Janeiro, 2004

LETRAS|”Ouvi Dizer” – Ornatos Violeta

Janeiro 31st, 2004 | versão papel versão papel

“Ouvi Dizer” – Ornatos Violeta

Ouvi dizer que o nosso amor acabou.

Pois eu não tive a noção do seu fim!

Pelo que eu já tentei,

Eu não vou vê-lo em mim:

Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.

E ao que eu vejo,

Tudo foi para ti

Uma estúpida canção que só eu ouvi!

E eu fiquei com tanto para dar!

E agora

Não vais achar nada bem

Que eu pague a conta em raiva!

E pudesse eu pagar de outra forma!

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,

E eu tinha tantos planos pra depois!

Fui eu quem virou as páginas

Na pressa de chegar até nós;

Sem tirar das palavras seu cruel sentido!

Sobre a razão estar cega:

Resta-me apenas uma razão,

Um dia vais ser tu

E um homem como tu;

Como eu não fui;

Um dia vou-te ouvir dizer:

E pudesse eu pagar de outra forma!

Sei que um dia vais dizer:

E pudesse eu pagar de outra forma!

A cidade está deserta,

E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:

Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.

Em todo o lado essa palavra

Repetida ao expoente da loucura!

Ora amarga! ora doce!

Pra nos lembrar que o amor é uma doença,

Quando nele julgamos ver a nossa cura!

(Letra: Manuel Cruz)

“O Monstro Precisa de Amigos” – Ornatos Violeta(1999/Polydor/Universal)

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DESTAQUE|SolMúsica e Termómetro Unplugged 2004

Janeiro 31st, 2004 | versão papel versão papel

Eis duas propostas de interesse para um final de sábado caseiro:

Na TV:

20:00 - No Canal SolMúsica o programa especial “O Melhor do Ano das Bandas Portuguesas”

Sítio:www.solmusica.com/pt/

Na Internet:

23:00 - Para quem não pode estar ao vivo no Via Rápida: Transmissão em directo pela Internet (Cotonete) da final do “Festival Termómetro Unplugged 2004″.

Bandas a concurso:

- Limbo

- Wego

- Sinapse

- The Grey Blues Band

- Umple True

Sítio:http://www.cotonete.iol.pt

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BI|004 HUMAN CYCLE

Janeiro 30th, 2004 | versão papel versão papel

- Quando tudo começou:1999

- Em: Vila Nova de Gaia

- Género: Soul Rock

- Formação:

Mário J. Dias (voz)

Alberto Rebelo (guitarras e coros)

Miguel Dias (guitarras)

Álvaro Matos (baixo)

José Barbosa (bateria e percussão)

- Discografia:

EP “Broken Hill” (2003/Ed. Autor);

- Sítio:www.humancycle.web.pt

- Blog:humancycle.blogs.sapo.pt/

- Comentário: Mais e mais concertos!

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CRÍTICA|”After the Curse” – Noctívagus

Janeiro 30th, 2004 | versão papel versão papel

“After the Curse”, terceiro registo discográfico dos Noctívagus mostra-nos uma banda em contínuo remar pelo movimento gótico em Portugal. Depois de “Almas Ocultas” de 1995 e “Imenso” de 1998 foi editado em Março de 2003 este “After the Curse”, exemplo do melhor rock gótico praticado entre nós.

Em aceleração constante (estonteante batida mesmo, em “Last night”) os 6 temas deste EP, assentam principalmente no carisma e no poder vocal de Lino Átila e numa instrumentalização razoavelmente bem conseguida, ainda que nem sempre muito diversificada.

Não sendo a pouca originalidade propriamente um pecado (pouco há a inventar, principalmente no género), também não me parece que o grupo a procure como principal meta. Importante será continuar a dar voz ao movimento gótico luso, cada vez com maior qualidade e nisso, os Noctívagus continuam a trilhar o seu caminho. Faixas 1, 5 e 6.)

EP “After the Curse” – Noctívagus (2003/Floyd Records)

01. Flames from the soul

02. Bad dreams

03. Cold mind

04. I’m not living

05. Corta-me a cabeça

06. Last night

Sítio: noctivagus.com.sapo.pt

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CRÍTICA|”No Body Needed” – In Her Space

Janeiro 29th, 2004 | versão papel versão papel

Não é um disco fácil. Como qualquer obra artística ou se gosta ou não, sendo por vezes ambos os pólos bem defensáveis. Esse é o caso deste “No Body Needed”.

