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“Está Dito”, dizem os Marafona num faixa a faixa

Por em 23 Fev 2016

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Depois do EP de 2014, “Ti Miséria”, aí está o álbum de estreia do quinteto Marafona. “Está Dito”, dizem eles; e muito bem, num faixa a faixa. A edição do disco está marcada para 4 de Março.

01 JÁ SEI
Música e letra – Daniel Sousa

O Daniel Sousa quis um dia compor um fado, contudo há nele uma alma de cabaré.
O Já Sei são duas pessoas que se querem, que dialogam numa ânsia de partilha e desabafo tão grande, que se intromete no quanto desejam estar uma com a outra. Com alguma ironia à mistura, é um elogio à mais antiga e bela virtude, a de saber ouvir. E disse: Já sei.

02 JUSTIÇA DO DIABO
Música – Artur Serra
Letra – Adaptação de Artur Serra

Da Chula ao Baião. A MARAFONA não perde a sua veia arqueológica e gosta de recuperar histórias antigas, assim esta canção nasceu da adaptação de um velho texto do romanceiro de Trás-os-Montes, Bragança, o Preso Vai o Conde, Preso.
Não nos deixa de surpreender com tristeza a actualidade de relatos tão antigos se os contextualizarmos com a modernidade, sobre os abusos fisicos que sofrem algumas mulheres.
Há histórias que devem ser recontadas e ditas com firmeza até que algo mude.

03 CHULA DA ALVORADA
Música e letra – Artur Serra + Quadra Tradicionais

Esta Chula é o bombo que faz tremer o chão. Este chão é o ventre desta força que bate no bombo, que rompe canseiras, que bate mentiras, que rompe grilhões, que os põe Oh tio, oh tio se continuam a dar o dito por não dito. Esta é a nossa Chula o nosso grito de libertação: ESTÁ DITO!

04 A IMPROVÁVEL TOPONÍMIA DA MARCHA POPULAR
Música e letra – Artur Serra

Marcha gravada no EP Tia Miséria é desse disco a única canção que visita este álbum.
Fala-nos de como a boneca de Monsanto, chegada a Lisboa, vê aos seus olhos as Marchas Populares que por vezes lhe parecem uma mistura de entrudo e fatiotas reluzentes no Maracanã.
Para abrilhantar a marcha a MARAFONA convidou duas Lisboetas das rijas, a Mitó e a Ana Bacalhau. Podemos dizer que estiveram como sardinha para o sal.

05 MAQUINETA
Música e letra – Artur Serra

A Mazurca, um género de dança que também surge representado no Portugal do passado .
É uma história sobre o amor e conta a história de um homem que vive na segurança de uma vida premeditada, explorando um vazio mecânico e arranjadinho, sem sobressaltos, sem esperança de merecer algo mais que a sua rotineira vida porreira. Um dia o amor muda tudo.
Chega o amor e está dito.

06 VIRA DO AVESSO
Música e letra – Artur Serra

Partiu do Vira. Entre as ruelas da cidade há um mundo de gente como ela. Caminham acima, caminham abaixo, entre eufemismos, entre chavões ocos, entre musiquinhas transgénicas sem casca ou caroço. Mas a MARAFONA diz-nos como desmascarar esses arautos das lérias e boas venturas que nos saem tão caras. Há que virá-los do avesso e ler entre os superlativos.

marafona

07 ZANGUIZARRA
Música e letra – Artur Serra + excerto de música tradicional “Era o Vinho”

Do fado dos textos do Beirão Aquilino de Ribeiro saltou a personagem do Rilhafoles. Este último, como a MARAFONA, também havia migrado para a cidade e por lá andava na má vida e na poesia.
Rilhafoles vivia do seu inventar e da esperteza. Era impermeável ao dedo apontado e ao cobarde desdizer. Vivia o seu Fado como lhe apetecia, fosse até quase “skazado”. Dissessem lá o que dissessem dele, assim era.

08 CORRIDINHO DAS COMADRES
Música– Zé Oliveira
Letra – Artur Serra

É um corridinho bem português, com os mandadores contando a história do jovem que reage ao bulling das velhas comadres cheias de basófias no seu juízo de saberem tudo da vida.
Diz-lhes ele: Oh comadres pró maneta!
Bem haja ao nosso querido Zé Olveira pela música para a qual o Artur Serra escreveu uma letra.

09 CHOVESSE DO TINTO
Música e letra – Pedro da Silva Martins

Fizemos dela uma Chula. É uma canção de um Bicho-de-sete-cabeças (Pedro da Silva Martins) que nunca havia visto a luz. Saiu da toca e disse: se não chover do tinto ao menos pingue do branco.

10 TRAZ PAZ
Música e letra – Artur Serra e Quadras Tradicionais
Letra – Introdução: auto da feira sec.XVI de Gil Vicente;
Quadras: Popular recolhido por Leite de Vasconcellos.
Intrumental – Variação por Daniel Sousa da Alvorada do tio Zé Maria (Urrós, Miranda do Douro)

A canção nasce como um Bem Haja aos Gaiteiros de Lisboa, por mostrarem à MARAFONA e a tantos outros músicos que haviam mais caminhos por descobrir na nossa tradição.
É uma sementeira de quadras tradicionais burlescas e dito isto é de notar que se juntou a esta jorna o nosso querido Luís Peixoto, com a sua Sanfona.

11 AMAR DENTRO DO PEITO UMA DONZELA
Música – Artur Serra
Poema – Bocage

Do Sado e da maresia de Setúbal canta-se a profana poesia de Bocage num quase fado. A MARAFONA não cora com a insensatez do poeta porque é justo quem diz o quem tem a dizer.
Nesta canção junta-se o balanço ritmico quente que o mexicano Ian Carlo Mendoza transpôs para este quase “fado”.

12 CATARINA
Música e letra – Artur Serra

Esta canção de embalar nasceu de um pedido à ilustradora Catarina Sobral, para a apressar com carinho no trabalho tão esperado para o EP Tia Miséria.
Depois a canção ganhou vida própria e então esta nova Catarina transformou-se na agonia do artista que olhando para o especlho chama por si, pelo seu idem criativo.

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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