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FIGURAS|Belle Chase Hotel

Março 31st, 2004 | versão papel versão papel

Em Coimbra com J.P.Simões & Cia. O brilhantismo e a originalidade no fim da década de 90.

Se em diversos momentos de uma mudança a originalidade tentada não passa de um enorme bluff, sem rumo, o final dos anos 90 ofereceu-nos uma das bandas mais interessantes e invulgares desses e destes tempos.
Mutabilidade. Competência. Música a rodos. A rodos.
Os Belle Chase Hotel são trompamente falando, um dos projectos mais excepcionais surgidos no panorama musical dos últimos anos neste lusitano território. Ouvir Belle Chase Hotel e não se deixar envolver, enredar naquele mundo “á lá Belle Chase”, naquele mundo tão próprio, tão diferente, é perder muito, muito de uma invenção, de uma imaginação sem fim.
“Na constelação de influências que caracterizam este projecto, encontramos nomes como Glen Miller, Ray Connif, Camaron de La Isla, Kurt Weill, Boris Vian, Philip K. Dick, Tom Waits, Leonard Cohen, Irmãos Catita, Roxy Music, David Bowie, Orquestra Filarmónica da GNR, Max Roach, John Coltrane, Charlie Parker, T. Monk, Charles Mingus, José Duarte, Stanley Kubrick, Casanova, Freud, James Joyce, Woody Allen, David Byrne, Arto Lindsay, Astor Piazzolla, Tom Jobim, Vinicius, Buarque, Pop Dell’Arte, Circo Chen, Mário Viegas, Mozart, Fernando Pereira, entre muitos, muitos outros”. Assim se lê por essa net fora e está tudo dito!
Frustação. Só mesmo os anos seguidos de ausência de edições de monta. Belle Chase Hotel, qual virtuosismo, qual cocktail de jazz, soul e funk servido em ambiente nocturno de cabaret, pronto a invadir-nos, sem dó.


“Fossanova” (1998/NorteSul)
01. Kurt Weill Time
02. Wrong Kind Of Blues
03. Fossanova
04. Sunset Boulevard
05. Strong Sex
06. Lonely Gigolo
07. Scorpions In Love
08. Living Room
09. Sign Of The Crimes
10. Emotion & Style
11. Derangé
12. The Night Will Never Care


“La Toilette Des Étoiles” (2000/NorteSul)
01. La Toilette Des Étoiles
02. São Paulo 451
03. Merry-go-wrong
04. Paganini’s Fire
05. (Interlúdio 1)
06. Evil Rock
07. The Perfume Of The Stars
08. (Interlúdio 2)
09. Shimmering Dimmering Colored Dingaling
10. Not Searching For The Real Thing
11. Light Movie
12. Star Patrol
13. (Interlúdio 3)
14. Nímarói
15. Mirago

Sítio: Belle Chase Hotel

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FIGURAS|Armando Teixeira

Fevereiro 28th, 2004 | versão papel versão papel

“Armando Teixeira é dos maiores activos da nova música portuguesa e representa uma promissora imagem de futuro. Talento, disciplina e trabalho.”(LusoBeat, Dez. 2003).

É realmente impressionante a disciplina com que Armando Teixeira consegue gerir os seus três principais projectos.

Pensar em Balla, Bullet e Bizarra Locomotiva e associá-los a Armando Teixeira, com todos os aspectos em comum que estes possuem mas principalmente nos aspectos que os fazem divergir, faz-nos de facto meditar sobre todo o seu ecletismo, polivalência e criatividade infindável.

Se nos lembrarmos que antes ainda formou os Ik Mux e pertenceu aos Boris Ex-Machina e Da Weasel, é motivo para goelar bem alto: Enorme Armando.

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FIGURAS|Houdini Blues

Fevereiro 10th, 2004 | versão papel versão papel

‘en garde’ Houdini Blues

Para onde vai a frota eborense de 1996?

Se os Houdini Blues (nome escolhido a partir de um tema de Kristin Hersh) são um dos casos mais interessantes da música moderna actual? Sim sem dúvida, há um certo jeito a pop no ar. Amparados por uma voz forte e por instrumentalizações competentes, os Houdini Blues andam por aí!

Chegaram os Houdini Blues ao fim da linha com “Extravaganza”? Acredito que não, de certeza que não!

