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“Alhur” – Né Ladeiras

Julho 22nd, 2009 | versão papel versão papel

Há artistas que vivem tanto tempo longe dos holofotes, que deixam no ar como que um sentimento de forte saudade. Né Ladeiras é, obviamente, uma dessas artistas. Nascida no Porto, em 1959, com passagens no início de carreira por projectos como Brigada Victor Jara, Trovante e Banda do Casaco, Né Ladeiras vive hoje algo afastada dos holofotes. demasiado afastada. E não falo só em discos, falo mesmo do calor dos holofotes. Se não contarmos com a excelente reedição levada a cabo pelo Do Tempo do Vinil, sob o título de “Essência – Os Anos Valentim de Carvalho 1982-1983” (iPlay, 2008), o último disco data já de 2002; “Ao Vivo”, na companhia de Anamar e Pilar.
Na ânsia de trazer a este espaço, Né Ladeiras, Prémio José Afonso em 1994, com “Traz-os-Montes” (EMI-Valentim de Carvalho, 1994), a escolha recaiu sobre o magnífico “Alhur”, maxi-single que marcou a estreia a solo da artista – um dos disco há pouco reeditados, juntamente com o álbum “Sonho Azul” (1983). E que disco; um registo luminoso produzido por Ricardo Camacho (Sétima Legião) e tocado pelos músicos dos Heróis do Mar, com letras de Miguel Esteves Cardoso. “Alhur” é marcado por um encontro absolutamente feliz entre alguma tradição musical, tão explorada por Né Ladeiras,  e alguma modernidade. Né Ladeiras alimenta-se do trabalho de pesquisa das raízes musicais portuguesas, sem nunca renegar outro tipo de conexões; com o exterior às nossas fronteiras; com a modernidade. “Alhur” tem uma luz muito própria, capaz de nos fazer levitar sem qualquer sobressalto. 27 anos depois, a magia mantém-se, mantendo-se Né Ladeiras na sua posição de vanguarda  na exploração de novas fronteiras musicais. Que falta que faz este calor.
Junto segue para audição o belíssimo “Húmus Verde”.

capa de Alhur
“Alhur” – Né Ladeiras (EMI, 1982)

Lado 1
01 Húmus Verde
02 Holoteta

Lado 2
03 Essência
04 Alhur

género: popular

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RECORDAÇÕES|”Afinal” – Anamar

Agosto 27th, 2008 | versão papel versão papel

Às vezes vem-me à memória. Meia mentira, desta vez fui induzido pela nova timeline que assentou arraiais no fundo deste blogue. Isto tudo porque desejava – muito – fazer a entrada relativa a artista em questão e não encontrei a  informação que necessitava – data de nascimento. Nem o ano. Geralmente a Wikipedia até tem ajudado – pelo menos acredito que sim, mas desta vez dizia apenas “Anamar é um cantora portuguesa“; ressalvando o ‘apenas’. Dizendo pouco não deixa de ser extraordinário como diz quase tudo.
Com uma carreira nos discos iniciada com o single “Baile Final” (“Lágrimas” no lado B), pela Fundação Atlântica (1983), e terminada, até ver, em 2004 com o disco “Transfado” (CNM), a artista tem trazido consigo o peso saudável de uma nova portugalidade. Do primeiro ao último, com “Amar por Amar” (Ama Romanta, 1987), “Almanave (Polygram, 1987), “Feiabonita” (Polygram, 1989), “M” (BMG, 1997) e “Ao Vivo” com Pilar e Né Ladeiras (Zona Música, 2002), pelo meio, vive-se o exaltar de uma certa forma de cantar o português. Mais ou menos moderna, mais ou menos experimental, sempre total. Como recordação e prova disso tudo e mais alguma coisa, ouçamos a compilação “Afinal”, editada em 2003 pela Universal. Esta  é a imagem de uma artista de corpo inteiro – ainda que algo afastada do meio; artista pop ou rock, fadista e cigana, do jazz e do tango. A música da artista abraça um país todo; um mundo inteiro.
Foi assim que me vieram à memória canções como “Amar por Amar” ou “Roda”. A artista é Anamar obviamente.

P.S.: Se alguém souber a data de nascimento de Anamar – basta o ano, diga qualquer coisa p.f..

som “Transfado” – Anamar.

capa de Afinal
“Afinal” – Anamar (Universal, 2003)

01 Afinal
02 O Tempo Dos Anjos
03 Santa Negra
04 Nsn
05 Ilha
06 Lafaek
07 Shah
08 Dar O Dia
09 Sereia
10 Tudo Dar
11 Canção Do Mar
12 Animal
13 Céu Da Gente
14 Ana
15 Roda
16 Amar Por Amar
17 Baile Final

tipo Popular
sítio Anos80

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RECORDAÇÕES|”Filactera” – Mário Delgado

Março 26th, 2008 | versão papel versão papel

Não raras vezes me sinto assim – infelizmente. Absorto. Nesses dias, geralmente, dá-me para vaguear por sons de outros tempos – mais ou menos antigos. Invariavelmente – já tenho reparado nisto, dá-me para vaguear por alguns dos melhores discos de jazz que os músicos deste país já produziram. Não tinha ainda chagado a vez de “Filactera”, especial obra do enorme guitarrista Mário Delgado. É hoje.
Nascido em 1962, também ele filho da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, Mário Delgado é hoje um dos nossos mais ilustres guitarristas, participando e tendo participado em variadíssimos projectos. Em 2000, inspirado pelo universo da Banda Desenhada e por convite do Festival de Jazz do Porto, compôs este iluminado “Filactera”.
“Filactera”, não fosse ele totalmente envolvido e absorvido pela temática da BD, é um disco de onde transparece toda uma ideia de movimento, de diálogo, de drama e emoção. São histórias aos quadradinhos, quais bandas sonoras de obras que assim se conseguem folhear quase de olhos fechados. “Filactera” é uma homenagem a muitos dos heróis da BD, mas é também uma homenagem ao espírito criativo, quase sem limites, de Mário Delgado e seus comparsas. O que o quinteto liderado por Mário Delgado nos oferece – com Alexandre Frazão (bateria), Andrzej Olejniczak (saxofone), Carlos Barretto (contrabaixo) e Claus Nymark (trombone), é uma obra de uma vivacidade especial, enérgica, naturalmente imagética, e que faz dela uma obra extraordinariamente bem conseguida. Uma viagem incrível a universos tão diferentes como aqueles que Hugo Pratt, Bilal ou Hergé nos oferecem com as suas histórias. Se ouvissem “Filactera”, não a enjeitariam como banda sonora dos seus bonecos; certamente.
“Filactera” é um disco surpreendente; sempre e sempre, por mais vezes que se ouça. De repente, foi como se aquele estado inicial de contemplação, se esfumasse, pela noite dentro.
Excelente.

som Mário Delgado

capa de Filactera
“Filactera” – Mário Delgado (Clean Feed, 2002)

01 I’m a Poor Lonesome Cowboy (para Morris & Goscinny)
02 Armadilha Diabólica (para Edgar Pierre Jacobs)
03 Sete Bolas de Cristal (para Hergé)
04 Corto Maltese (para Hugo Pratt)
05 Gatos e Corvos (Fritz the Cat) (para Robert Crumb)
06 Blues dos Freak Brothers (para Gilbert Shelton)
07 A Mulher Armadilha (para Enki Bilal)
08 Marcha das Múmias Loucas/Gelati Blues (para Jacques Tardi)
09 A Tensão U = RI
10 I’m a Poor Lonesome Cowboy (reprise)

tipo Jazz

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RECORDAÇÕES|”Ribeira” – Jafumega

Fevereiro 24th, 2008 | versão papel versão papel

No amontoado de CD’s de uma qualquer estação de serviço…
É verdade; foi assim que dei com este “Ribeira”, uma reedição da Metro Som para o primeiro álbum dos Jafumega. Para além do álbum de 1980, “Estamos Aí”, esta reedição traz ainda o saudoso primeiro single do grupo portuense, datado de 1981, composto por “Dá-me Lume” e pelo histórico “Ribeira” no lado B (Metro Som). Com a pressa e só depois de o comprar, percebi que se tratava de uma reedição de 2007; o que para o caso, também não interessa nada. A verdade é que o primeiro álbum dos Jafumega já anda por aí. Entretanto, numa pesquisa posterior, já deu para perceber que anda um pouco por todo o lado.
Uma linha de história: dos Mini-Pop dos manos Barreiros, no dealbar da década de 80, haveria de surgir um dos grupos mais marcantes do chamado boom do rock português. Com sede a Norte, os Jafumega criaram hinos únicos da música portuguesa, onde a “Ribeira” é apenas um; outros como “Latin’América”, “Nó Cego”, “Kasbah” ou “La Dolce Vita” se seguiriam. Três álbuns depois, ainda em meados da década de 80, os Jafumega dariam por encerrada a sua actividade; no sentido do cansaço que o próprio boom atravessava – as editoras, entenda-se. Para a história e para já, fica a recordação desse primeiro disco dos Jafumega, um álbum rock, todo cantado em inglês e com um sentido toque jazzístico - ainda estou com o saxofone de José Nogueira nos ouvidos.
Apetece-me dizer finalmente. Finalmente, por ouvir o primeiro trabalho do importante grupo onde alinhavam Eugénio Barreiros (teclados e voz), Mário Barreiros (guitarra e coros), Pedro Barreiros (baixo), Álvaro Marques (bateria), José Nogueira (saxofone, clarinete e teclados) e Luís Portugal (voz e percussão). Finalmente, por poder também recordar esse eterno “aponta uma passagem, p’ra a outra margem“. Finalmente.
Grande recordação.

P.S.: Anda por aí, em algumas estações de serviço, por 6,95€.

som Tinha de ser; a “Ribeira” está em audição na Rádio Memória.

capa de Caminhando
“Ribeira” – Jafumega (Reed. MetroSom, 2007)

01 Ribeira
02 Dá-me Lume
03 There You Are
04 My Daddy’s Rock
05 Dino’s Night
06 Keep Your Girl
07 Take Me to the Highway
08 Zugueira
09 Another Story
10 Can’t Say Good Bye to Me
11 Running Out

tipo Rock
sítio No Anos80

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RECORDAÇÕES|”Alibi” – Manuela Moura Guedes

Janeiro 22nd, 2008 | versão papel versão papel

Linda, bela, belíssima recordação…numa extraordinária reedição.
A estranho esquecimento foi este “Alibi” votado com o tempo – assim como muitos outros; na verdade, não foi só o tempo; na altura, o disco nunca teve a aceitação esmagadora que a afamada jornalista obteve com o single Foram Cardos, Foram Prosas” – também incluído nesta edição como bónus.
Se o disco é a beleza pop&new wave que é, saturada de arranjos com pormenores fantásticos – só por exemplo, ouça-se “Procuro um Álibi” ou mesmo “Cruela”, muito o deve aos seus grandes obreiros. Não se poderia escamotear a participação de uma certa trupe. À qualidade de “Alibi”, não é alheia o facto de ter sido este, na sua totalidade, escrito, produzido e tocado por Vítor Rua, Tóli César Machado e Rui Reininho – sim, a corporação quase completa. Excelentes arranjos para uma voz perfeita; “Um Óscar”, “Cocktail-Party”, “A Hora do Lobo”, “Procuro um Alibi” ou “Cruela”, são os melhores exemplos de um disco marcante. Depois, há ainda uma atenta poesia que o acompanha e o torna naquilo que é; uma referência ignorada – ou quase.
Em resumo, não se trata apenas de recuperar um disco que não teve a exposição que merecia; essencialmente, trata-se de expor uma das peças mais interessantes do rock feito em Portugal no início da década de 80. Fantástico.
Excelente reedição. Obrigado Do Tempo do Vinil.

iniciar #4 Cocktail-Party
som Manuela Moura Guedes; na Rádio Memória há mais…

capa de Alibi
“Alibi” – Manuela Moura Guedes (EMI-VC, 1982; Reed. VC/Som Livre, 2007)

01. Violetango
02. A Hora Do Lobo
03. Equinócio De Outono
04. Cocktail-Party
05. Prova Oral
06. Um Óscar
07. Fortuna É…
08. Procuro Um Alibi
09. O Homem Bala
10. Cruela
11. Flor Sonhada (Faixa Bónus)
12. Foram Cardos, Foram Prosas (Faixa Bónus)

tipo New Wave/Pop
sítio dotempodovinil.blogspot.com

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RECORDAÇÕES|"Iconolator" – The Astonishing Urbana Fall

Novembro 29th, 2007 | versão papel versão papel
Hoje, só um disco assim me faria escrever mais que uma dúzia de linhas. Na realidade, só um disco assim me faria despir a preguiça que trago hoje no corpo. Colectivo barcelense formado em 1995, os The Astonishing Urbana Fall foram indubitavelmente uma das propostas mais cativantes da música alternativa portuguesa da década de 90. Na verdade, custa a acreditar – até a aceitar – que se tenham quase sublimado, sem deixar rasto. Quase; como acontece em todas as histórias felizes, alguns anos mais tarde, acabariam por renascer nos La La La Ressonance. Bem, mas antes disso e depois de “Acetaminophen” (1997), “Iconolator”…
E não; não é brincadeira ou exagero, considerar este “Iconolator” um dos discos mais interessantes e importantes do ano de 1998 – estendendo-se mesmo para lá deste. Sem alinhar em cânones estilísticos previamente imaginados, “Iconolator” é desde logo uma bomba sonora, plena de criatividade e fortes sensações. É disso que se fala – também, de sensações, da percepção de um conjunto de múltiplas realidades; mais ou menos convencionais. A composição, o resultado final, quase tudo nos transporta pelas mais variadas paisagens, mais ou menos etéreas, fortemente imagéticas e geralmente até bizarras na sua forma combinatória. De uma raiz marcadamente instrumental, “Iconolator” move-se misteriosamente num convite ao movimento, convidados que somos pela riqueza criativa dos The Astonishing Urbana Fall.
Excelente recordação.

som A trompa tomou a liberdade e colocou para audição na jukebox ‘Sons’, o 1º tema do disco.

capa de Iconolator
“Iconolator” – The Astonishing Urbana Fall (Deixe de Ser Duro de Ouvido, 1998)

01 Act I 11.AM – Dance Mechanics: The Eardrum Machine
02 Act II 1.AM – Angel Trapping Radiation: The Drifter
03 Act III 5.AM – Lumière: The Nasty Ten Pound Syringe
04 5:45.AM – Graveyard Tragedy: The Caucasian Suicide Temple
05 Zero Time: The Iconolator

tipo Alternativo

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RECORDAÇÕES|"Que Nunca Mais" – Adriano Correia de Oliveira

Outubro 16th, 2007 | versão papel versão papel
“Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores” (“Tejo que Lavas as Águas“; letra de Manuel da Fonseca)

“Disco é Cultura” – lê-se na contracapa do vinil; disco é história!
O importante no dia de hoje, mesmo, é que se assinalam os 25 anos sobre a morte de Adriano Correia de Oliveira; contava apenas 40 – nasceu no Porto em 9 de Abril de 1942.
Disco de referência da música popular portuguesa, da música de intervenção, “Que Nunca Mais” teve arranjos e direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Entre os convidados, encontram-se ainda nomes como os de Júlio Pereira e Carlos Paredes, entre muitos outros. Terminado em 1973, só com o advento da revolução o disco levaria um novo e decisivo impulso, levando mesmo o artista a ser premiado em 1975 pela revista britânica “Music Week”.
No contínuo movimento anti-fascista, político, social e cultural, este é mais um daqueles registos que respira história; um respirar profundo, arrojado e libertador. Com arranjos que irradiam luz, é a mensagem que provoca, expõe e pensa um país.
Em jeito de homenagem, foi ontem lançada a compilação “Adriano, Aqui e Agora – O Tributo“. Ao mesmo tempo, o jornal Público começou hoje a disponibilizar a obra completa do músico (CD+Livro=8€).

capa de Que Nunca Mais
“Que Nunca Mais” – Adriano Correia de Oliveira (Orfeu, 1975)

Lado A
01 Tejo que Lavas as Águas
02 O Senhor Gerente
03 As Balas
04 No Vale Escuro
05 Tu e Eu Meu Amor

Lado B
06 Recado a Helena
07 Dona Abastança
08 Cantiga de Montemaior
09 P’rá Frente

tipo Popular
sítio adriano.esenviseu.net

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RECORDAÇÕES|"Na Vida Real" – Sérgio Godinho

Setembro 22nd, 2007 | versão papel versão papel
“Na vida real as aparências
estão do outro lado do espelho
na vida real não me assemelho
à simulação das evidências”
(“Na Vida Real”)

Às vezes calha assim. Calha mesmo. Olha-se pel’a trompa abaixo e vêem-se nomes como Quarteto 1111, Adriano Correia de Oliveira, Brigada Victor Jara e agora, aqui, Sérgio Godinho. Calhou. Nomes que são já história…
Não é nome que pare por aqui muitas vezes; não que não goste ou que não mereça – muito, muito pelo contrário, mas por achar que não há muito mais para dizer sobre a enormidade da obra de Sérgio Godinho. Ou melhor, outros dirão mais e muito melhor, sem dúvida. Daí que, efectivamente, não tenha nada de especialmente novo para dizer, senão que andei nos últimos dias às voltas com “Na Vida Real” (PolyGram, 1986; reed. Universal, 2001). Extraordinário.
Disco de viragem na música de Sérgio Godinho, sobre o mesmo Nuno Galopim diz no texto que introduz a sua reedição, que “assume uma certa entrega de Sérgio Godinho aos domínios da descoberta que ele próprio procurava [...] Disco esteticamente poderoso e cenograficamente nocturno, ‘Na Vida Real’ faz a diferença não só face ao trabalho anterior, mas também frente ao contexto musical português de meados de 80″ (Nuno Galopim, 2001).
Só por isso e por tudo o resto, por viver de canções que ainda hoje são cantadas por aí, “Na Vida Real” é um disco marcante, não só para a carreira do artista, mas também para a história da música portuguesa:”Isto Anda Tudo Ligado”, a fantástica “Lisboa que Amanhece”, a regravada “Pode alguém ser quem não é?” ou o histórico de António Mafra “O Carteiro”, são tudo canções que palpitam em “Na Vida Real”.
Se não se lembrava, estão todas lá…entre muitas outras!

