Na paz e alegria…
Enquanto se esperava pelo dia em que se celebraria o nascimento do menino, em 2008, a FlorCaveira lembrou-se e ofereceu-nos um advento à sua maneira. Mais do que uma mera colectânea de canções sobre o nascimento do menino e o fim do mundo – mesmo que nem todos professem a Fé, como referia Tiago Guillul, ela é um retrato de uma certa maneira de criar e interpretar música em português. Nova, dirão uns; mais ou menos nova, dirão outros. Na verdade,  esta é uma certa maneira levada adiante por alguns colectivos de artistas e editoras como a FlorCaveira, a Amor Fúria ou a Catadupa! Haverá outras, certamente.
Esta é pois a história dessa paixão.

01 Pontos Negros – Inês; ainda antes do relativo estrelato, obtido com a edição de “Magnífico Material Inútil” (Universal, 2008), os Pontos Negros apresentavam esta “Inês”, parte do EP de estreia. Já estavam lá;
02 Samuel Úria – O Fim; “o fim está perto”, repete Samuel Úria em torno da sua guitarrinha de 15 euros,  comprada na loja dos chineses. Sabe-se que os coros foram acrescentados na Igreja Baptista de S.Domingos de Benfica;
03 João Coração – Canção para José e Maria; ao primeiro take com Coração no assobio, voz e bandolim; Eva Parmenter na concertina; Miguel Guelpi no contrabaixo. Sabe-se também que no dia seguinte Coração gravou as percussões;
04 Guel – O Menino Já Não Chora; com Guel estiveram ainda Samuel Úria, b fachada e o jovem Emanuel. Importante lembrar que “O menino já não chora”;
05 Jorge Cruz – O Fantasma; uma referência importante para este universo musical e poético. Um fantasma com Jorge Cruz multi-instrumentista, apoiado pela bateria de João Coração e o harmónio de Tiago Guillul;
06 B Fachada – Pior que Tio; coisinha pequenina pelo corpo e mente de B Fachada; coisinha pequenina e tão bela;
07 Manuel Fúria – Da Boca do Inferno; “Ai Jesus; Já não sei rezar”, grita Manuel Fúria em busca de respostas. E grita bem:
08 Te Voy A Matar – Nuvem Branca; foi bom ouvir o ponto negro Silas Ferreira às voltas com os órgãos Casiotone 1000P e Giamaica. Pois foi.
09 Tiago Guillul – Canção-Ómega; “Não é a razão do fim; O fim é quem tem razão”, num exercício de vozes, guitarra, xilofone e harmónio pelo próprio Tiago Guillul. A filha Maria diz o mesmo;
10 Todos – A Inundação da Rua Augusta; o apogeu numa letra e música de Tiago Guillul, já interpretada pelos Lacraus; tocaram e cantaram, Jónatas, Filipe, Silas, David, Guillul, Úria, Fachada, Guel, Cruz, Barata, Fúria, Coração e Diego.

Capa de O Advento

“O Advento” – Vários Artistas (FlorCaveira, 2008)

sítio www.florcaveira.com
sítio www.myspace.com/florcaveira

By Rui Dinis

Rui Dinis é um pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado intermitentemente desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.