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O homónimo “O Clube”, faixa a faixa, por Wado

Por em 18 Jun 2014

Parte do mais recente e extraordinário pack de edições da NOS Discos, O Clube dá-nos hoje por aqui uma ideia das linhas com que se coseu nesta recente edição da NOS Discos. O clube é formado por Cícero, Momo, Diego Armés, Alexandre Bernardo, Bernardo Barata, Fred Ferreira e Wado; as palavras são deste último, músico brasileiro radicado em Maceió (Alagoas, Brasil).

Haja Sol
Apesar de termos essa proximidade do idioma, nessa linda canção do Armés sinto uma abordagem estrangeira dentro da nossa própria lingua; sinto questões existenciais e desfechos muito diferentes da abordagem que temos deste lado de cá do oceano, nessa canção acho o máximo ir introjetando esse raciocínio de Lisboa e percebendo estas nuances. Cantar nela acho uma sorte e grande experiencia lusófona. Salve Diego. As guitarras são muito inteligentes e a marcha quase que marcial a colocam entre rock e um folk atlântico.

Ela e a lata
Essa é o Cícero maduro, malandro, groovando com Fred, Bernardo e Alexandre,  é poesia de silabas moles, de imagens urbanas terceiro mundistas, de ver beleza nas agruras, ele canta pra fora, com mais força na geografia da melodia dela.

Rosa
Parceria com Cícero e com lindos backing vocals gravados por Vitor Peixoto aqui em Alagoas, a canção fala de perda e cicatrização. O surf music de Fred na batera e o balanço português deram lindo colorido, recomendo também uma audição da versâo gravada pelos portugueses do O Martim, com estética próxima a do HotChip.

Pescador
A banda O Clube joga pra cima uma já linda canção deste meu grande amigo. Momo canta muito e a execução ficou exata, adoro o momento em que a banda cresce, parece que estamos prontos pra bailar.

Cidade Grande é uma canção feita para o Rio de Janeiro há mais de dez anos, quando morava lá, o Cristo de braços abertos mas que não necessariamente nos abraçava, bela versão, o que mais gosto nesse disco é a mistura de sotaques, adoro a voz do Bernardo Barata no disco. Vazio e pontual, apenas o necessário é o que está posto.

Tempo de Pipa, provavelmente o maior hit do disco, é o Cícero da zona oeste do Rio de Janeiro de férias em Lisboa. É a periferia de lugares remotos, podia ser Buraka ou Rocinha de pés descalços.  Faz por merecer a primeira gravação que já era irretocável.

Corda para o Nó
Bela canção do Diego que permite a ele mostrar as regiôes mais graves de seu timbre vocal, nas canções de Diego é que sinto os arranjos do Clube mais claros no sentido ser “som de banda”.

Flores do Bem
É a obra-prima-arrasa-quarteirão do Momo, que letra! que lindas vozes portuguesas juntas a dele! Essa canção é uma caravela voltando pra Portugal :)

Canção Sentimental
O mundo segundo uma ótica nova, nova do velho mundo, sinto sempre o abismo entre esses mundo, isso é um grande barato esse estrangeirismo dentro do mesmo châo-idioma.

Nuvem Negra
É uma voz mais universal do Momito, arranjo soturno e misterioso do Clube.

Duas Quadras
Essa podia ser uma música do Cartola. Samba de caixa de fósforos de velhos bambas.

Com a Ponta dos Dedos
Essa foi eleita a melhor música do ano no Brasil em 2012 e agora tem como novidade a voz rouca de Armés, fico muito feliz com a peça como um todo.

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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