som Ouvir alguns temas do último e excelente “Ligação Directa”.

capa de Caminhando
“Na Vida Real” – Sérgio Godinho (PolyGram, 1986; reed. Universal, 2001)

01 Definição do amor
02 Isto anda tudo ligado
03 Lisboa que amanhece
04 Dor d’alma
05 A carroça dos poetas
06 O fugitivo
07 Pode alguém ser quem não é?
08 Elogio do artesão
09 O carteiro
10 Emboscadas
11 Na vida real

tipo Popular
sítio www.sergiogodinho.com

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RECORDAÇÕES|"Ocidental Praia" – Ficções

Agosto 31st, 2007 | versão papel versão papel
Da mesma forma que os dias correm uns atrás dos outros, diferentes, também as sensações que se procuram, por aí, divergem; um pouco como as diferentes tonalidades que dão côr à música que nasce por cá. Anteontem, parei-me em Alexandre Soares e Jorge Coelho, ontem, foi um regresso às Ficções; tanta e tanta coisa há para descobrir por aqui. E não, não é ficção, é a mais pura realidade.
Grupo formado em Lisboa em 1998, liderado por Rui Luís Pereira (Dudas), os Ficções tiveram na sua história já múltiplas formações. Nessa história, “Ocidental Praia” é exactamente o terceiro disco, um registo lançado em 2001 numa edição de autor; depois de “Aqua” (PolyGram, 1992) e “Zambra” (PolyGram, 1995). Neste disco, Rui Luís Pereira (guitarra e alaúde) fez-se acompanhar de João Paulo (piano), Perico Sambeat (saxofone e flauta), Yuri Daniel (baixo) e Alexandre Frazão (bateria). Para já e sendo responsável por toda a composição do disco – excepto o 3º tema, Rui Luís Pereira oferece-nos uma praia absolutamente mágica.
A referência ao Jazz é quase um acaso; de outra forma, ele é o ponto de partida para o todo da obra dos Ficções. É esse Jazz o veio de transmissão, é ele que encaminha este disco para a maravilhosa experiência de fusão que é. São deambulações pelo mundo que preenchem esta praia; um salto ao norte de África, uma afago forte às nossas raízes ibéricas, um beijo ao mundo oriental, às Américas; tudo com um bom gosto assustador. Tudo com arrojo, numa espécie de fuga para a frente, centrada numa vontade indomável de experimentar, de criar, apenas sonhar. Um banho no espírito da mestiçagem. Naturalmente, às belíssimas composições de Rui Luís Pereira, o quinteto responde com a competência que se lhe reconhece; coisas de músicos com história.
“Ocidental Praia” é algo a descobrir, sempre. De uma inspiração étnica simplesmente vibrante! Magnífico.

som Ouvir alguns sons dos Ficções

capa de Ocidental Praia
“Ocidental Praia” – Ficções (Edição de Autor, 2001)

01 Dança da Lua
02 Fado (aqueles olhos claros)
03 Cantiga nº181
04 Duetos
05 Ocidental Praia
06 Al Mutamid
07 Mil e uma noites – para Adalberto Alves
08 Mandrágora
09 Tambor Falante – dedicado a África
10 Zanzibar
11 Tal Pai, tal Filho (I)

tipo Fusão/Jazz
sítio ruipereiradudas.no.sapo.pt

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RECORDAÇÕES|"Foge de Ti" – Lulu Blind

Agosto 10th, 2007 | versão papel versão papel
O tempo é de recordar…
No rolar e rebolar habitual por entre o amontoado de bolachas espalhadas pela sala, acaba-se por esbarrar – com facilidade – em coisas que já não se ouviam há algum tempo. Está bom de ver, este “Foge de Ti” é um desses exemplos.
Formados no final da década de 80, só no início dos anos 90 os Lulu Blind começaram a soltar cá para fora parte da sua energia – com boa disposição. Após as edições de “Dread” e “Blast!”, “Foge de Ti” foi o terceiro e último álbum do grupo liderado por Tó Trips. Composto por 10 faixas – mais uma escondida, “Foge de Ti” foi uma aposta séria quer dos próprios Lulu Blind, quer da editora que os apadrinhou nesse risco – falamos da NorteSul. Como expressão do rock alternativo – duro – respirado pela banda lisboeta, a banda passou neste a expressar-se em português; ao contrário dos discos anteriores, compostos por temas em inglês. Infelizmente, a experiência não correu como previsto e o grupo não voltaria a editar. Formados na altura por Tó Trips (voz e guitaras), Samuel Palitos (bateria), Pedro Vargues (baixo) e Rickie (guitarras), os Lulu Blind foram na altura uma proposta interessante, forte, neste disco marcada pela voz característica de Tó Trips. O resto é rock, puro, daquele em que as guitarras ordenam…
A produção foi de Ronnie Champagne e para a história, fica o single “Atira-te ao Ar”.

capas de o Castelo de Chuchurumel
“Foge de Ti” – Lulu Blind (NorteSul, 2001)

01 Lua
02 Hoje
03 Eles
04 Feeling
05 Atirar-te ao ar
06 Sol
07 Susto
08 Vento
09 Heroina
10 Foge de Ti

tipo Rock/Alternativo

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RECORDAÇÕES|"No Castelo de Chuchurumel" – Chuchurumel

