Abril, 2009

HÁ 1 ANO ATRÁS|”Lady Cobra” – Riding Pânico

Abril 30th, 2009 | versão papel versão papel

Um choque? A confirmação? Mas não, pasme-se: “Lady Cobra” não é um disco surpreendente, mesmo que o inicial “E se a Bela for o Monstro” seja por demais excitante – como tudo o que se lhe segue. A estupefacção? Sejamos rigorosos, não será surpreendente para quem conhece a curta história dos Riding Pânico; uma história redigida através de dois EP e alguma rodagem pelos parcos palcos deste país. Na verdade, apetece exclamar:
- Riding Pânico de corpo inteiro, finalmente!
Por outro lado – agora o certo, “Lady Cobra” é um disco surpreendente – mesmo que não o seja, sendo de todo reconfortante tomar consciência como o septeto lisboeta ultrapassou algum possível receio existente em redor do primeiro álbum, advindo de alguma ansiedade criada por uma actividade anterior já de si reconhecida. Mas então? Não, “Lady Cobra” não é um disco surpreendente – mau Maria!, “Lady Cobra” é apenas a confirmação de uma maioridade, do estado de maturidade criativa e estética a que chegaram os Riding Pânico. Um estado emocional superior que lhes permitiu libertarem-se, expandindo-se criativamente. Sem vozes, apenas com a electricidade; psicadélica, melódica…interiormente vibrante.
Eléctrico, espaçadamente denso, pintalgam de intensidade abstractas paisagens urbanas, cheias, escuras, perdidas de multidão“; frase escrita por aqui por ocasião do primeiro EP do grupo, continua em “Lady Cobra” a fazer todo o sentido. Muito sentido. Diria mesmo que até se acentua. É uma tensão controlada, a que ressalta de cada argumento traçado para este disco; a manhã, o sol, o vento, a chuva, a tempestade, a noite, o sonho – são ambientes. Nunca a tentação do ensurdecedor abraça os Riding Pânico, há antes uma tensão constante situada algures entre o hipnotizante e o explosivo, um lento caminhar que não se esgota numa qualquer ideia de pós-rock, pós-hardcore ou pós-qualquer coisa. “Lady Cobra” deixa conhecer uns Riding Pânico mais expansivos, livres, mais criativos e construtores de uma sonoridade fundamentada num crescendo de electricidade, postada entre uma bateria de início preguiçosa – depois bem nervosa – e umas guitarras em extensão – depois em distensão, qual introdução de um movimento cíclico e repetido a cada faixa; e como esquecer a beleza acústica do piano nos belíssimos interlúdios “Naja” e “Àspide”? – sem esquecer a presença da harpa de Eduardo Raon e do violoncelo de Daniela Rodrigues.
Puro deleite, deixar a imaginação participar na construção das paisagens sónicas expostas, quase sempre contundentes na sua síntese. A reconstrução mental de todo um cenário, qual movimento ritualístico em volta de uma ideia – há quem lhe chame comunhão. Uma ideia de rock instrumental portentoso, ambiental, atmosférico, qualquer coisa com muitas cores, muitas tonalidades, nem sempre muito definidas, mas quase sempre encantatórias. E depois, dá sempre que pensar; pensar que ao vivo os Riding Pânico transfiguram-se e são ainda melhores; o limpo vira sujo; a deambulação vira geralmente crispação. Aqui, “Lady Cobra” cumpre o seu papel.
Intenso. Afinal, surpreendente. Grande disco.

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“Lady Cobra” – Riding Pânico (Raging Planet, 2008)

género: rock
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CUSTO ZERO|”Vi-os Desaparecer na Noite” – Tiago Gomes & Tó Trips

Abril 30th, 2009 | versão papel versão papel
É o registo que se esperava das deambulações de Tiago Gomes (voz e leituras) e Tó Trips (guitarras e percussões ) pela estrada de Jack Kerouac. O próprio Tiago Gomes explica: “Esta viagem tem decorrido com várias aventuras, chegadas felizes, paisagens luxuriantes ou inóspitas, caminhos cruzados com outros viajantes, e claro, alguns furos e mudanças de rumo, sempre guiados pelo on the road de Jack Keuroac mas, com muitas estradas, textos, sons, imagens cruzadas de outros viajantes: Lou Reed, Tom Waits, Marc Ribot, Jim Jarmusch, William Burroughs, um cabeleireiro de Aveiro, um fazedor de sandes de carne assada com taças de vinho verde no Porto, um barman dos Açores, um baterista furioso em Coimbra, picnics à beira da estrada, directas a conduzir, América perdida, América sonhada, Portugal profundo, ilhas, prego a fundo..” (Tiago Gomes).
Bela viagem, partilhada também por Paulo Gouveia (baterista), Francesco Valente (contrabaixo), José Lencastre (Saxofone), Luís Vicente (trompete), Mafalda Nascimento (violoncelo) e João Cardoso (piano).