Há uma evolução forte, visível, uma evolução criativa de adaptação à realidade actual. Os dois álbuns são parte de um processo que ainda vai a meio, e bem a meio. São partes de um processo evolutivo que teve como auge até agora “Extravaganza”, ainda que… Chegou-se ao fim da linha?

Não, ainda a frota vai a meio.

Se em “True Life is Elsewhere” o som se espalhava no ar, adornado por um pop mais alternativo, mas um pop mais rock e bem sedimentado na guitarra, em “Extravaganza” a música é outra, ainda que não raras vezes se fique com a sensação que poderiam ter ido mais longe.

Sim é outra, a música, mais reflectida, ainda que não fugindo daquilo que me parece ser a essência da banda, isto é, a diversidade de estilos e géneros, a elasticidade musical na composição e interpretação, as várias linguagens, as várias sonoridades, como disse há algumas semanas “estarão de facto a caminho de algum lugar?” especial os Houdini Blues.

O facto é que de um álbum para o outro, os Houdini Blues não perderam toda aquela sonoridade muito anos 80, não perderam toda aquela ambiência “Rock RendezVous” que brota do seu som. É mais forte.

“Extravaganza” é sem dúvida um disco mais maduro, mais evoluído, buscando na electrónica alguma da frescura perdida, ou não encontrada no primeiro disco.

Não sendo uma peça final, o segundo álbum é marcadamente um disco de evolução, mas é antes de mais um disco que nos deixa antever uma banda a caminho de um lugar diferente, de um lugar realmente diferente, para melhor! Tempo parece não faltar.

Álbuns:

“True Life is Elsewhere”(2001/Lux Records)

“Extravaganza”(2003/Ed.Autor)

Sítio:houdiniblues.123som.com

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FIGURAS|Ornatos Violeta em recordação…

Janeiro 27th, 2004 | versão papel versão papel

Banda formada no Porto em 1991, os Ornatos Violeta são hoje uma referência incontornável do novo Pop-Rock feito em Portugal e cantado em Português; e bem cantado.

Numa altura em que os diversos membros da banda se desdobram na preparação de novos projectos, bastante aguardados por sinal, e enquanto não sai a anunciada colectânea de raridades do grupo, resta-nos simplesmente recordar, recordar Ornatos Violeta, recordar a mensagem sentida de uma das principais bandas do rock português actual.

Recordar Ornatos Violeta, leva-nos para uma busca incessante da originalidade sonora, para uma busca temperada com as mais diversas referências musicais, sentimentos, não perdendo toda a sua essência do pop-rock, assim à queima-roupa.

Ornatos Violeta interioriza-se, abalroa-nos, agarra-se ao corpo, à alma como poucos, pelo som torneado, pela poesia ditada, pela voz e melodia em comoção, por um certo encantamento viajado da tristeza poética que emana das pautas e daquela voz tantas e tantas vezes sussurrada.

Foi pena, o fim…

Álbuns:

“Cão”(1997/Polygram)(8/10)

“O Monstro Precisa de Amigos”(1999/Polydor/Universal)(9/10)a caminho do 10…

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FIGURAS|The Legendary TigerMan

Janeiro 8th, 2004 | versão papel versão papel

É o que nos vale.

Acordar um dia e ver como a música ainda nos pode surpreender. Paulo Furtado tem esse dom, esse difícil dom de ainda conseguir surpreender alguém no meio musical.

Dois álbuns, duas pedradas bem grandes no charco por vezes tão parado da música portuguesa.

The one man band, o homem tigre Paulo Furtado, faz o mississipi transbordar as margens e acostar neste pequeno canto europeu.

A simplicidade como o blues às vezes roqueiro é tocado por um homem só não nos pode deixar indiferentes. E não deixou, nem a nós nem a espanhóis nem a japoneses. É a prova simples como a música feita com simplicidade mas com vontade pode fazer milagres e triunfar, pelo menos no estrangeiro como se vai perspectivando.

Paulo Furtado é neste momento um dos principais músicos do nosso rectângulo animado, não viesse ele (mais um) do grande centro roqueiro do momento, Coimbra e daquele grupo imprescindível para a leitura da situação sobre o novo rock que se vai fazendo em Portugal, os Tédio Boys.

São dois discos verdadeiramente imperdíveis.

Álbuns:

“Naked Blues” (2002) (8/10)

“Fuck the Christmas i got the Blues” (2003) (9/10)

Sítio:www.legendarytigerman.com

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