Julho 24th, 2007 | versão papel versão papel
Não deu para resistir. Antes de passar à “Posta Restante”, novo disco dos Chuchurumel – que aparecerá por aqui um dia destes, apeteceu-me voltar a este “No Castelo de Chuchurumel”. Não que seja um disco assim tão antigo que mereça já ser recordado, nem tão pouco – sequer – por ser um disco definitivo – que não o é; serve apenas para lembrar que antes da nova e bela posta, outras experiências houveram no castelo de César Prata e Julieta Silva. Para quem ainda não sabia e ficou deliciado com a “Posta Restante”, houve antes um “No Castelo dos Chuchurumel”, primeiro disco do duo. Uma proposta de exploração estilística que desembocou em 2007 na tal posta.
É um disco de experiências, sonoras, de caminhos, de afinar agulhas. Numa proposta centrada na recolha de temas tradicionais portugueses – distrito da Guarda, assim como na criação de alguns originais, cruzadas com populares cantilenas, este castelo deixava já antever o nascimento de um dos projectos mais interessantes da nova folk nacional. De uma folk que não adormece à sombra do passado, de uma folk que vive o passado com os olhos fixos no futuro – e o coração. Lá dentro, percussões, gaita-de-foles, concertina, piano, ocarina, pedras e paus, cruzam-se com programações na busca de uma nova sonoridade, uma nova energia.
Não está tudo afinado, é certo, mas lá que é uma grande ideia , lá isso é…quanto à “Posta Restante”, melhor ainda!

som Ver e ouvir alguns sons de Chuchurumel.

capas de o Castelo de Chuchurumel
“No Castelo de Chuchurumel” – Chuchurumel (Edição de Autor, 2005)

tipo Tradicional
sítio www.chuchurumel.com

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RECORDAÇÕES|"Vida (Sons do Quotidiano)" – José Cid

Junho 15th, 2007 | versão papel versão papel
Já em tempos iniciei um post sobre José Cid; iniciei…entretanto, a leitura da “A Arte Eléctrica de Ser Português” voltou a dar-me algum fôlego para escrever algo sobre essa figura camaleónica, inconstante, às vezes inconsequente, paradoxal mas absolutamente central no lançamento do rock feito em Portugal. Como muitos, só o soube algum tempo depois, as primeiras recordações do artista têm mais a ver com cabanas, Anitas, portuguesas bonitas, macacos e outros que tais. Adiante…
Ontem, recordei “Vida (Sons do Quotidiano)”, um EP conceptual lançado em 1977, uma espécie de ensaio para a obra-prima do rock progressivo que surgiria no ano seguinte:”10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte” (Orfeu, 1978). No seguimento, em termos estéticos, do extraordinário “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas – Obra-Ensaio de José Cid” (Decca, VC, 1974) do Quarteto 1111, surge “Vida” (Sons do Quotidiano), um tema de 12 minutos, dividido pelos dois lados do vinil, onde Cid, Scarpa, Carrapa & Nabo, nos oferecem uma pequena e fascinante obra sinfónica. O tema segue o rumo da vida; do nascimento – relatado por um médico enquanto faz o parto – até à morte, num audível desastre de automóvel. Está tudo lá, a magia prog dos teclados, o moog, o mellotron, a voz em estrondo de Cid, a bateria de Guilherme Scarpa Inês, a guitarra de José Carrapa e um grande trabalho de baixo de Zé Nabo. Uma excelente amostra para o que ainda estava para vir; José Cid no seu melhor.
O tema aparece também incluído, como bónus, na edição da norte-americana Art Sublime para “10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”.

capa de sit on my soul
“Vida (Sons do quotidiano)” – José Cid (Decca, 1977) | capa surripiada ao RockEm Portugal.

tipo Rock Progressivo
sítio www.josecid.com

ACTUALIZADO

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RECORDAÇÕES|"Sit On My Soul" – António Olaio & João Taborda

Maio 23rd, 2007 | versão papel versão papel
Já foi há algum tempo. Já.
Entretanto, fui de novo caçado por “Bambi is in Jail”. Bem caçado. O tema de abertura não parece tão marcante – dá nome ao álbum, mas “Bambi is in Jail”, caçou-me. “What Happened to Henri Matisse”, continua – e bem – este recambolesco puzzle musical.
António Olaio, o repórter mais estrábico de todos – noutros tempos, o artista plástico que também é músico. Letrista. Depois, João Taborda, o investigador científico de biologia celular e molecular que também é músico. Compositor. Assim nasceu a dupla António Olaio & João Taborda.
Segundo álbum de António Olaio & João Taborda, lançado depois de “Loud Cloud” (Lux Records, 1996), “Sit On My Soul” é mais uma daquelas pequenas pérolas mais ou menos esquecidas ou ignoradas. Nada de muito complexo; uma guitarra, uma voz e pouco mais – aqui e ali, também há piano, trompete, clarinete, sax, violino, etc. Mas porque a complexidade não é realmente tudo, é o gigantismo desta aparente simplicidade que faz com que “Sit On My Soul” seja efectivamente aquela pequena pérola esquecida ou ignorada. 2000 foi o ano. A alegria nunca é muita, é verdade; mas também não parece haver motivo para tal.
Outra hipótese; junte-se um contador de histórias, exímio performer, a um compositor, guitarrista em sintonia, capaz de com uma guitarra apenas, fazer com que tudo pareça possível. Quase tudo numa guitarra. Um quase tudo feito tudo pela presença forte de António Olaio. Não é possível ouvir este disco e não pensar nas muitas propostas do folk-rock nacional dos últimos anos. Não é possivel. Não é sempre, mas não parece possível. Nem são arranjos comuns; há diversidade, exploração, há procura de novas formas, há variação no tocar, no interpretar, no exprimir de emoções. É isto que apaixona em “Sit On My Soul”; saber que com as mesmas ferramentas, canção após canção, a obra sai sempre diferente. Incrivelmente cativante.
É um disco de canções. Com sentido – os arranjos. São histórias, aqui, como mais ou menos sentido – geralmente menos. Mesmo que Bambi esteja na prisão; mesmo que a agricultura seja telepática ou que tenhamos de barbear o nosso coração antes de amar, algum do non sense ou surrealismo das letras de “Sit On My Soul”, fazem deste disco um peça importante do início do nosso séc XXI.
Já foi há algum tempo. Já.

