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Com o excelente “Psicotic Jazz Hall” (TMG, 2011) há já algum tempo nos escaparates, Kubik é o convidado de hoje da rubrica “No Verão com…”.

Porquê e como nasceu o nome Kubik?
Andava à procura de um nome original, que soasse bem e fosse curto para memorizar. A vaga referência ao realizador Kubrick também ajudou. Há quem me pergunte se tem a ver com o cubo mágico Rubik, mas não, nem pensei nele. Criei o nome em 1998, e só anos mais tarde, em pesquisas pelo Google, me dei conta que Kubik não era assim um nome tão original: há vários músicos de jazz com o apelido de Kubik, há uma banda de metal da Malásia com este nome e parece até que Kubik é um apelido vulgar nos países do leste europeu…

O que move Kubik?
Uma grande vontade e extravasar fronteiras de estilo e de linguagens. Na música de Kubik cabe tudo: rock sónico com coros renascentistas, ritmos drum ‘n’ bass com baixos jazzísticos, instrumentos árabes com guitarras de heavy-metal, pop easy-listening com experimentalismos vocais, orquestras clássicas com ruídos industriais, bizarrias sonoras com melodias de brinquedo, etc. Brian Eno postulou, no início dos anos 80, o conceito de “reciclagem” musical como motor de criatividade, e é esse motor em que eu continuo a acreditar.

Um adjectivo que caracterize o projecto Kubik?
Em 13 anos de actividade, Kubik já recebeu os mais diversos adjectivos, mas se tenho de escolher um, escolho “Criativo”.

Numa frase apenas, como caracteriza o novo disco?
Um disco que parte da matriz do jazz para o transfigurar em algo de novo, com base numa lógica estética de fusão com a electrónica, o rock e o sampling.

Se tivesse de escolher a faixa que melhor encarna o ‘espírito’ de Kubik, qual escolheria? E porquê?
Do novo álbum “Psicotic Jazz Hall” escolho o tema “Shina-Kak”, porque é o que sintetiza, em menos de 4 minutos, todo o universo estético e sonoro de Kubik (há um vídeo no YouTube com este tema).

Aponte duas razões para ouvir – quiçá comprar – o novo disco?
Primeira razão: é um disco que desafia constantemente o ouvinte, com múltiplas coordenadas musicais. Segunda razão: é um disco que pode agradar a quem goste de música electrónica, jazz, experimental, world-music, breakbeat ou sampling.

Quer propor um disco da música portuguesa que lhe tenha agradado nos últimos tempos – o seu não vale?
Há boa música portuguesa a ser feita em Portugal. Da mais recente fornada, destacaria o álbum de estreia dos You Can’t Win, Charlie Brown e estou ansioso para ouvir o disco de estreia dos PAUS.

Para Kubik a Internet é…
Um inesgotável mundo no qual podemos descobrir infinidade de boas experiências, conhecimentos e partilhas.

Há quem insista que o rock morreu. Morreu ou não?
Também há quem diga que o jazz morreu desde que Miles Davis deixou de respirar o mesmo oxigénio que o nosso. O rock, tal como o jazz, metamorfoseou-se em diversas manifestações estéticas, fusões e ramificações estilísticas. Acredito que o rock é uma linguagem que se tem reinventado ao longo dos anos. E ainda bem…

Como vai ser o resto do Verão para Kubik?
Vou participar no festival de Performance e Artes da Terra “Escrita na Paisagem” que decorre no Verão em terras alentejanas. Trata-se de uma mini-digressão em quatro localidades – de 3 a 6 de Agosto – com um projecto denominado “Movie Poster”: música ao vivo para 200 posters de cinema clássicos e 7 géneros diferentes (terror, comédia, western, ficção científica, guerra, cinema negro e mudo). Depois em Setembro, vou preparar uma banda sonora para uma peça de teatro a estrear em Novembro. Para além disso, Kubik vai também descansar com a família algures numa bela praia algarvia!

Ouvir Kubik

foto de kubik

| ELECTRÓNICA |
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