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Outros títulos da 1ª Série Optimus Discos:
- “Circles” – The Pragmatic
- “Beat Journey” – DJ Ride
- “Aurora” – Madame Godard
- “Child of the Moon” – Tiguana Bibles
- “The Bombazines” – The Bombazines


“Vi-os Desaparecer na Noite” – Tiago Gomes & Tó Trips (Optimus Discos, 2009)

género: spoken word
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VIDEOCLIP|”Catraia” – Os Tornados

Abril 30th, 2009 | versão papel versão papel
Do Porto, com muito twist. Enquanto nao chega o disco de estreia, aqui fica o primeiro videoclip d’Os Tornado. A realização foi de André Tentúgal.

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género: rock

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CUSTO ZERO|”The Bombazines” – The Bombazines

Abril 29th, 2009 | versão papel versão papel
É mais um projecto com algum burburinho por trás. Este, porque trazia de novo para a ribalta a voz dos Sloppy Joe, Marta Ren, assim como uma das vozes dos saudosos Zen, Rui ‘Gon’. De qualquer forma, Rodrigo Affreixo explica: “Elementos ligados a projectos musicais portuenses de diferentes tipologias e qualidade comprovada* reuniram-se há cerca de dois anos, como The Bombazines, firmes na intenção de viajar e desbundar por canções fora de época, assentes na vertente mais “áspera”, mais “suja”, da tradição soul/funk – naquela fase rare groove, a abrir caminho para o p-funk, bastante psicadélica, ali na fronteira dos anos 60/70. Pela mão de Eurico Amorim, os teclados vintage estão lá, quase omnipresentes, quase instrumento solo, a recordá-lo, enquanto Marta Ren se transfigura em espantosas vocalizações funk “old school”. Mas, já que estamos em ambiente psicadélico, a viagem não acaba por aqui.
Quando Rui Gon entra em acção, há rasganços hardcore que nos disparam tanto para a actualidade rock como para a “Madchester” da transição dos anos 80/90, no âmbito da qual já se haviam levado a cabo reinterpretações do rare groove, com o primeiro boom das raves como pano de fundo (Happy Mondays, Stone Roses, Primal Scream…).
.” (Rodrigo Affreixo).
Boa!


“The Bombazines” – The Bombazines (Optimus Discos, 2009)

género: rock
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HÁ 1 ANO ATRÁS|”Visceral” – Sparagmos

Abril 29th, 2009 | versão papel versão papel

Visceral; no verdadeiro sentido da palavra. Mesmo.
O regresso da MiMi Records às edições nacionais, fez-se com mais um grande registo de Sparagmos; “Visceral”, assim se chama o novo EP. Depois de ter lançado já este ano, pela Enough Records, o álbum “iii“, André Coelho (Kult e Sektor 304) e o seu projecto Sparagmos, regressam às edições com mais uma autêntica bomba sonora. Como é seu timbre, os ambientes são densos, negros, resvalando quase sempre para um noise industrial absolutamente arrebatador, arrasador, a espaços cortado por vozes inquietantes; inquietadoras. Foi um fim de noite bem agitado…
…por mais um excelente registo de Sparagmos.

grátis

capa de iii
“Visceral” – Sparagmos (MiMi Records, 2008)

género: rock
género: industrial sítio

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VIDEOCLIP|”A Gaivota” – Amália Hoje

Abril 29th, 2009 | versão papel versão papel
Para os mais distraídos, é o primeiro single de um novo projecto idealizado por Nuno Gonçalves (The Gift): Amália Hoje; Sónia Tavares (The Gift), Fernando Ribeiro (Moonspell) e Paulo Praça dão voz à ideia – uma recriação pop do universo musical de Amália. Uma edição La Folie e Valentim de Carvalho. Este parece perfeito.

género: pop

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NOVIDADES|”Unlock” – The9thCell