capa de sit on my soul
“Sit On My Soul” – António Olaio & João Taborda (Lux Records, NorteSul, 2000)

01 Sit on my soul
02 Bambi is in jail
03 What happened to Henri Matisse?
04 Foggy days in old Manhattan
05 Where are my glasses?
06 Today I discovered stereo sound
07 Sunset daisy
08 The guy who wrote the anonymous letters
09 Potato farm
10 Telepathic agriculture
11 My left hand is changing
12 I have seen the light
13 Sunset T.U.S.
14 Shave your heart before you love

tipo Pop-Rock/Alternativo

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RECORDAÇÕES|"Corações de Atum" – Doutor Lello Minsk & Maestro Shegundo Galarza

Maio 11th, 2007 | versão papel versão papel
Isto é coisa séria.
Sim, não parece, mas isto é realmente uma coisa séria. Ou talvez não. Na verdade, estes “Corações de Atum” serão sempre uma coisa séria no mundo de Lello Minsk; no mundo de Manuel João Vieira.
Numa misto de recordação e boa disposição, ontem foi noite de uma volta pelos “Corações de Atum” do Doutor Lello Minsk e do Maestro Shegundo Galarza. Foram momento de boa disposição. Muita. São sempre momentos de boa disposição, os momentos passados na companhia do grande Manuel João Vieira; músico, pintor, artista plástico e projecto de político. Seja com os Ena Pá 200, seja com os Irmãos Catita, seja quando embrenhado nestes “Corações de Atum”, com Manuel João Vieira a festa é garantida. A ironia e o humor são os mesmos, a diferença parece estar na seriedade com que o eterno candidato a presidente da populaça parece querer cantar. Chega a parecer verdade. As letras, essas…são história.
Com uma orquestração séria do saudoso maestro Shegundo Galarza (falecido em 2003), pai de Ramon Galarza, “Corações de Atum” é como uma noite em 12 momentos num misto de jazz ligeiro, baladas e outras melodias de cariz mais ou menos romântico. São músicas da noite, com mais ou menos glamour; outras vezes de cabarets fumarentos, bafientos, de casinos de meia tigela. São músicas sérias, animadas por um piano e uma percussão latino-americana. Qual crooner de respeito, Manuel João Viera impõe-se como um cançonetista em todo seu esplendor. Bem…
Recordam-se tempos clássicos; é só nostalgia. E rir, também.

som Ouvir o tema “Urinol” ao vivo.

capa de Corações de Atum
“Corações de Atum” – Doutor Lello Minsk & Maestro Shegundo Galarza (NorteSul, 1999)

01 Triste e Crú
02 Corações de Atum
03 Whiskey Fácil
04 Pensando em Ti
05 Se Sou Assim
06 Velho Truque
07 Perfídia
08 Deixa lá Falar
09 Vingança
10 O Atendedor
11 Aninhas
12 O Meu Coração Ainda é Teu

tipo Ligeiro
sítio www.vieira2006.com

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RECORDAÇÕES|"100 Anos de Maio" – Vários Artistas

Maio 1st, 2007 | versão papel versão papel
“A Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), no seu primeiro congresso realizado em 1886 em Genebra, fixou as ‘8 horas como limite ao dia de trabalho’”. Sem esquecer algumas tentativas anteriores, radica-se aqui a origem da luta organizada do proletariado mundial pela redução da jornada de trabalho que era então de 14, 12 e 10 horas na indústria e no comércio, e de sol a sol na agricultura.” (lê-se na contracapa do 2LP)

É o dia certo…
…o dia certo para recordar uma das mais interessantes compilações que algum dia pude ouvir. Chama-se “100 Anos de Maio”, é um duplo vinil editado 1986 pela CGTP-Intersindical e pretendia, no ano em que foi editada, comemorar o centenário do 1º de Maio – está bom de ver.
São tantos e tantos, os nomes. São tantas e tantas, as canções; sempre o mesmo desejo, o mesmo sonho: a liberdade, a democracia, os direitos do trabalhador. Realidade. Vontade. Respeito.
São muitos os motivos de interesse, alguns, até inéditos na altura, como eram os temas de Vitorino, Maria Guinot, Sérgio Godinho, António Vitorino de Almeida, Manuel Freire, Carlos Alberto Moniz, José Jorge Letria, Pedro Barroso, José Barata Moura e Samuel.
Sobre o disco e perante a árdua tarefa de escolher apenas um tema em cada face, começo pelo grande e franco “O Velho Danado” de Fernando Tordo – bem actual; depois, o gigante “As Portas Que Abril Abriu”, numa enorme declamação do não menos enorme Ary dos Santos; “Remendos e Côdeas” de José Mário Branco marca a face C – também com G.A.C., Sérgio Godinho, Júlio Pereira e Carlos Mendes; por fim, como não podia deixar de ser, na face D, a apropriada “Manifestação” de Samuel.
Grande documento!

capa de 100 Anos de Maio
“100 Anos de Maio” – Vários Artistas (CGTP-Intersindcal, 1986) – capa truncada

Face A
01 Tejo Que Levas as Águas – Adriano Correia de Oliveira
02 Maio – Vitorino
03 Homenagem às Mães da Praça de Maio – Maria Guinot
04 Festa da Primavera – Carlos Paredes
05 O Velho Danado – Fernando Tordo
06 Hoje – Paulo de Carvalho

Face B
01 O Madrugar de Um Sonho
02 As Portas Que Abril Abriu – Ary dos Santos
03 Só Ouve o Brado da Terra – José Afonso
04 Alvorada em Abril – Janita Salomé

