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OLHARES|"Sátiro" – Gaiteiros de Lisboa

Por em 19 Ago 2006

Sátiro, Fauno ou Silvano é uma figura da mitologia grega. Os sátiros moravam nos bosques, cuja guarda lhes estava incubida. Alegres, maliciosos, formavam a escolta de Dionísio e tomavam parte em todas as suas festas, acompanhados das Ninfas” (1)

Ao quarto passo, após as “Invasões Bárbaras” de 1995, as “Bocas do Inferno” de 1997 e o “Macaréu” de 2002, os Gaiteiros de Lisboa regressam com novo e inesgotável momento de prazenteira diversão; lúdico mas sério, virtuoso, capaz de unir passado, presente e futuro como poucos o fazem, “Sátiro” é o feliz e desejado regresso do grupo de Carlos Guerreiro, José Manuel David, José Salgueiro, Paulo Marinho, Pedro Calado, Pedro Casaes e Rui Vaz. Comemore-se.
Mas porquê? Uma ideia, simples…
Reprodução. O conhecimento, a experiência, o manusear. Todo o background que a esmagadaora maioria dos elementos dos Gaiteiros de Lisboa possui, possibilita-lhes um domínio quase total do que há, do que já se fez, do que se faz e acima de tudo, do que há para fazer; melhor, e por isso mesmo, fazem-no como ninguém.
Imaginação. O combustível, a energia que move os moinhos da criatividade. A irrequietude, a negação do imobilismo que transporta passo a passo os Gaiteiros de Lisboa para um outro patamar – de evolução. Uma inquietude; a invenção de instrumentos (como o tubarões ou o cabeçadecompressorofone), a aventura pelos “Movimentos Perpétuos” de Carlos Paredes, a temática lírica, tudo. Tudo é imaginação.
Recriação. O brincar e recriar. Para quê saber e imaginar sem o recriar? Os Gaiteiros de Lisboa não o negam e materializam-no a cada disco que inventam para nosso bel-prazer. Tudo cheira a passado com aquele inconfundível traço de actualidade, fruto de uma nova realidade, de uma nova ligação que se vai pressentido entre uma certa urbanidade e uma ruralidade também diferente. A distância parece estreitar-se com o tempo e os Gaiteiros de Lisboa, mostram-no, melhor, demonstram-no, afirmando: Faz sentido!
Sensação. O prazer, somente. O que nos leva a fazê-la girar, que gosto nos move e nos faz absorver tal arte? “Sátiro” tem um efeito libertador, catalisador; o tradicional e o moderno num espaço só. “Sátiro” vive. Em nós. Entre outras surpresas.
Belo.

(1) Texto CD

Ouvir excertos de todo o alinhamento de “Sátiro”.


“Sátiro” – Gaiteiros de Lisboa (Sony&BMG, 2006)

01 o fim da picada
02 nem fraco nem forte
03 comprei uma capa chilrada
04 movimento perpétuo
05 ai de mim tanta laranja
06 chamarita do pico
07 as freiras de santa clara
08 pracá-dos-montes
09 haja pão
10 descantiga dandor
11 alma alba
12 os versos que te fiz
13 se fores ao mar pescar

Tradicional
www.gaiteirosdelisboa.com

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Rui Dinis
Portugal

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.

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Por decisão pessoal, o autor deste blogue não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.