTICA|”High on You” – Grace

Março 21st, 2004 | versão papel versão papel

A graça que o Praça tem! ou pensa que tem?
É um disco com graça, um pequeno disco cheio de graça, diria mesmo. Ouve-se este pequeno disco e fica-se assim, derretido, enamorado, tal a quantidade de clichés que nos levam a achar-lhe graça, ao Praça.
Não se pode dizer que não se deseje um disco assim, um pop leve, “orelhudo”, buscando os lugares comuns de um certo romantismo, mas…já está, parece que antes de começar já acabou (o disco também é curto), fica-se à espera de alguma novidade, algo que já não se tenha ouvido nouto sítio, em muitos outros sítios.
São assim os Grace, melodias escorreitas, harmoniosas, tudo certo no lugar certo, pronto a cativar o maior dos distraídos (mas não só). E cativa mesmo mas pouco mais. Interessante a inclusão no EP de 2 vídeos.


EP“High on You” – Grace (2004/Universal/Lemon Editions)

Áudio:
1. high on you (got my)
2. to all the stars
3. real love (love is real)

Vídeo:
1. you & I
2. high on you (got my)

Sítio:www.gracetheband.com

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CRÍTICA|”Elevata” – The Ultimate Architects

Fevereiro 22nd, 2004 | versão papel versão papel

Tenho que confessar.

Até gostei do disco mas esperava mais, muito mais. Não sei bem o que esperava, é certo, mas depois de “The Ultimate Architects” (2001), esperava algo mais, algo diferente, em evolução, mais consistente, fora de um registo algo estereotipado que o disco por vezes parece seguir.

A pop electrónica portuguesa aí está, a ganhar força, e nesse campo não há dúvida que os Ultimate Architects estão na linha da frente e merecidamente. No entanto, com “Elevata”, parece que ficaram como que a marcar passo, parecendo por vezes até ter engrenado a marcha atrás, na forma como falharam alguns desafios, por exemplo, a voz.

As componentes multimédia e gráfica do CD estão magníficas.

“Elevata” – The Ultimate Architects(2003/Ed. Autor/Musicactiva)

01 Neon Moon

02 Endorphine

03 Nebula

04 The Pain

05 Neon Moon (Elektro.Lux)

Sítio:www.theultimatearchitects.com

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CRÍTICA|”Best of” – Gomo

Fevereiro 13th, 2004 | versão papel versão papel

Quem é o Gomo? quem é o Gomo?…

Pronto!

Aí está o homem!

“Nunca a pop foi tão refrescante – Um disco repleto de temas alegres e bem dispostos – Essencial para todos os que gostam de dormir até tarde”.

Pois… refrescante, leve, macio como a doce luz de uma manhã a raiar. É verdade.”Best of” é mesmo para disfrutar, abrir os braços, fechar os olhos e deixarmo-nos levar através de um pop simples mas cativante e eficiente. Canções bem construídas, que se ouvem, se ouvem sem fim sem nunca doer, mas sem nunca extasiar.

Alegre, fantasioso, mas quem é o Gomo?

Gomo é pop, é alegria, haja festa!

“Best of” – Gomo(2004/Universal)

01. Feeling alive

02. I wonder

03. Santa´s depression

04. Army Slave”

05. Proud to be bald

06. November 6th

07. Can´t find you

08. You never came

09. Be careful with the train

10. It’s all worth it

11. Caught

12. You might ask

Sítio:www.gomo.cc

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CRÍTICA|”#2 (Humanize)” – Ghost in the Machine

Fevereiro 5th, 2004 | versão papel versão papel

Ainda a escaldar…

Conheço pouco o som anterior dos Ghost in the Machine, senão aquilo que fui ouvindo e lendo: é um facto.

Daí que, o álbum “#2 (Humanize)” ainda que pouco ousado (em parte pelo que esperava de um segundo registo e depois de ter ouvido o que ouvi do primeiro) é um disco agradável, é um disco que se ouve bem e serenamente (às vezes demasiadamente sereno), mas é pouco mais do que agradável. Face às expectativas, às vezes desilude.

Vestido a rigor mas de um pop simples, salpicado aqui e ali por uns pozinhos maquinais (raízes), o disco transmite quase sempre sem excessos, sem riscos, a ideia de um som embalado, emocional, de um romantismo às vezes já perdido no tempo, tais são as lembranças que realça a pouco e pouco. Segundo os músicos, é um disco mais humanizado!

