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poeta_rei_almutamidUm conjunto de grandes músicos e intérpretes cantam os poemas de Al-Mu’tamid nas línguas dos três países herdeiros do legado andalusino: Filipe Raposo, Janita Salomé e Quiné Teles de Portugal; Eduardo Paniagua e Cezar Carazo de Espanha; El Arabi Serghini e Jamal Ben Allal de Marrocos. Eis o faixa a faixa do disco, pelos próprios:

LAMENTO – MAWAL AL-BURDA – introdução (3’45”)
(Arranjos musicais: Eduardo Paniagua / Canta: El Arabí Serghini)
Não corresponde a um poema de Al-Mu’tamid mas sim a uma ladainha muito antiga, sobre uma situação quotidiana, usada como forma de introdução do tema sobre o qual se iria versar.

RECORDAÇÃO – DARJ GHRIBA AL-HOUSSEIN (5’45”)
(Arranjos musicais: Eduardo Paniagua e El Arabi Serghini / Adaptação de textos: Eduardo Paniagua / Canta: El Arabí Serghini. Introdução: Tradicional Alentejano “Salsa Verde” / Recolha e adaptação: Janita Salomé / Canta: Janita Salomé)
Ibn-Al Labbâna, um poeta amigo, esteve certa noite num convívio literário nos jardins do palácio de Al-Mu’tamid. O Poeta Rei dedicou-lhe este poema em recordação desse encontro entre ambos.

A AL-MU’TADID I – TAWSHIYA QAIM WA NISF RAML AL-MAYA (3’37”)
(Arranjos musicais: Eduardo Paniagua e El Arabí Serghini / Adaptação de textos: Eduardo Paniagua / Canta: El Arabí Serghini)
Poema dirigido a seu pai Al-Mu’tadid, pedindo-lhe perdão.

ILUSÂO – MUWASHSHAHA DE AL-MU’TAMID (5’03”)
(Tradução de Emilio García Gómez / Adaptação do texto e arranjos musicais: Eduardo Paniagua sobre melodia de Cantiga de Afonso X o Sábio, 1275 / Cantam: Cesar Carazo, Eduardo Paniagua e Janita Salomé)
Poema amoroso inédito até 1954. Evoca o ardor do desejo à medida que vai descrevendo, com certo erotismo, a beleza sem igual de uma mulher.

EVOCAÇÃO DE SILVES – Versão em Castelhano (5’41”)
(Tradução de Juan Valera / Adaptação do texto e arranjos musicais: Eduardo Paniagua sobre “villancicos” tradicionais da Extremadura e Andaluzia / Cantam: Eduardo Paniagua e Cesar Carazo)
Versão em castelhano do poema que escreve, já como Rei em Sevilha, recordando os tempos felizes de príncipe nos palácios de Silves, entre amigos e amantes.

EVOCAÇÃO DE SILVES – Versão em Português (4’50”)
(Tradução de António Borges in ““Portugal na Espanha Árabe” a partir da tradução espanhola de Emílio Garcia Gómez, in “Poemas Arabigoandaluces”. Música: Janita Salomé / Arranjos Musicais: Filipe Raposo / Canta: Janita Salomé)
Versão em português do poema que escreve, já como Rei em Sevilha, recordando os tempos felizes de príncipe nos palácios de Silves, entre amigos e amantes.

A IBN AMMÂR (8’52”)
(Música e arranjos musicais: Filipe Raposo / Canta: El Arabí Serghini)
Num registo quase encantatório, esta música evoca a relação de intimidade e amizade profundas entre ambos os amigos.

A AL-MU’TADID II – EXCERTO (3’58”)
(Tradução de Juan Valera / Adaptação do texto e arranjos musicais: Eduardo Paniagua sobre Moaxaja andalusí de Alepo, Síria / Canta: Cesar Carazo)
“Poema enviado de Málaga ao pai depois de ter falhado a conquista da cidade no comando das tropas de assalto. O jovem Al-Mu’tamid, após ter tomado o povoado, terá descurado o domínio da alcáçova, entregando-se a celebrações de vitória prematura, o que deu tempo ao inimigo de chamar reforços, gorando-se assim o empreendimento”. Nota de Adalberto Alves.

SABEDORIA (2’23”)
(Tradução de Adalberto Alves / Música: Janita Salomé / Arranjos Musicais: Filipe Raposo / Canta: Janita Salomé)
Poema escrito enquanto Rei, proclamando a sua alegria, fazendo a apologia dos prazeres da vida e da sabedoria em viver “sem querer saber”.

NOSTALGIA (8’09”)
(Tradução de Juan Valera / Adaptação do texto e arranjos musicais: Eduardo Paniagua sobre melodia de Cantiga de Afonso X o Sábio, 1275 / Incluí dois poemas sufis “Dua” de elogio ao Profeta com evocações a Allâh / Cantam: Cesar Carazo e El Arabí Serghini)
Poema escrito no exílio em Aghmat, resignando-se com grande dignidade com a sua condição de destronado e desapossado de tudo. Evoca as saudades que tem da sua vida passada e do Alcácer Real de Sevilha e pede a Allâh que lhe permita acabar os seus dias na sua capital perdida.

QUANDO ERAS LIVRE (3’27”)
(Tradução de Juan Valera / Adaptação do texto e arranjos musicais: Eduardo Paniagua sobre Nana tradicional do “Alcalá de Guadaira”. Canta: Cesar Carazo)
Poema escrito no exílio em Aghmat lamentando-se da necessidade das suas filhas terem que trabalhar, vendo-as a entrarem na cela onde estava preso, com as suas vestes em farrapos, ao mesmo tempo que a população de Aghmat estava em festa.

RESIGNAÇÃO – MAULAYA (7’05”)
(Arranjos musicais: Eduardo Paniagua e El Arabí Serghini / Adaptação de textos: Eduardo Paniagua / Canta: El Arabí Serghini)
Poema escrito no exílio em Aghmat, procurando conformar-se com o seu destino e pedindo ajuda a Allâh para superar tão dura prova.

A AL-MUTAMID – EXCERTO DE POEMA DE IBN AMMÂR (3’39”)
(Tradução de Adalberto Alves / Música e arranjos musicais: Filipe Raposo / Canta: Janita Salomé)
Encarcerado por Al-Mu’tamid, que o acusa de traição, Ibn Ammâr dirige este poema a Ar-Rashid, filho de Al-Mu’tamid, para lhe pedir que interceda a seu favor.

TARDES DE CASABLANCA – gravado ao vivo no Teatro Municipal São Luiz 15-02-2014 (5’30”)
(Letra: Hipólito Clemente / Arranjos Musicais: Filipe Raposo / Canta: Janita Salomé)
O belo poema de Hipólito Clemente eternizado na voz de Janita Salomé. Um homem recorda a sua passagem por Casablanca. Um paralelo poético, na contemporaneidade, com a travessia para o exílio do Poeta Rei, desde Tânger a Aghmat.

O PODER (5’43”)
(Gravado ao vivo no Teatro Municipal São Luiz – final do encore do concerto realizado em 15-02-2014. Letra: Carlos Mota de Oliveira / Música: Janita Salomé / Cantam: Janita Salomé / Cesar Carazo / El Arabí Serghini)
A partir da letra de Carlos Mota de Oliveira, contribuições de todos os cantores nas várias línguas, evocando a relação do Poeta-Rei com o poder.

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