O maestro foi ontem ao Avante. A grande festa comunista continua a ser o maior e o melhor festival de música portuguesa – não o único como afirmou ontem Pedro Abrunhosa. Pena que a tenda do Auditório 1º de Maio pareça por vezes pequena para abrigar tanta gente. Junto segue o roteiro de oito paragens:
Que grande início de tarde. Os Monte Lunai arrasaram no Auditório 1º Maio, naquele seu jeito característico de meio-concerto, meio-baile. E que baile. As músicas do mundo estiveram em grande, com a professora de dança Patrícia Vieira a liderar todo o movimento. A poeira andou no ar.
Seguiu-se uma viagem animada à carreira de Sebastião Antunes, sempre bem secundado pela Quadrilha. Sempre dedicado às causas ambientais e sociais, Sebastião Antunes não passou despercebido pela Festa. E depois, mantendo aquele espírito de animação, o que é preciso é emborcar…
Ainda no Palco 25 de Abril, Kaló e companhia deram mais uma grande demonstração de como respira por cá o rock’n’roll. Já não é grande a surpresa mas num palco assim, com um som de qualidade, a música dos Bunnyranch fica ainda melhor; maior. O único momento rock a que assisti.
Depois, quis saber se os Deolinda sempre eram o fenómeno que pareciam ser. É, são mesmo. Estava já um mundo de pessoas para os ver e com eles ir por ali fora, numa espécie de celebração da música portuguesa. Grande prestação, seguríssima, numa confirmação de tudo aquilo que já se sabia. Talvez o momento alto do dia.
É sempre um prazer ver e ouvir A Naifa ao vivo. E ontem, mesmo não tendo assistido a todo o concerto, o prazer manteve-se. Pena mesmo, aquele pormenor da tenda do Auditório 1º de Maio. No caso de A Naifa, é pouco espaço para tanta gente. Para o fim ficou a sempre emocionante versão de a “Desfolhada”.
Seguiu-se mais um grande momento: Bernardo Sassetti Trio. Com grande descontracção, foi intenso ver desfilar três músicos do calibre de Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). Foram apenas quatro ou cinco peças mas foram as suficientes para fazer deste um dos momentos altos do dia. Extraordinário.
Entretanto, já o Baile Popular começara a desfilar pelo Palco 25 de Abril. Já com Alexandre Frazão na bateria, outra vez, o supergrupo apresentou-nos o seu disco de estreia. Um supergrupo feito de estrelas nacionais da música tradicional, popular, pop e jazz. Não há que enganar; juntemos as letras de João Monge e a festa fez-se com naturalidade.
Chegou a hora da estrela maior da noite. Pedro Abrunhosa e o seu Comité Caviar não desiludiram. O povo estava lá em grande número e o entertainer tripeiro não o defraudou. Não faltou sequer um “Talvez Foder” num alinhamento curto, em parte devido a um alongamento exagerado de algumas das faixas. É show.
Infelizmente, por um motivo ou por outro, Diabo na Cruz e Cacique’97 por atraso aqui do maestro na chegada ao recinto, e Claud, Ricardo Pinheiro Sexteto e Adriana por sobreposição de horários, ficaram para outra oportunidade.
Mais um grande dia para a música portuguesa.

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By Rui Dinis

Rui Dinis é um pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado intermitentemente desde Janeiro de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses.