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Curtas | 2014 com Boémia Vadia

Por em 27 Jun 2014

boemiavadia

O disco chama-se “Circo Amar”, o projecto, Boémia Vadia. Mário Ferreira fala-nos sobre esta sua nova vida…

Como nasceu o projecto Boémia Vadia?
O projecto Boémia Vadia nasceu em Valência, Espanha, onde fui residente, como imigrante, nos últimos 17 anos. Aconteceu no seguimento do final dos Fado Blues como grupo. Eu tinha uma serie de canções escritas que apresentei a músicos valencianos, fizemos uns quantos ensaios e começámos a tocar ao vivo. Gravámos o cd “Taberna flotante”, num formato exclusivamente acústico e andámos na estrada durante 2 anos. Os compromissos profissionais de cada um deles, acabaram por dificultar bastante a existência do projecto como Fado Blues, assim que agarrei nas canções e optei por adicionar-lhes algo de electricidade e electrónica. Tudo aconteceu entre 2009 e 2011, tempo esse em que nunca deixei de ensaiar com o Kim Coutinho, a remota possibilidade de fazer renascer os Alucina Eugénio, já que tinha decidido regressar para Portugal. Em Janeiro de 2011, apresentei-lhe os temas que já tinha gravados e convidei a Rebecca Amar (artista de cabaret parisiense, performer e minha companheira sentimental), a declamar um poema de Rimbaud num deles. O resultado foi tão impactante e original, que decidimos seguir, com o nome de Mediterranêa Boémia, visto que o berço do projecto era mediterrânico. Com esta formação, gravámos 3 demos em Valência e rodámos bastante ao vivo, tanto por ali, como por território português. Em Agosto do ano passado, decidimos estabelecer a nossa base de operações em Lisboa, a minha cidade, que abandonei há mais de 25 anos, e por conseguinte, mudar o nome para Boémia Vadia. O primeiro objectivo, era gravar um EP para apresentar o projecto, algo que de momento está feito…só falta editá-lo.

O que move Boémia Vadia na música?
Primeiro, o prazer de poder fazer música e poder dedicar-me a ela. Depois, a possibilidade de poder experimentar, de fusionar estilos, harmonias, raízes, de absorver certas características da música tradicional, (portuguesa, mas não só…), e misturá-las com todas aquelas influências que fomos adquirindo ao longo dos anos. O objectivo principal, são os concertos ao vivo. Suponho que é o nosso ponto mais forte.

Um adjectivo que caracterize a música de Boémia Vadia?
Mutante.

Porquê o título de “Circo Amar” para o novo disco?
“Circo Amar” nasceu de um jogo de palavras, e é a minha forma de homenagear a pessoa que mais ânimo, dedicação e carinho pôs no projecto, (além de mim), e permitiu que possamos estar aqui. Rebecca Amar é um circo na essência dela mesma.

Numa frase apenas, como caracterizas o novo disco?
Original e elegante. É como ouvir aos Joy Division ou aos Bauhaus, com a Edith Piaf a cantar…com todo o respeito pelos nomes mencionados, óbviamente, dos quais sou fã.

Se tivesses de escolher a faixa que melhor encarna o ‘espírito’ Boémia Vadia, qual escolherias? Porquê?
A que melhor encarna o espírito e essência da Boémia Vadia, é o “Cabaret dos Vampiros”, a faixa que abre o EP. Foi um dos primeiros temas do projecto que gravámos e onde se pode perceber melhor a ideia de fusionar a tradição portuguesa com a francesa.

Aponta duas razões para ouvir – e mesmo comprar – o teu novo disco?
A primeira, pelo apoio à música feita em Portugal e em português, e a segunda, pela originalidade do trabalho apresentado.

O que podem esperar as pessoas que forem ver Boémia Vadia ao vivo?
Um espectáculo intenso e muito visual, devido à estética e presença da Rebecca no palco, performance, charme e elegância, teatro, poesia, tudo condimentado com um instrumental que te levará desde os anos 80, até à actualidade. O saxofonista Edgar Caramelo, que participou na gravação do EP, também nos acompanha ao vivo como convidado especial.

Propõe um disco da música portuguesa que te tenha agradado nos últimos tempos – o teu não vale?
i-Phado, do M-Pex.

Como vai ser o Verão de Boémia Vadia?
De momento, esperamos a edição do EP para Julho, temos tambem uns concertos de apresentação no Porto e zona norte. Muito surf e visitar festivais, enquanto esperamos por mais movimento. Se as rádios passarem o disco, algo vai passar. [OUVIR]

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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Por decisão pessoal, o autor deste blogue não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.