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Paulo Ribeiro em directo sobre “No Silêncio das Casas”

Por em 26 Out 2012

Paulo Ribeiro tem novo disco…

O novo álbum chama-se “No Silêncio das Casas” e contou com a colaboração de Mário Delgado (guitarras), Valter Rolo (piano), José Canha (contrabaixo), Celina da Piedade (acordeão), Sara Côrte-Real (coros) e Jorge Moniz (bateria e percussões). A estes, há ainda que juntar as participações especiais de Viviane, em“O teu nome”, e de Zeca Medeiros, em “Noite Luarenta”.

O motivo era forte e a trompa quis saber um pouco mais sobre o novo disco do músico alentejano:

Porquê o título de “No Silêncio das Casas” para este novo disco?

Esse título, “No silêncio das casas”, foi retirado da letra de uma canção que compus mas que curiosamente não entrou neste disco. Pareceu-me no entanto uma expressão ou um nome adequado, porque de algum modo ilustra um certo ambiente do disco; aliás aparecem muitas palavras que se ligam ao imaginário das casas, como: “perdi o teu endereço”, “na salinha de jantar”, “no vão das escadas dos prédios vazios” etc. Este é portanto um disco de interiores, canções que refletem sobre lugares que habitaste nomeadamente na tua infância, ou se calhar melhor dizendo, acerca do lugar ou casa que ainda procuras para te acolher ou para te encontrares.

Quem é verdadeiramente o músico e compositor Paulo Ribeiro? É o deste disco ou é o músico poeta de Eroscópio; o defensor do cante alentejano; o popular pop dos Baile Popular; ou o cantor alentejano dos novos Mosto? Ou é tudo isto?

Esta pergunta é muito interessante, porque reflete de alguma forma alguns traços da minha personalidade em termos artísticos, isto é, eu sou talvez um pouco de tudo isso que a pergunta suscita. Se calhar o caminho, o meu pelo menos, consiste ainda e sempre nessa procura incessante da descoberta; uma espécie de inquietação que me faz continuar a procurar artisticamente coisas diferentes daquelas que já fiz, é esse o meu caminho. Embora no fim de tudo as searas se vislumbrem sempre, nem que seja de forma longínqua no horizonte das minhas canções.

Passaram-se já 10 anos sobre “Aqui tão perto do sol”, o álbum de estreia a solo. Porquê tanto tempo para podermos ouvir um novo álbum de Paulo Ribeiro?

Neste período estive sempre ativo com vários projetos, entre eles os Eroscópio,  Mosto, ou mais recentemente os Baile Popular, ou a produção Aldeia Nova, de homenagem ao escritor Manuel da Fonseca. Isto para não falar da minha relação com o teatro e das várias bandas sonoras que fui compondo ao longo dos anos, nomeadamente em colaboração com a Companhia Lêndias d`Encantar. Para mim, só faz sentido editar um disco quando tenho coisas realmente novas e diferentes para comunicar, quando de alguma forma tenho um conceito, mas de certeza que o próximo álbum que já está a ser pensado não levará tanto tempo a ser editado.

O Alentejo é e quase de certeza que será sempre uma referência para ti. Em todo caso, o novo disco parece um pouco mais universal e ‘menos alentejano’ que o que anterior. Concordas? Porquê? Comparando ainda com o disco anterior e em termos gerais, achas que este é um disco de ruptura ou é um disco marcado por alguma continuidade em relação ao anterior? Que outras diferenças encontras?

Sim, o “Aqui tão perto do sol”, aproximava-se mais da natureza, do sol, da lua, do campo, das flores…por isso eu costumo dizer que era um disco de exteriores, embora essa abordagem se fundisse com um universo pop que já nessa altura refletia diversas influências minhas. Este meu recente “No silêncio das casas”, é muito diferente do anterior, admito uma certa rutura em vários aspetos; sendo um disco mais intimista e outonal se quiseres, está mais próximo da poesia, mais profundamente ligado ás pessoas do ponto de vista das emoções que procuro transmitir. Por outro lado, pela primeira vez, em conjunto com alguns dos músicos, assumi a produção deste trabalho.

Este novo disco está cheio de convidados de peso – Viviane, Zeca Medeiros, Celina da Piedade, Mário Delgado, Jorge Moniz, entre muitos outros. Como foram surgindo estas participações e que peso têm no resultado final?

Este também é um trabalho de cumplicidades, aliás foi sempre essa a minha forma de estar na música, para além da Viviane e do Zeca Medeiros, é justo referir a colaboração da Celina da Piedade no acordeão, da Sara-Corte Real nos coros, para além do guitarrista Mário Delgado, meu cúmplice de trabalhos anteriores. Todos eles deixaram a sua marca, o seu talento e isso é inegavelmente um contributo muito importante para o resultado final deste disco. Digamos que também eles, a par dos músicos que gravaram e produziram comigo este trabalho, me ajudaram a captar o “Silêncio das casas”.

O álbum teve a sua apresentação oficial no dia 22 de Setembro, no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja. Com um concerto cheio de convidados e a jogar em casa, presumo que tenha sido um momento especial. Como correu?

Já apresentei este disco em Lisboa, Barreiro, Grândola e Beja, onde tive a oportunidade de contar com a presença de convidados muito especiais como a Viviane e o Zeca Medeiros que entraram no disco, e ainda com a participação do Fernando Pardal, que se tem cruzado comigo em muitos trabalhos que faço e vice-versa; foi realmente um concerto muito especial onde tive a oportunidade de partilhar com o público da minha cidade estas novas canções. As pessoas reagiram muito bem, foi muito acolhedor e gratificante! Segue-se a 24 de Novembro nova apresentação no Cine Teatro Municipal de Castro Verde.

Por fim, como vai ser o futuro próximo do Paulo Ribeiro? Há novidades que possas desvendar?

Vai haver novidades e algumas surpresas em relação ao meu próximo disco, mas ainda é cedo para desvendar.

* Referentes a alguns dos concertos de apresentação do novo disco, as foto foram gentilmente cedidas por Paulo Ribeiro.

capa de no silêncio das casas

Paulo Ribeiro – “No Silêncio das Casas” (Heaven Sound, 2012) | POPULAR | Ouvir Paulo Ribeiro
www.pauloribeiromusica.pt
www.facebook.com/pages/Paulo-Ribeiro/168405709847164

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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