Face C
01 Ir e Vir – G.A.C.
02 Remendos e Côdeas – José Mário Branco
03 Improviso – António Vitorino de Almeida
04 Elogio do Artesão – Sérgio Godinho
05 Nortada – Júlio Pereira
06 Chão do Vento – Carlos Mendes
07 Cais das Tormentas – Manuel Freire

Face D
01 Liberdade – Carlos Alberto Moniz
02 Fábula de Maio – José Jorge Letria
03 Oração – Trovante
04 Fado da Má Vida – Pedro Barroso
05 Operários Somos – José Barata Moura
06 Manifestação – Samuel

tipo Tradicional/Popular

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RECORDAÇÕES|"Diálogos de Bateria" – Tim Tim por Tum Tum

Abril 19th, 2007 | versão papel versão papel
Novas linguagens…reza a lenda, terão nascido em 1996 após um workshop com Max Roach na Gulbenkian. Tim Tim por Tum Tum; assim foram baptizados.
1997. “Diálogos de Bateria” é um disco sui generis; primeiro porque nasce de uma forte interação entre quatro grandes bateristas da nossa praça (José Salgueiro, Alexandre Frazão, Marco Franco e Acácio “Salero” Cardoso aquando da gravação), e em segundo, porque o resultado é qualquer coisa de delicioso. Melodicamente algo limitado, é verdade, “Diálogos de Bateria” não vive apenas da percussão e da bateria, este vive ainda e bem, de pequeníssimos pormenores de sopros, concertinas e afins. Na prática, lá, tudo serve para fazer brotar o som. É uma experiência diferente.
Disco gravado em ensemble no Centro Cultural da Malaposta – Odivelas – a arte dos Tim Tim por Tum Tum é uma aventura na qual podemos entrar de olhos fechados – de consciência. Contando ainda com a participação do baterista norte-amaericano Jim Black, estes são meia dúzia de diálogos arrojados, diálogos também experimentais, exploratórios de um imenso ermo por desbravar. Novos ritmos, novas emoções por compreender…
“Diálogos de Bateria” é essencialmente isso, um imenso manto de experiências nascidas da imaginação, pura e simples, do improviso, do animado jogo dos silêncios e dos sons. Imagine-se uma nova linguagem. Imagine-se isto tudo, Tim Tim por Tum Tum.
No fim, imagine-se quatro baterias em cima de um palco; agora ouça-se!

capa de Diálogos de Bateria
“Diálogos de Bateria” – Tim Tim por Tum Tum (Farol, 1997)

01 Jim Tónico
02 Aqui há latas
03 Pop larucho
04 Jim solo
05 Max Roach
06 Sax e vassouras

tipo Experimental

ACTUALIZADO

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RECORDAÇÕES|"Chão Nosso" – Trovante

Março 15th, 2007 | versão papel versão papel
Resiste
Semeia
pés-raízes na terra
mãos de foice e frutos
Conquista
Avança
flecha de fogo
a madrugar horizonte
” (“Muralha de Ombros”)

Não será porventura o melhor disco do Trovante, é certo – “Baile no Bosque” (1981) é grande, parece maior, no entanto, não deixa de ser também esta uma peça importante, quanto mais não seja por ser o primeiro álbum do histórico grupo.
Fundado em 1976, neste disco formado por João Nuno Represas – percussão, flautas e voz, Luís Represas – viola, bandolim, percussão e voz, Manuel Faria – piano, sintetizador e voz – e João Gil – viola, bandolim, percussão e voz, o Trovante tem em “Chão Nosso” (1977) um documento bem característico do tempo que o fez nascer. É um documento fortemente marcado pelo seu carácter de intervenção política – quase óbvio naqueles tempos. Por outro lado, é através da música tradicional portuguesa que o Trovante procurou dar cor aos poemas que Francisco Viana um dia criou – e tão bem. Do cante alentejano de “Chão Nosso” à bela homenagem a José Dias Coelho com o tema “À Flor da Vida”, há toda uma componente política a gritar por entre o ressoar tão tradicional deste jovem Trovante.
O Pontapé de saída; sincero, inocente e socialmente implicado, eis mais um disco nascido do mergulho voluntário no combate político do pós-25 de Abril de 74; grito de revolta de um país há tanto amarrado, amordaçado. Escuro.
São recordações! Que é preciso não esquecer.

capa de Chão Nosso
“Chão Nosso” – Grupo Trovante (LP, Sassetti, 1977; Reed. 2002)

01 Alto e bom som
02 Chão nosso
03 Hoje
04 Igual ao mesmo
05 Engrenagem
06 Mais e mais, agora
07 À Flor da vida (à memoria de José Dias Coelho assassinado pela PIDE)
08 Amanhecendo
-Razão e sede
-Amanhecendo
09. Muralha de ombros

tipo Tradicional
sítio Biografia do Trovante no Anos 80

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RECORDAÇÕES|"Kings of our Size" – Pinhead Society

Março 7th, 2007 | versão papel versão papel
A magia do espírito indígena está de regresso à trompa…lá do fim da década de 90.
Para reavivar esse espírito, inclinei-me para “Kings of our Size”, uma pequena doçura desse Portugal perdido pelo fim do milénio; disco perdido algures entre as edições do ano de 1998 – perdido não, certamente. Corre-se “Kings of our Size” de uma ponta à outra e o sentimento de surpresa, com tamanha sinceridade, tamanha ingenuidade provocada por uma juventude cheia de vontade e sangue na guelra, é indesfarçável: bons momentos com Pinhead Society.
De existência meteórica como tantos outros projectos da moderna música portuguesa, os Pinhead Society foram – infelizmente – pouco mais do que um ar que se lhes deu; cheio, intenso, promissor, do nascimento à edição, daí à extinção, quase sem se dar por ela…
Apenas com este álbum editado (mais uma cassete pela Bee Keeper e o CD-S da caixa “Tripop”, repartida com os Azul em Chamas e os Monsterpiece – pelo menos), os Pinhead Society conseguiram criar o burburinho suficiente capaz de lhes conferir por momentos a auréola de salvadores da via indígena do rock alternativo luso. Tinham razão; mas também se enganaram, a pressão pareceu demasiada. Ainda assim, Mariana Ricardo (vocalista, guitarra, hoje nos München), Joana de Sá (baixo), Nuno Pessoa (bateria) e André Ferreira (guitarra), ofereceram-nos este fresco e marcante “Kings of our Size”, um disco capaz de dar ao rock alternativo uma cor pop, arrastando consigo um conjunto de melodias simpaticamente apaixonantes, serenamente acamadas na espirituosidade das guitarras – sempre as guitarras, de riff em riff.
Confesso; chega a ser comovente, como a jovem banda lisboeta consegue com uma subtileza de enaltecer, fazer as canções esvoaçar, livres, com simplicidade, agilidade, com modernidade. Quase sem se expandirem para territórios mais agitados, preferindo quase sempre cenários mais suaves, os Pinhead Society marcaram uma época – ainda próxima – com o seu rock melódico, melancólico e sedutor, denotando desde logo, este disco, uma coesão estrutural apreciável – uma referência especial para a belíssima orquestralidade de “A Cockle in the Shell”; sem esquecer também “Long Distance Callers”. Eléctrico.
Criativa ingenuidade a desta juventude…Pinhead Society. Estiveram quase, fica a recordação.

