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OLHARES|"Visions of Solitary Branches" – The Partisan Seed

Por em 31 Jan 2007

Mais do que uma visão, muito mais…uma ideia de certeza.
Chama-se “Visions of Solitary Branches” e é o álbum de estreia de The Partisan Seed. Bela estreia. Quem ouve esta semente a brotar, a espaços, lentamente, não consegue deixar de recuar no tempo e recordar um nome: Kafka. Claro que sim, The Partisan Seed é Filipe Miranda e Filipe Miranda é The Partisan Seed; a voz dos extintos Kafka, hoje, também parte dos Interm.Ission.
Era uma visão esperada há quase um ano, após a sentida audição da promo “did a gun give you a name?”…uma visão à qual a realidade das coisas deu corpo, tornando-a palpável, tornando-a acima de tudo sensível. Claro que é um disco sensível. “Visions of Solitary Branches” é um disco pessoal, qual quadro realista, qual fita corrida por onde vão discorrendo episódios da vida, de uma forma simples, aberta, marcada pela introspecção. Pela intimidade, pela crueza, pela liberdade. Sem segredos…
São as palavras, diz o poeta – um qualquer, são as palavras que também aqui despem a alma do artista, que desvendam os seus mistérios, pensamentos, os seus momentos. A bucolia. A melancolia resultante do pendor marcadamente acústico do disco faz o resto; faz das palavras e sons apensos belas canções, apenas. É isso, 14 belas canções, simples e aconchegantes, como a incrível chuvada que cai em “lee, 1997”. Paixões. A ideia de simplicidade que percorre o disco, a razão melodiosa que o faz vibrar, pontuada aqui e ali por pequenos pormenores instrumentais de extraordinário bom gosto, tornam “Visions of Solitary Branches” numa espécie de hino à sinceridade, à verdade, a um estado de alma capaz de se abrir ao mundo e expiar connosco os seus medos, as suas paixões, a sua tristeza, tudo.
Como corre veloz o sangue por The Partisan Seed. É a fluidez da composição aqui exposta, na carnal interpretação que nos é oferecida, que torna o álbum de estreia de The Partisan Seed uma pequena maravilha. São apenas canções, ou como se disse aqui em tempos, “de melodias simples, de som sem artifícios nem subterfúgios, apenas de pequenas coisas“.
Ouçam e deixem-se levar…

som Ouvir alguns sons de “Visions of Solitary Branches”. Há mais som na Honeysound.

Capa de Visions of Solitary Branches
“Visions of Solitary Branches” – The Partisan Seed (Transporte de Animais Vivos, Honeysound, 2006)

01 visions of solitary branches
02 the old garden
03 a desperate call from london
04 lee, 1997
05 koala j.
06 drunk song
07 muezzin
08 did a gun give you a name?
09 mónica
10 you know what i mean
11 autumn sky
12 the narcotic world of scarabs
13 breed low
14 landscape: the ultimate vision

tipo Folk/Alternativo
sítio www.honeysound.com
e-mail thepartisanseed@gmail.com

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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Por decisão pessoal, o autor deste blogue não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.