Quando a vida está parada
E a ilusão se desvanece
É que o sonho se derrama
E o futuro se anuncia
Quando à noite paira o dia
E a esperança se revela
Soa a hora prometida
Sol vermelho amanhece
Quando a raiva corre à solta
Toda a calma se estremece
Quando o medo cai vencido
E se assaltam as ameiasde “Coro Jovem”
Em fevereiro passado morreu Carlos Manso. Para o comum dos mortais, é um nome que pouco dirá, mas para alguns quarentões e cinquentões como eu, sabe que foi voz e guitarra dos Linha Geral, nome incontornável da então moderna música portuguesa, mais concretamente do pós-punk lusitano. Não ficou muito para história mas o que ficou, bateu forte; um homónimo álbum, editado em 1988 pela Ama Romanta e que em 2024 foi reeditado pela Phonograma (mais alguns temas dispersos em coletâneas). Quem conhece sabe que não se esquecem aquelas 8 faixas, feitas de uma tensão elétrica e uma secção rítmica inesquecível, que nos envolvem a cada compasso, acompanhadas pelas palavras densas de Carlos Manso que incitam à rebelião, num disco sem artifícios mas tão extraordinário. Volta e meia, lá volto ao vinil que tanto me marcou; a mim e a muitos outros, mas não a tantos como realmente merecia. O grupo era formado por Carlos Manso (voz e guitarra), Fernando Soares (bateria), Tiago Lopes (guitarra) e Pedro Alvim (baixo). Se está a ler este texto e não conhece o disco de que aqui se fala, faça um favor a si mesmo, ouça-o e sinta-o.
