recordações

RECORDAÇÕES|”Filactera” – Mário Delgado

Por em 26 Mar 2008

Não raras vezes me sinto assim – infelizmente. Absorto. Nesses dias, geralmente, dá-me para vaguear por sons de outros tempos – mais ou menos antigos. Invariavelmente – já tenho reparado nisto, dá-me para vaguear por alguns dos melhores discos de jazz que os músicos deste país já produziram. Não tinha ainda chagado a vez de “Filactera”, especial obra do enorme guitarrista Mário Delgado. É hoje.
Nascido em 1962, também ele filho da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, Mário Delgado é hoje um dos nossos mais ilustres guitarristas, participando e tendo participado em variadíssimos projectos. Em 2000, inspirado pelo universo da Banda Desenhada e por convite do Festival de Jazz do Porto, compôs este iluminado “Filactera”.
“Filactera”, não fosse ele totalmente envolvido e absorvido pela temática da BD, é um disco de onde transparece toda uma ideia de movimento, de diálogo, de drama e emoção. São histórias aos quadradinhos, quais bandas sonoras de obras que assim se conseguem folhear quase de olhos fechados. “Filactera” é uma homenagem a muitos dos heróis da BD, mas é também uma homenagem ao espírito criativo, quase sem limites, de Mário Delgado e seus comparsas. O que o quinteto liderado por Mário Delgado nos oferece – com Alexandre Frazão (bateria), Andrzej Olejniczak (saxofone), Carlos Barretto (contrabaixo) e Claus Nymark (trombone), é uma obra de uma vivacidade especial, enérgica, naturalmente imagética, e que faz dela uma obra extraordinariamente bem conseguida. Uma viagem incrível a universos tão diferentes como aqueles que Hugo Pratt, Bilal ou Hergé nos oferecem com as suas histórias. Se ouvissem “Filactera”, não a enjeitariam como banda sonora dos seus bonecos; certamente.
“Filactera” é um disco surpreendente; sempre e sempre, por mais vezes que se ouça. De repente, foi como se aquele estado inicial de contemplação, se esfumasse, pela noite dentro.
Excelente.

som Mário Delgado

capa de Filactera
“Filactera” – Mário Delgado (Clean Feed, 2002)

01 I’m a Poor Lonesome Cowboy (para Morris & Goscinny)
02 Armadilha Diabólica (para Edgar Pierre Jacobs)
03 Sete Bolas de Cristal (para Hergé)
04 Corto Maltese (para Hugo Pratt)
05 Gatos e Corvos (Fritz the Cat) (para Robert Crumb)
06 Blues dos Freak Brothers (para Gilbert Shelton)
07 A Mulher Armadilha (para Enki Bilal)
08 Marcha das Múmias Loucas/Gelati Blues (para Jacques Tardi)
09 A Tensão U = RI
10 I’m a Poor Lonesome Cowboy (reprise)

tipo Jazz

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1 Comentrio
  1. Jotta

    26 Mar 2008

    Este é mesmo um excelente disco de um excelente músico e guitarrista!

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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Por decisão pessoal, o autor deste blogue não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.