Há melancolia, há tristeza, há um arrastar de tudo, da voz, da música, dos temas, do tempo, chegando a parecer que o disco nunca mais acaba. Isto é mau? depende!

Não é um disco fácil, transpira referências, referência diria eu, mas não é, igualmente, um disco que nos deixe indiferentes, há qualquer coisa a brotar. A falta de energia chega realmente a ser enervante mas é um disco que cria uma ambiência interessante, calmante, expectante, enervante eu sei. Algum experimentalismo traz-lhe por vezes alguma vitalidade.

Como qualquer obra artística nem sempre temos todas as respostas, nem sempre se sabe porque se gosta ou não de algo, e aqui, com os In Her Space, passa-se algo idêntico. Por vezes é um disco aborrecido, mas por outro lado tem momentos fortes, belos, momentos que nos deixam verdadeiramente deleitados. Explica-se? sei lá. Eu gosto.

CD “No Body Needed” – In Her Space (2003/Bor Land)

Sítio:www.inherspace.org

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DESTAQUE|Revista CAIS

Janeiro 28th, 2004 | versão papel versão papel

Cais nº 83, Janeiro 2004, “Música Moderna Portuguesa – CONTRA A CORRENTE – remar, remar, remar, remar”.

São 50 páginas dedicadas à história da música moderna portuguesa; são três décadas de música condensadas em apenas cinco dezenas de estéticas páginas.

São 50 páginas de história, de música, de muita música, de muita recordação igualmente. Textos, entrevista e fotografias, grandes fotografias. Qualidade a que a revista CAIS nos tem habituado regularmente.

No fundo são vistos, revistos e fotografados dezenas de nomes (Rui Veloso, UHF, Taxi, Street Kids, Jafúmega, Heróis do Mar, Xutos, Peste e Sida, Ena Pá 2000, GNR, Pop Dell’Arte, Mão Morta, Rodrigo Leão, Madre Deus, Wray Gunn, Blind Zero, Silence 4, Old Jarusalem, Sons de Cá, Blasted Mechanism, The Parkinsons, The Gift e muitos muitos outros), são histórias da música, passado presente e futuro…vale mesmo a pena, por apenas 2 euros.

Sítio:www.cais.pt

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VIDEOCLIP|”Six Little Monsters” – Sloppy Joe

Janeiro 28th, 2004 | versão papel versão papel

Tal como o anterior videoclip já referido aqui na Trompa (“Say” dos Anger), também este passou na TV, por cabo claro, mais concretamente na NTV. E em jeito de conclusão, não gostei, especialmente.

Sendo o tema já de si um nadinha cansativo, o vídeo é filmado de uma forma muito simples e sem qualquer tipo de pretensão maior, desenvolvendo-se calmamente à volta das diabruras dos monstrinhos até ao final em apoteose no coreto, esse local tão querido da banda. Vê-se… (5/10)

Sítio:www.sloppyjoe.com.pt

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FIGURAS|Ornatos Violeta em recordação…

Janeiro 27th, 2004 | versão papel versão papel

Banda formada no Porto em 1991, os Ornatos Violeta são hoje uma referência incontornável do novo Pop-Rock feito em Portugal e cantado em Português; e bem cantado.

Numa altura em que os diversos membros da banda se desdobram na preparação de novos projectos, bastante aguardados por sinal, e enquanto não sai a anunciada colectânea de raridades do grupo, resta-nos simplesmente recordar, recordar Ornatos Violeta, recordar a mensagem sentida de uma das principais bandas do rock português actual.

Recordar Ornatos Violeta, leva-nos para uma busca incessante da originalidade sonora, para uma busca temperada com as mais diversas referências musicais, sentimentos, não perdendo toda a sua essência do pop-rock, assim à queima-roupa.

Ornatos Violeta interioriza-se, abalroa-nos, agarra-se ao corpo, à alma como poucos, pelo som torneado, pela poesia ditada, pela voz e melodia em comoção, por um certo encantamento viajado da tristeza poética que emana das pautas e daquela voz tantas e tantas vezes sussurrada.

Foi pena, o fim…

Álbuns:

“Cão”(1997/Polygram)(8/10)

“O Monstro Precisa de Amigos”(1999/Polydor/Universal)(9/10)a caminho do 10…

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LETRAS|”O Sopro do Coração” – Clã

Janeiro 27th, 2004 | versão papel versão papel

“O Sopro do Coração” – Clã

Sim, o amor é vão

É certo e sabido

Mas então (Porque não)

Porque sopra ao ouvido

O sopro do coração

Se o amor é vão

Mera dor mero gozo

Sorvedouro caprichoso

No sopro do coração

No sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido

E o que foi do

Corpo no turbilhão

Sopra doido

E o que foi do

Corpo alado

Nas asas do turbilhão

Nisto já nem de ar precisas

Só meras brisas

Raras

Corto em dois limão

Chego o ouvido

Ao frescor

Ao barulho

À acidez do mergulho

No sangue do coração

Pulsar em vão

É bem dele É bem isso

E apesar disso eriça a pele

O sopro do coração

O sopro do coração

Mas nisto o vento sopra doido

E o que foi do

Corpo no turbilhão

Sopra doido

E o que foi do

Corpo alado

Nas asas do turbilhão

Nisto já nem de ar precisas

Só meras brisas

Raras

(Letra:Sérgio Godinho)

CD “Lustro” – Clã (2000/EMI)

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NOVIDADES NA LATERAL|Alguns links…

Janeiro 26th, 2004 | versão papel versão papel

Alguns links recentemente incluídos na faixa lateral da Trompa:

TrompaBlogs

- Music is Math

- Canal Maldito

TrompaBandas

- Alkateya

- Anamar

- Boss AC

- Cebola Mol

- GNR

- Hands on Approach

- Heavenwood

- In Her Space

- Les Baton Rouge

- Marbles

- Mind da Gap

- Mokánia

- Mundo Complexo

- Navajo

- Probe

- Sandro G

- Shadowsphere

- Tendrills

- TwentyInchBurial

- UHF

- Valete

TrompaSítios

- Zona Punk

- Artistas&Espectáculos

- Bandas de Garagem

- TugaLinks

- Top AFP

TrompaMedia

- Telefonia Virtual

TrompaConcursos

- Festival 365

- Alarga a Tua Vida

- Concurso de Música Moderna de Palmela

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TROMPABOLSA|Nº1: 19 a 25 de Janeiro de 2004

Janeiro 25th, 2004 | versão papel versão papel

A TrompaBolsa foi criada a partir de um sistema de contagem das referências semanais em alguns dos meios de comunicação existentes. Por enquanto, as revistas Rocksound e LusoBeat, o Jornal Blitz, os sites “Divergências”, “Bodyspace”, “Alternative Youth”, “Rua de Baixo”, “Música Total”, etc., o blog “Santos da Casa” e a audição da Antena 3 foram alguns dos meios utilizados. Como exemplo da valorização utilizada, a exposição em capa será sempre mais valorizada que a crítica a um disco.

Científico? claro que não! é apenas um exercício.

01 Alla Pollaca (7,00)

02 Stowaways (6,50)

03 X-Wife (5,50)

04 Mourah (3,00)

05 Limbo (3,00)

06 Loosers (2,75)

07 The Ultimate Architects (2,50)

08 Pedro Abrunhosa (2,50)

09 Comme Restus (2,50)

10 Dealema (2,25)

11 The Act-Ups (2,25)

12 Houdini Blues (2,00)

13 Aquarelle (2,00)

14 Mesa (2,00)

15 Ramp (2,00)

16 Sloppy Joe (2,00)

17 Ghost in the Machine (2,00)

18 Ace (1,75)

19 David Fonseca (1,75)

20 The Legendary Tiger Man (1,50)

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CRÍTICA|”Fanfarras de Ópio” – Fat Freddy

Janeiro 25th, 2004 | versão papel versão papel

Se a música às vezes pode ser uma festa, então estas fanfarras são uma paródia sem fim. O importante é estar-se bem e se isso se pode tornar num gozo, então melhor, temos festa.

Se alguma vez pensou poder ter uma feira popular, uma sala de cinema e uma banda desenhada qualquer em casa, “Fanfarras de Ópio” pode ajudá-lo, sem dúvida.

A alegria discorre incessantemente, “Fanfarras de Ópio” é um disco cinemático, cheio de figuras que nos remetem para os mais diversos lugares, onde o humor, onde o sonoro desconcertante nos faz sentir bem, alegres.

O disco remete-nos a espaços para alguma concorrência directa com as colagens dos Stealing Orchestra, veja-se “Batman theme” por exemplo.

De resto, não sendo uma obra prima, vale sempre a pena experimentar, vai ver que vai gostar!(6/10)

“Fanfarras de Ópio” – Fat Freddy (2003/Banze)

01. Frenesim de Canibalismo ritual

02. Vamos

03. Huxley e Leary

04. A Polka do amor

05. Carrosel mágico

06. Dedicado às minhas amigas da fábrica

07. Batman theme

08. Danceteria

09. Lolita ( Não quero saber o teu nome)

10. LSD 25

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LETRAS|”Anarquista Duval” – Mão Morta

Janeiro 24th, 2004 | versão papel versão papel

“Anarquista Duval” – Mão Morta

Pela estrada fora vinha um homem

Encoberto pelas sombras da noite

Alguém lhe perguntou o nome

«Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição

Como o vento semeia as papoilas

O meu nome é… Liberdade»

Vinha pela estrada fora a Liberdade

Encoberta pela noite das sombras

«Sabes quem eu sou?» perguntou ao candeeiro

«És uma miragem

E pertences ao livro dos sublinhados provocadores

Que são os poetas

Almas sonhadoras»

«Anarquista Duval:

Prendo-te em nome da lei!»

«E eu suprimo-te em nome da Liberdade!!»

Sublinhados provocadores iam pela estrada fora

Carregando o livro das sombras

Da noite só restava o candeeiro

Encoberto

(Letra: Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes – Zé dos Eclipses)

“O.D., Rainha do Rock & Crawl” – Mão Morta (1991/NorteSul)

Sítio:www.mao-morta.org

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AUDIÇÕES|Hoje já se ouviu…

Janeiro 24th, 2004 | versão papel versão papel

Nas audições realizadas hoje (discos novos no play cá de casa) estão duas edições referentes a 3 projectos musicais que não podemos ignorar dentro do panorama alternativo da música portuguesa. In Her Space, Stowaways e Alla Pollaca. Não aprofundarei, uma vez que voltarei a carga um destes dias, com espaços próprios para cada um.

1. “…Why not You ”Alla Pollaca (9/10) e Stowaways (9/10)

2. “No body Needed” In Her Space (8/10)

O Melhor: Stowaways “…Why not You” (2003/Bor Land)

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AUDIÇÕES MP3|Plasma, Ashfield e Polaroid

Janeiro 22nd, 2004 | versão papel versão papel

3 bons projectos em evolução … bastante positiva

1. Plasma “Hoje” (8/10)

Convergência feliz entre os novos sons da pop e a electrónica, bem suportada por uma voz feminina…muito bem!

2. Ashfield “Believe”(8/10)

Tema interessante, criativo no arranjo, valorizado pela simplicidade da instrumentalização idealizada e bem concretizada.

3. Polaroid “Dusk”(8/10)

Situado entre entre o pop e o rock alternativo este tema (tal como quase todo o E.P.) delicia-nos com a sua escura amargura e tristeza recorrente.

Polaroid “No more happy songs”

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BI|003 Ashfield

Janeiro 22nd, 2004 | versão papel versão papel

- Quando tudo começou:1999

- Em: Seixal

- Género: Fusão

- Formação:

Filipa Achega (voz)

Nuno Lamy (guitarra/sintetizador)

António Soares (guitarra)

Pedro Pereira Neto (baixo)

- Discografia:

EP “HereAfter” (2000);

EP “A’s Mistress Diary” (2001);

EP “Third Chapter” (2002);

- Sítio:www.ashfield.pt.vu/

- Comentário: Como estamos de “tech*fx” ?

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OBRIGADO|Ary dos Santos nos Novos Sons da Música Portuguesa

Janeiro 21st, 2004 | versão papel versão papel

Quando finalmente parece que uma parte do país acordou e descobriu o poeta, como se estivéssemos sempre à espera da chegada dos anos redondos, não podia deixar passar em claro, também aqui, os 20 anos do desaparecimento desse grande poeta do nosso tempo, desse grande fazedor de versos e incendiador de almas que foi José Carlos Ary dos Santos. Poeta maldito, poeta ignorado, poeta da música!

-Poeta castrado, não!-

Serei tudo o que disserem

Por inveja ou negação:

Cabeçudo dromedário

Fogueira de exibição

Teorema corolário

Poema de mão em mão

Lãzudo publicitário

Malabarista cabrão.