capa de Kings of our Size
“Kings of our Size” – Pinhead Society (Música Alternativa, 1998)

01 We Wanted To Play…
02 Story Game
03 Heaven Must Be Boring Because You Can’t Discuss Literature
04 Long Distance Callers
05 We Fell Top
06 Every Other Day
07 Hi Mrs. Sparks
08 A Cockle In The Shell
09 The Booze
10 Car Crash Experience (a fiction)
11 …But We Can’t Come Up With More …

tipo Rock
sítio Pinhead Society no Paredes de Coura

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RECORDAÇÕES|"Somos o Mar" – Beatnicks

Fevereiro 22nd, 2007 | versão papel versão papel
A trompa em novo regresso ao passado. Num daqueles regressos que, ainda que efémeros, nos oferecem uma particular sensação de prazer. Mais rock, pré-boom.
Não foi uma existência pacífica, a dos Beatnicks. Com uma história de sobrevoa as décadas de 60, 70 e 80, a banda seguiu durante esses anos uma diversidade de abordagens estéticas – em inglês, em português ou apenas empurrados pela conjunctura. Em resumo, hoje, apeteceu-me regressar ao rock progressivo nacional.
Com uma existência que começa em 1965 e só termina no início da década de 80 e da qual Lena D’Água também fez parte, os Beatnicks teriam quase só por isso o seu merecido lugar na história da música moderna portuguesa – agitada existência.
O motivo da conversa de hoje chama-se “Somos o Mar”, single lançado em 1978 pela Alvorada/Rádio Triunfo; uma pequena e boa recordação. Formados na altura – porque foram várias as formações dos Beatnicks – por Luís Araújo na bateria, Ramiro Martins no baixo e nas cordas, António Emiliano nos teclados, Jorge Casanova nas guitarras e Tó Leal na voz e percussão, os Beatnicks haveriam de dar à luz na sua fase mais luminosa esta pequena maravilha de feições ecológicas, chamada “Somos o Mar”. É um single, tem apenas dois temas e no lado B, aparece “Jardim Terra”, outra cativante deambulação pelos terrenos mais prog.
Mais história…infelizmente foi sol de pouca dura pois com o tal do boom, a banda sofreria nova inflexão estética, perdendo de vez o rumo e o sentido. Mais história.

P.S. – Para os interessados e como curiosidade final, o disquito está em leilão no ebay por um valor referência de $64,99; coisa pouca.

som Na Rádio.Memória está o tema “Somos o Mar” para a recordar.

capa de Mestre
“Somos o Mar”/”Jardim Terra” – Beatnicks (Alvorada, Rádio Triunfo, 1978)

01 Somos os Mar
02 Jardim Terra

tipo Rock Progressivo
sítio “Recordando…Beatnicks” por Aristides Duarte

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RECORDAÇÕES|"White Traffic" – Go Graal Blues Band

Fevereiro 9th, 2007 | versão papel versão papel

O blues-rock é hoje uma realidade bem viva no panorama da música moderna portuguesa. Seja porque existe um The Legendary Tigerman, seja porque existem uns Nobody’s Bizness ou uns Born a Lion – entre outros, a verdade é que este é um género cada vez mais amarrado ao firmamento das novas sonoridades lusas – nascidas ultimamente, diria. Foi no seguimento desta ideia, que me dispus a recordar um dos expoentes máximos do género em Portugal; não de hoje, de há 25 anos atrás, mais coisa menos coisa, entenda-se. Peguei em “White Traffic” da Go Graal Blues Band.
Corria o ano de 1975 quando Paulo Gonzo, João Allain e alguns amigos, formaram a Go Graal Blues Band, fenómeno importante do movimento roqueiro nacional do fim da década de 70, início da década de 80; pouco comum na altura, a cantar em inglês e com algum sucesso.
Com um line-up algo instável, a aventura discográfica da Go Graal Blus Band começa em 1979 com o homónimo “Go Graal Blues Band”, registo lançado pela Imavox. Em 1982, com Paulo Gonzo na voz, João Allain na guitarra, Fernando Delaere no baixo e Hippo Birdie na bateria, o grupo lança este “White Traffic”, clara materialização de uma evolução técnica e de uma experiência adquirida com os inúmeros concertos dados por esse país fora. O resultado é apenas um, um blues-rock bem eléctrico, competente e capaz de nos fazer vibrar ainda hoje.
É blues e é uma grande recordação.

som Na Rádio.Memória está o tema “Hot River”.

capa de Caminhando
“White Traffic” – Go Graal Blues Band (LP, Vadeca, 1982)

01 Lonely
02 Running For Long
03 White Traffic
04 Lover Eyes
05 Emmily
06 Ghetto Drunk
07 N’ Roll
08 Hot River

tipo Blues/Rock
sítio Biografia da Go Graal Blues Band no rockemportugal.blogspot.com e no Anos 80

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