O regresso aos discos em 2025 dos Três Tristes Tigres, com o álbum “Arca“, confirma aquilo que sempre os distinguiu: uma rara capacidade de reinventar a canção pop em português, sem nunca perder a identidade que os caracteriza. Ancorado na poesia de Regina Guimarães e na cumplicidade musical de Ana Deus e Alexandre Soares, esta “Arca”, quando aberta, é uma surpresa tão boa.
Cinco anos passados de “Mínima Luz”, e a “Arca“ destes renascidos Três Tristes Tigres, soa surpreendentemente atual; ou se calhar sem surpresa alguma. Temas como “Animália”, o belíssimo “Exodus” – com a participação de A Garota Não – ou “Água”, revelam um olhar atento aos dias de hoje, onde as migrações, as tensões deste estranho mundo e a urgência de amar, se cruzam com uma delicadeza rara de fazer canções. Musicalmente, o disco encontra um equilíbrio único entre a herança estética do grupo e uma abordagem mais contemporânea, onde as diferentes influências se fundem naturalmente. “Arca“ não é apenas um novo regresso, é a reafirmação de uma das bandas mais marcantes da história da pop nacional. Bravo.