Serei tudo o que quiserem:

Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu

As linhas com que me escrevo

Reconhecem o que é meu

Em tudo quanto lhes devo:

Ternura como já disse

Sempre que faço um poema;

Saudade que se partisse

Me alagaria de pena;

E também uma alegria

Uma coragem serena

Em renegar a poesia

Quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu

A força que tem um verso

Reconhecem o que é seu

Quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala

-É tão vulgar que nos cansa-

Mas que dizer de uma bala

Num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história

-a morte é branda e letal-

Mas que dizer da memória

De uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser

O poema dia a dia?

-Um bisturi a crescer

Nas coxas de uma judia;

Um filho que vai nascer

Parido por asfixia?!

-Ah não me venham dizer

Que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem

Por temor ou negação:

Demagogo mau profeta

Falso médico ladrão

Prostituta proxeneta

Espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado, não!

José Carlos Ary dos Santos

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MAQUETA|”New Connection” – New Connection

Janeiro 20th, 2004 | versão papel versão papel

Uma das surpresas do meio alternativo em 2003, os New Connection, são oriundos de Lisboa e formaram-se em 2000, sendo então constituídos por Sandra Cachaço (voz), Gonçalo Leitão (guitarra), Pedro Antunes (baixo) e Cali (bateria). O grupo só adquiriu a sua formação actual em 2002, com a entrada de Torré (ex: Coty Cream) para a segunda guitarra e saxofone.

Pelo caminho, ficaram um conjunto de concertos iniciados em Julho de 2002 na Barraca, o Concurso de Bandas de Garagem promovido pela Câmara Municipal de Odivelas vencido em 2003 e a participação no Cabaret da Côxa da Sic Radical neste mesmo ano.

A maquete apresenta-nos um conjunto de 5 temas caracterizados por uma serenidade muito própria e ao mesmo tempo, perturbadora. O disco e o som que dele emana, procura uma posição de alguma intimidade entre o músico e o ouvinte, apelando a alguma calmia (inquietante por vezes), sustentada por ambientes escuros, cravados entre o silêncio e o bulício, essa fronteira por vezes inexistente, como são exemplos, os dois primeiros temas: “Departure To The Past” e “Waterfall”.

Gravada em Junho de 2003, a maquete “New Connection” é o primeiro registo da banda e surge-nos como a primeira fase de um processo evolutivo em que a banda lisboeta se encontrava na altura, e que neste momento, tendo passado pouco tempo, já ultrapassou de uma forma bem marcante e positiva sedimentando musicalmente o seu som em bases caracteristicamente mais sustentáveis.

Este registo dos New Connection mostra-nos uma banda à procura do seu espaço, aqui e ali presos ainda a algumas influências, mas a mostrarem-se decididos a trilhar o seu caminho, em busca da uma originalidade, não cedendo ao caminho fácil do som estereotipado e comercial, vagueando antes, pelo atmosfera difícil e complexa das sonoridades mais alternativas. O objectivo foi atingido, este registo deixa-nos inquietos, curiosos por sentir a evolução do grupo, deixa-nos assim, ligados.

Os New Connection são marcadamente uma banda em evolução, tanto em termos técnicos como em termos criativos, e para muito melhor, os últimos concertos mostra-nos uma banda a desmarcar-se cada vez mais do facilitismo modista do trip-hop, que os marcou no seu início e a enveredar pelo campo de um pop mais alternativo, menos sombrio, mais arrojado, mais sonoro, testando mesmo algum experimentalismo e explorando cada vez mais a voz em ascensão de Sandra Cachaço.

Em “New Connection” o intimismo musical é explorado ao máximo, e de forma descomplexada, até pela abordagem multilinguística que o grupo faz dos seus temas, utilizando o francês, o inglês ou o alemão para comunicar, como acontece em “Momente”, para nos manter, ligados…

O ambiente misterioso de “Smoke Fantasy” oferece-nos o tema mais original a nível instrumental, talvez fruto da utilização do sitar tocado pelo convidado João Alves (The No-Counts Doctrine Of Mayhem), mas mostra-nos igualmente a nível vocal, o tema onde mais se notam as influências iniciais do grupo. Ainda assim, e decididamente, um dos temas mais interessantes da maquete.

