Colagens de Hilda Reis, a partir de fotografias de Cristina Pinto​

O regresso aos discos em 2025 dos Três Tristes Tigres, com o álbum Arca“, confirma aquilo que sempre os distinguiu: uma rara capacidade de reinventar a canção pop em português, sem nunca perder a identidade que os caracteriza. Ancorado na poesia de Regina Guimarães e na cumplicidade musical de Ana Deus e Alexandre Soares, esta “Arca”, quando aberta, é uma surpresa tão boa.

Cinco anos passados de “Mínima Luz”, e a “Arca destes renascidos Três Tristes Tigres, soa surpreendentemente atual; ou se calhar sem surpresa alguma. Temas como “Animália”, o belíssimo “Exodus” – com a participação de A Garota Não – ou “Água”, revelam um olhar atento aos dias de hoje, onde as migrações, as tensões deste estranho mundo e a urgência de amar, se cruzam com uma delicadeza rara de fazer canções. Musicalmente, o disco encontra um equilíbrio único entre a herança estética do grupo e uma abordagem mais contemporânea, onde as diferentes influências se fundem naturalmente. “Arca não é apenas um novo regresso, é a reafirmação de uma das bandas mais marcantes da história da pop nacional. Bravo.

By Rui Dinis

Rui Dinis é um pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado intermitentemente desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *