É um disco daqueles…à primeira não nos toca; à segunda já coça e à terceira não nos larga.
Álbum de estreia do
matarroês Bezegol, “Rude Bwoy Stand” é uma agradável surpresa. Uma interessante experiência sonora, desde logo pela vibração que trespassa pelas 15 faixas do disco – incluindo o tema bónus, interpretado pelos
seus MatoZoo.
Alicerçado na experiência de Bezegol como MC, DJ e produtor, “Rude Bwoy Stand” não deixa cair nenhum dos seus capítulos nas malhas de uma banalidade repetitiva. Faz por isso e com competência. Centrado num eixo que viaja do
reggae ao
hip-hop, sempre mais centrado no primeiro, Bezegol não deixa nunca de espreitar e explorar novos objectos, como é o caso da guitarra portuguesa de Aires no tema “Let Them Know!” – Excelente. Na verdade, é com o
reggae que Bezegol se afirma, concludentemente, oferecendo-nos temas como “Rude Bwoy Stand” ou “Fire”; não esquecendo ainda a ameaça feita há já algum tempo atrás com a edição do
single em vinil de “Plant” e “Roots of Evil” (Gumalaka, 2007), aqui repetida – com Charly Skank nas teclas de “Roots of Evil”.
É um disco surpreendente; não tanto pela produção de Bezegol – já esperada, mas antes pela sua efectiva versatilidade, adequabilidade e capacidade de exploração de um conjunto de novas ideias, muitas delas baseadas numa vontade de fundir várias influências – bem sucedida. Nem sempre resulta, é certo, mas aqui, sabe a mel; um mel com muito
soul. Equilibrado e certeiro nas opções estéticas e temáticas assumidas – sociedade, política e ambiente, “Rude Bwoy Stand” devora-se do princípio ao fim com avidez.
A produção é do próprio Bezegol e L.V.M., contando ainda com produções de New Max, DJ Kronik e Conductor. Como convidados, o disco conta com a participação de DJ Ride, Aires (guitarra portuguesa) e Charly Skank (teclas) e as vozes de Souljah & Tito (Buga Propaganjah), Fatman D e MatoZoo.
Aconselha-se, obviamente…
Ouvir alguns temas de “Rude Bwoy Stand!”.