Sendo na globalidade um disco bastante equilibrado, interessante, é ainda assim bastante igual, a melancolia que o acompanha dá-lhe um ar taciturno, que se prolonga por quase todo o disco. A ouvir.

“#2 (Humanize)” – Ghost in the Machine (2004/Ed. Autor)

01. The Eyes of Indian Love

02. Lounge Talking

03. So Simple

04. Displaced

05. My Little Sister

06. The Man Who Walks Alone With a Flame of His Own

07. X Genes

08. My Curiosity

09 Ocean Mirror

10. The Beginning of it

11. Jazzyllusions

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CRÍTICA|”After the Curse” – Noctívagus

Janeiro 30th, 2004 | versão papel versão papel

“After the Curse”, terceiro registo discográfico dos Noctívagus mostra-nos uma banda em contínuo remar pelo movimento gótico em Portugal. Depois de “Almas Ocultas” de 1995 e “Imenso” de 1998 foi editado em Março de 2003 este “After the Curse”, exemplo do melhor rock gótico praticado entre nós.

Em aceleração constante (estonteante batida mesmo, em “Last night”) os 6 temas deste EP, assentam principalmente no carisma e no poder vocal de Lino Átila e numa instrumentalização razoavelmente bem conseguida, ainda que nem sempre muito diversificada.

Não sendo a pouca originalidade propriamente um pecado (pouco há a inventar, principalmente no género), também não me parece que o grupo a procure como principal meta. Importante será continuar a dar voz ao movimento gótico luso, cada vez com maior qualidade e nisso, os Noctívagus continuam a trilhar o seu caminho. Faixas 1, 5 e 6.)

EP “After the Curse” – Noctívagus (2003/Floyd Records)

01. Flames from the soul

02. Bad dreams

03. Cold mind

04. I’m not living

05. Corta-me a cabeça

06. Last night

Sítio: noctivagus.com.sapo.pt

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CRÍTICA|”No Body Needed” – In Her Space

Janeiro 29th, 2004 | versão papel versão papel

Não é um disco fácil. Como qualquer obra artística ou se gosta ou não, sendo por vezes ambos os pólos bem defensáveis. Esse é o caso deste “No Body Needed”.

Há melancolia, há tristeza, há um arrastar de tudo, da voz, da música, dos temas, do tempo, chegando a parecer que o disco nunca mais acaba. Isto é mau? depende!

Não é um disco fácil, transpira referências, referência diria eu, mas não é, igualmente, um disco que nos deixe indiferentes, há qualquer coisa a brotar. A falta de energia chega realmente a ser enervante mas é um disco que cria uma ambiência interessante, calmante, expectante, enervante eu sei. Algum experimentalismo traz-lhe por vezes alguma vitalidade.

Como qualquer obra artística nem sempre temos todas as respostas, nem sempre se sabe porque se gosta ou não de algo, e aqui, com os In Her Space, passa-se algo idêntico. Por vezes é um disco aborrecido, mas por outro lado tem momentos fortes, belos, momentos que nos deixam verdadeiramente deleitados. Explica-se? sei lá. Eu gosto.

CD “No Body Needed” – In Her Space (2003/Bor Land)

Sítio:www.inherspace.org

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CRÍTICA|”Fanfarras de Ópio” – Fat Freddy

Janeiro 25th, 2004 | versão papel versão papel

Se a música às vezes pode ser uma festa, então estas fanfarras são uma paródia sem fim. O importante é estar-se bem e se isso se pode tornar num gozo, então melhor, temos festa.

Se alguma vez pensou poder ter uma feira popular, uma sala de cinema e uma banda desenhada qualquer em casa, “Fanfarras de Ópio” pode ajudá-lo, sem dúvida.

A alegria discorre incessantemente, “Fanfarras de Ópio” é um disco cinemático, cheio de figuras que nos remetem para os mais diversos lugares, onde o humor, onde o sonoro desconcertante nos faz sentir bem, alegres.

O disco remete-nos a espaços para alguma concorrência directa com as colagens dos Stealing Orchestra, veja-se “Batman theme” por exemplo.

