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Francis Mann sobre o novo “OM”, faixa a faixa

Por em 2 Fev 2016

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Cinco anos passados sobre “The Last Prophecy” (Ed. Autor, 2011), eis que Francis Mann (aka Francis) nos levanta o véu do seu mais recente “OM” (Stilleto Records, 2015). É o próprio que nos apresenta um disco onde os temas surgem na ordem em que foram compostos e gravados, exceptuando “Om Prelude” e “Well…I…”. Eis “OM”, faixa a faixa:

Om Prelude – Já tinha composto uns 6 temas para o OM, quando achei que precisava de um tema de introdução do trabalho que lhe desse a devida apresentação, abrindo a porta aos ambientes sonoros que se iriam seguir… gravei o tema em 2 dias, como se ele já existisse todo antes na minha cabeça. O piano indica o caminho…

Via Luccis – nasceu sobre uma malha de violinos onde acrescentei um ritmo marcial. Mas quando a melodia da guitarra ficou completamente escrita e gravada, percebi que o rock metera as unhas de fora e tratei de completar os arranjos nessa nova perspectiva. Aquela bateria levou o tema para onde eu queria.

Focault Pendulum – Trata-se de um tema todo composto em guitarra, com uma cadência pendular. Demorei algum tempo a escrever a base (o dedilhado das guitarras) e deixei amadurecer o tema antes de decidir em que direcção o iria levar. Trata-se de uma tapeçaria complexa onde há muitos instrumentos a pegar na frase do instrumento anterior desenvolvendo-a, ou harmonizando com ela. Algumas malhas só são inteiramente percetíveis com auscultadores.

Tangible Strings for Isis – depois de ter completado o Focault Pendulum, que me demorou uns 2 meses a concluir, lembro-me que, antes de pegar no tema seguinte, um dia sentei-me no teclado com vontade de escrever uma linha de violoncelos. E essa linha saiu com extrema naturalidade e é a base de todo o tema… que me demorou depois 3 meses a concluir. Achei que me iria atrever a escrever um tema mais “orquestral” e fi-lo ir por aí. Quase no fim percebi que gostaria de ouvir o sax do Nanã Sousa Dias a interpretar o tema, fiz-lhe o convite e ele aceitou.

Well… I… – por altura em que tinha andado a escrever o Via Luccis, e quando as unhas de rock se fizeram sentir nas guitarras, lembrei-me que gostaria de escrever um tema mais Rock do que tudo o resto que já escrevera. Uma espécie de Máscara de Ferro (1º. tema do Rota dos Ventos), mas mais intenso. E as malhas da base surgiram, e gravei-as. Depois de ter completado o Tangible Strings, tema algo etéreo e orquestral, apeteceu-me algo mais duro. Meter as unhas de rock a funcionar. E quando comecei a escrever a melodia da guitarra pensei “bom, se não vou fazer um tema bem esgalhado agora, quando é que o farei…”

The Twelve Dances of God – este tema era para ser apenas interpretado pela guitarra de 12 cordas, o dedilhado que lá está, simples sem mais nada. Mas o próprio tema começou a dançar e a pedir companhia, insistentemente. Acabei por ceder.

Enter Tír na nÓg – tema que surge a partir de uma malha transe do teclado. Depois foi deixar crescer, florescer, entrelaçar as ramificações. A certa altura achei que gostaria de ter o Tó Pinheiro da Silva, que já trabalhara comigo no Stilleto, a trazer a sonoridade e alma da sua flauta. Ele aceitou e tocou diversas linhas que depois entrelacei.

Por esta altura escrevi e gravei o Om Prelude.

Deal With it – lembro-me de ter visto um vídeo no youtube, precisamente chamado Deal With it, onde um miúdo de uns 6 ou 7 anos tocava num teclado simples, uma espécie de tema com sonoridades house, onde aplicou uma letra muito fixe, acerca das agruras da vida de um rapaz daquela idade enquanto a ter que lidar com a escola e as obrigações que os adultos lhe impunham.

Para além de ter achado a letra super divertida, achei curiosamente simples como a introdução de sons com sonoridade marcadamente house,  davam, só por si, uma base rítmica super eficiente, e lembrei-me de ir brincar com o assunto, a partir de uma biblioteca de sonoridades house. A base do tema foi feita, à uma, com a mão esquerda no teclado, e o contraponto com a direita. No final do tema achei que teria que fazer algo que tivesse mais a ver comigo, e bazei para um ambiente mais Floydiano. Pelo caminho o Luís Simas, com quem costumo fazer algumas desbundas, aceitou fazer um solo de synth na transição.

Siddartha (Goshtie) – Um dos primeiros temas que escrevi na vida, uma coisa a que na altura chamara “Balada em Mim” (em tom Mi menor, dahhh) serviu de base a este tema que entretanto desenvolvi. A ideia foi manter o tema simples. Apenas uma guitarra baixo e percussões.

Pegasus Rising – Tema escrito sobre um loop orquestral da Apple, um tema lindíssimo. Acrescentei outras peças orquestrais, metais, violoncelos, bells, baixos, coros, e juntei as guitarras, sem subverter no entanto a ideia original.

Anne Marie – tema escrito e dedicado a um ser que não chegou a ser…

Six Stringer –  já que o Twelve Dances of God, originalmente pensado para ser apenas interpretado por uma guitarra evoluiu e acabou por se desenvolver com mais instrumentos, achei que gostaria de incluir no OM um tema só de uma guitarra, à semelhança do que fizera no Stilleto. E escrevi Six Stringer, onde tudo o que se ouve é apenas uma guitarra dedilhada. Os mais atentos encontrarão uma malha que propositadamente fui buscar a um tema que escrevi com os Xutos, “Quando eu Morrer”.

OM (Stepping into the Limelight of Eternity) – Já perto do prazo que havia fixado a mim mesmo para a saída do OM, o outono de 2015, estaríamos no verão, achei que deveria compor mais um tema que, tal como o álbum, fosse abrangente e que funcionasse como o fechar das “hostilidades”. Queria que fosse um tema pouco hermético, mais acessível, algo apoteótico. Tinha ainda vontade de trazer o Jorge Palma e o Tomás Pimentel ao trabalho, (tinha ainda outros músicos que muito admiro que gostaria de ter trazido ao OM, mas a música que fui escrevendo não evoluiu na sua direcção) e depois de escrita a faixa, e já gravadas todas as minhas partes, deixei um espaço só com as bases, onde imaginei que um Fliscorne (Tomás) e um Piano (JP) poderiam conversar e criar a tensão para o resto do tema. As execuções quer do Jorge Palma, quer do Tomás Pimentel foram, como esperava, excelentes. Apenas tive que as “rematar” na tapeçaria. Achei ainda que seria curioso ter uma única voz em todo o álbum, e desafiei o Luís Filipe Barros, com a sua voz inconfundível, a gravar a frase que se ouve, antes da entrada final.

Silent Night Revisited – tema que escrevi antes de iniciar a composição do OM, inicialmente pensado para enviar a uns amigos, e que, por ter gostado bastante do resultado, acabei por editar em formato digital em 2013. Achei que o poderia juntar como faixa extra, para o incluir na minha discografia física.

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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Por decisão pessoal, o autor deste blogue não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.