Marcada por uma ambiência perturbadora que se prolonga, um som escuro, solitário, que se prolonga até ao último tema, quiçá o mais expedito, mais forte e apelativo a um certo abanar dos músculos, contrariando o apelo mais intimista do resto do disco, o som dos New Connection leva-nos no seu embalo para o acordar em “Jeanette”. A ligação está concluída.

Os New Connection, são hoje uma das novas bandas portuguesas em ascensão no difícil meio musical luso, a tentar trilhar o seu próprio caminho, fazendo a sua evolução evoluindo, em busca de um som e estilo próprios, cada vez mais definido à sua imagem, equilibrando os registos tristes, belos e melancólicos, de ambiências soturnas, com os apelos às entradas sonoras de alguma luz como sucede em “Jeanette”.

Maquete a ouvir rapidamente e se possível a confirmar ao vivo, enquanto se aguarda ansiosamente nova ligação…!

Maquete “New Connection” – New Connection – 2003(8/10)

01 Departure To The Past

02 Waterfall

03 Momente

04 Smoke Fantasy

05 Jeanette

Sítio:newconnection.planetaclix.pt

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LETRAS|”Carta” – Toranja

Janeiro 19th, 2004 | versão papel versão papel

“Carta” – Toranja

Não falei contigo

com medo que os montes e vales que me achas

caíssem a teus pés…

Acredito e entendo

que a estabilidade lógica

de quem não quer explodir

faça bem ao escudo que és…

Saudade é o ar

que vou sugando e aceitando

como fruto de Verão

nos jardins do teu beijo…

Mas sinto que sabes que sentes também

que num dia maior serás trapézio sem rede

a pairar sobre o mundo

e tudo o que vejo…

É que hoje acordei e lembrei-me

que sou mago feiticeiro

Que a minha bola de cristal é feita de papel

Nela te pinto nua

numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste

que o teu destino foi inventado

por gira-discos estragados

aos quais te vais moldando…

E todo o teu planeamento estratégico

de sincronização do coração

são leis como paredes e tetos

cujos vidros vais pisando…

Anseio o dia em que acordares

por cima de todos os teus números

raízes quadradas de somas subtraídas

sempre com a mesma solução…

Podias deixar de fazer da vida

um ciclo vicioso

harmonioso do teu gesto mimado

e à palma da tua mão…

É que hoje acordei e lembrei-me

que sou mago feiticeiro

e a minha bola de cristal é feita de papel

Nela te pinto nua

Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite

sem pedir autorização por escrito

ao sindicato dos Deuses…

mas não fui eu que te escolhi.

Desculpa se te usei

como refúgio dos meus sentidos

pedaço de silêncios perdidos

que voltei a encontrar em ti…

É que hoje acordei e lembrei-me

Que sou mago feiticeiro…

…nela te pinto nua

Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém

O tiro passou-me ao lado

Ainda magoas alguém

Se não te deste a ninguém

magoaste alguém

A mim… passou-me ao lado.

(Letra de Tiago Bettencourt)

CD “Esquissos” – Toranja (2003/Universal)

Sítio:toranja.clix.pt/index3.html

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TROMPALISTA|nº1: 19 de Janeiro

Janeiro 19th, 2004 | versão papel versão papel

Chegou a hora de colocar as audições da semana em ordem e por ordem. Não, não é nenhuma lista de vendas (é pena), nem nenhuma lista elaborada segundo as votações de alguém, é apenas uma lista virtual de alguns dos temas que ouvi na semana passada e que mais gostei, sem grandes preocupações temporais. Isto é, são apenas escolhas, influenciadas pelo próprio ritmo da semana.

1″Ballerina” – Kafka

2″Hungry” – Bunnyranch

3″X-Genes” – Ghost in the Machine

4″Amputed leg” – Stowaways

5″Demons in cars” – In Her Space

6″I Believe” – Blasted Mechanism

7″You are the man” – Houdini Blues

8″Astray” – Alla Pollaca

9″Children still fall free from ice” – Loosers

10″Hino à nossa luta” – Linha Geral

11″Barca da Salvação” – Hiranygarbha

12″Entrudo” – Fadomorse

13″Rouge” – Sloppy Joe

14″Say” – Anger

15″Que Deus te dê o dobro de tudo o que nos desejares” – Stealing Orchestra

16″Broken Drone” – The Ultimate Architects

17″Fuck the christmas I got the blues ” The Legendary Tiger Man

18″j.butterfly” – Mourah

19″Chaga” – Ornatos Violeta

20″Viva!” – Sam the Kid

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