De resto, não sendo uma obra prima, vale sempre a pena experimentar, vai ver que vai gostar!(6/10)

“Fanfarras de Ópio” – Fat Freddy (2003/Banze)

01. Frenesim de Canibalismo ritual

02. Vamos

03. Huxley e Leary

04. A Polka do amor

05. Carrosel mágico

06. Dedicado às minhas amigas da fábrica

07. Batman theme

08. Danceteria

09. Lolita ( Não quero saber o teu nome)

10. LSD 25

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CRÍTICA|”Flic Flac Circus” – Sloppy Joe

Janeiro 17th, 2004 | versão papel versão papel

“Flic Flac Circus” é o terceiro disco a sair para a rua apoiado na distribuição do Jornal Blitz.

E diga-se, em boa hora os Sloppy Joe editaram o seu primeiro álbum, constituído essencialmente por aquilo que é história do grupo, temas dos tempos iniciais da banda.

Depois das promessas de “Rouge”, inserido na colectânea “Optimus 2001″ e do single revelação “Six Little Monsters”, os Sloppy Joe oferecem-nos um disco bastante, mesmo bastante respeitável.

Bem trabalhado;

Bem tocado;

Bem cantado;

Bem produzido;

Bem balanceado.

O disco é na sua globalidade um disco interessante, bem apoiado numa histórica natureza pop, mas que surge bem mais estruturado num ritmo ska ao qual se adiciona uma riqueza instrumental que lhe confere diferentes texturas, daí nascendo um conjunto de temas sob as mais diversas influências dos variados estilos do género étnico.

“Flic Flac Circus” é essencialmente um disco equilibrado, um disco de alguma maturidade musical, que nos mostra um conjunto de boas canções a necessitarem de serem ouvidas.

“Flic Flac Circus” – Sloppy Joe (Bairrista/Independent Records)(7/10)

01. Saint

02. Burnin’ Ship

03. O Calor

04. Blue Star

05. Six Little Monsters

06. Love Roots

07. Pirero

08. Jean Michel

09. Sure

10. When Your Conscience Rings

11. Uinda

12. Rouge

Sítio:www.sloppyjoe.com.pt

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CRÍTICA|”The Incredible Shrinking Band” – Stealing Orchestra

Janeiro 12th, 2004 | versão papel versão papel

O Regresso do Gamanço

Não vou mentir, hesitei em escrever sobre os Stealing Orchestra. Não que não goste, mas antes porque não sem bem por onde realmente começar e o que dizer. Não que o começar seja de facto importante, no caso dos Stealing Orchestra o importante pode até nem ser o começar, mas antes o manter da palpitação, a alucinação sonora que nos faz sentir vivos; quando damos por eles, estamos lá dentro, embrenhados naquela loucura surripiadora.

Eu gosto de Stealing Orchestra e merecem bem a experiência de os escutar!

O disco é um divertimento, puro divertimento, sem grandes pretensões (simplicidade=vitalidade) e não sei se será muito gratificante para os puritanistas da instrumentalização, mas uma coisa é um facto, os Stealing transferem emoções, passeiam a alegria e a diversão por entre a nossa audição e se isso dá prazer, que dê e com força.

Mais musical menos musical que importa, mais gamanço menos gamanço que interessa, o importante é haver transferência de emoções e em “The Incredible Shrinking Band”, estas transferem-se, a pulso, de faixa para faixa, sente-se qualquer coisa. Por vezes só falta saber o quê!

Não, não vou dizer que este disco é a última das obras de arte, não vou dizer que deste disco emana aquela musicalidade tocada à qual exclamamos: Bem tocado! pois não, mas o que é que isso interessa, esta disco está cheio de humor, de riso, de ironia, de loucura, enfim está cheio de sons, sons que dão côr e luz à alma.

Stealing Orchestra pode ser prazer, gozo, pode ser o desejo de viajar por entre o universo de sonoridades e sons diversos, diferentes, inesperados. Stealing Orchestra será sempre uma experiência inesperada. Há uma heterogeneidade nas respostas sonoras dos Stealing que nos deixam desequilibrados, na expectativa do próximo episódio e isso é bom, muito bom.

Nada nos deixa indiferentes, enredados em sons de carrocel embalados pela sons de bebé e outros artifícios, este disco parece saído de uma banda desenhada tal a quantidade de imagens diferentes que esta nos faz surgir.

Stealing Orchestra do nada conseguem fazer quase tudo misturando de tudo um pouco na expectativa do pouco uma imensidão de sentimentos brotarem de ambiências colorirem.

Quase sempre conseguem.Parabéns.

“The Incredible Shrinking Band” – Stealing Orchestra (8/10)

01 Just like Oskar we’ll never grow up

02 Que Deus te dê o dobro de tudo o que nos desejares

03 Enjoy the fever, kid

04 Time Travelling Waltz

05 Tetris (Beware Boy, Videogames are Evil)

06 May all of us live as long as the Pope

07 The Nanotech Virus

08 Sorry Captain but… shouldn’t we be thinking about cosmic hazards instead of destroying our spaceship and killing the crew?

09 Anniversary Waltz (Les Jeaux Interdits Scenario)

10 Os Caretos de Podence

11 El Torero Corneado en el Culo

12 Closing Time

13 The Darkside of a Transvesti

14 A Piela

15 The Living Dead Whistling Quartet

16 How To Make A Killer Rat

17 We wish you love

18 Happy Ending Theme

Sítio:www.geocities.com/stealingorchestra/main.htm

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CRÍTICA|”Extravaganza” – Houdini Blues

Janeiro 10th, 2004 | versão papel versão papel

A caminho de um lugar qualquer…Houdini Blues

E vão insistindo, o quinteto nascido em 1996 em Évora vai insistindo em trilhar o seu caminho. Sozinhos, por enquanto.

Este segundo álbum mostra-nos um som mais maduro que o primeiro “true life is elsewhere”, mas menos original, menos arriscado, mas mais compacto. Mostra-nos um grupo no centro de uma encruzilhada entre o português, o francês e o inglês, entre a electrónica e uma certa pop com uma sonoridade “à antiga”, mostra-nos um grupo descomplexado quanto ao caminho a seguir. O que gostam mesmo é de fazer música, parecendo ela o que parecer, mostra-nos um grupo no início de um caminho…seja ele qual for.

Há músicas diferentes, diversas, estilos diferentes, vocalizações diferentes, colagens aqui e ali, assentando mesmo aqui alguma da riqueza deste álbum, a sua versatilidade estilística. Estarão de facto a caminho de algum lugar?

Para além de “The Nightmare Dreams of Rivers” e “Tragic Queen”, temas de playlist, agradaram-me especialmente as faixas “You Are The Man”, “Cabbala” e “Go West Mae West”.

A merecer audições atentas uma vez que se vai ouvindo melhor a cada audição que se faz!

Houdini Blues “Extravaganza“(7/10)

1. Tragic queen

2. Lobo bom

3. Canção do marinheiro insolente

4. The nightmare dreams of rivers

5. …ntre ses doigts

6. Cabbala

7. Buenos aires capital

8. You are the man

9. Go west mae west

10. Patient spider

11. Dorian gray

Sítio:houdiniblues.123som.com

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CRÍTICA|"Movimentos Perpétuos"

Janeiro 3rd, 2004 | versão papel versão papel

Numa altura do ano em que tantas listas e listinhas dos melhores do ano vão sendo elaboradas, geralmente ignoram-se algumas pérolas (colectâneas temáticas ou biográficas) que se vão produzindo. Assim, este ano ficaria bem referir o fantástico duplo álbum de tributo ao mestre Carlos Paredes – “Movimentos Perpétuos” (8/10). Grandes instrumentistas, grandes músicas, grande álbum, quase 100%…

Eis os nomes dos artistas:
Disco 1:
Sam the Kid “Viva!”
Gabriel Gomes “de braço dado”
Ricardo Rocha “Luciferianismo”
Verdes Sons “Um hálito de sonho”
Mísia “Coraçãoo”
Dead Combo “Paredes Ambience”
Rodrigo Leão “A janela”
Bullet “Sur les cortes”
António Pinho Vargas “Dois violinos para Carlos Paredes”
José Eduardo Rocha “Prelúdios & Fugas sobre o nome de Carlos Paredes”

Disco 2
Gaiteiros de Lisboa “Movimento Perpétuo”
Carlos Bica & Azul “Chama do Sol”
Maria João e Mário Laginha “Mãos na parede”
Shelter Av. “O sono”
Ana Sofia Varela e Fredo Mergner “Na margem deste rio”
Marco Figueiredo “Dez anos de solidão”
Ana Sadio “Canto de saudade”
Lupanar “Encruzilhada em restos menores”
Loopooloo “…e mais uma coisa”
Belle Chase Hotel e Quinteto de Coimbra “Verdes anos”

Sítio:www.movimentosperpetuos.com

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