Abril 29th, 2009 | versão papel versão papel

Mais The9thCell; e de graça.
Ainda antes de lançar o ábum “Point Blank Range”, previsto para sair no próximo dia 2 de Julho, The9thCell (a.k.a. David Pais) lançou no passado 25 de Abril o EP “Unlock”. O novo registo é composto por 5 temas – “Pride” (com Zargo – NoTribe); “The Tendency”; “Blahblah”; “Cadavers, Inc” (com Zargo – NoTribe); “The Fashion Lovers” (remisturada e remasterizada) e tem distribuição gratuita através dos sítios do projecto.
Livre, portanto…

grátis

capa de Unlock
“Unlock” – The9thCell (Edição de Autor, 2009)

género: metal
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HÁ 1 ANO ATRÁS|”Sempre de Mim” – Camané

Abril 28th, 2009 | versão papel versão papel

A voz; o fado…
Esta não é apenas uma referência a “Sempre de Mim”, é essencialmente uma referência ao artista Camané. Não só pelo grande fadista que é, há muito a nossa melhor voz masculina no fado – no mínimo, mas também pela abertura de espírito, pela liberdade e frontalidade com que enfrenta outros desafios – os Humanos o mais visível.
Sem gravar originais desde 2001, ao quinto álbum, Camané oferece-nos um disco fantástico. São 16 temas interpretados com uma segurança incrível, com aquele sentimento que só o fado, quando bem cantado, faz sentir; gela, mostra aquela pele de galinha. Bem vincado o seu tradicionalismo, nos 10 fados tradicionais que evoca, com letras minuciosamente escolhidas de Pedro Homem de Mello, Luís de Macedo, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa, Manuela de Freitas e Jacinto Lucas Pires, Camané não deixa de mostrar algum modernismo, alguma evolução, especialmente na forma como os instrumentos completam os arranjos em alguns fados – ouça-se o belíssimo “Este Silêncio”. Depois, há ainda originais do histórico Alain Oulman, um inédito de Sérgio Godinho e três músicas de José Mário Branco. É este que mais uma vez e brilhantemente, assume as rédeas da produção. Sobre o resto e sobre tudo, dizer que é apenas fado, sem mácula, consciente e com uma produção irrepreensível, capaz de deixar fluir toda a musicalidade por entre as palavras firmes ditadas por Camané.
Não é mais um disco de Camané, é o disco. Perfeito, porque não.

som

capa de Sempre de Mim
“Sempre de Mim” – Camané (EMI, 2008)

género; fado
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CUSTO ZERO|”Child of the Moon” – Tiguana Bibles

Abril 28th, 2009 | versão papel versão papel
Há já algum tempo que o burburinho estava instalado. Dizia-se que era o novo projecto de Victor Torpedo (Tédio Boys; Blood Safari; The Parkinsons) e Kaló (Tédio Boys; Bunnyrnch). E é mesmo. Agora explica-se a coisa: “O que acontece quando as peças desgovernadas de várias – e oleadas – locomotivas rock como Bunnyranch, Tédio Boys e Parkinsons chocam de frente com uma voz de veludo como a de Tracy Vandal? A resposta é simples, mas nem por isso menos surpreendente: nasce, à mesa de «uma espelunca» regada a cerveja, um grupo chamado Tiguana Bibles, que agora se estreia com um EP de canções que parecem existir desde sempre, ou pelo menos desde que Nancy Sinatra, Jane Birkin e demais deusas do desfrute tornaram aceitável – e desejável! – que a luxúria e demais pecadilhos encarnassem em voz de mulher. Em tempos companheira de Alex Kapranos, agora líder dos Franz Ferdinand, na defunta banda Karelia, Tracy Vandal é a «voz açucarada» a que Victor Torpedo (guitarra), Carlos «Kaló» Mendes (bateria) e Pedro Serra (contrabaixo) se referem quando recordam o «parto» dos Tiguana Bibles..” (Optimus Discos).
Agora já estamos descansados.


“Child of the Moon” – Tiguana Bibles (Optimus Discos, 2009)

género: rock
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ONLINE|Checksound #14

Abril 28th, 2009 | versão papel versão papel
Já está on-line o #14 da gratuita Checksound, revista de fotojornalismo musical.
Lá dentro, os destaques nacionais vão para SUPA, Corpus Christi, In Tha Umbra, The Firstborn, The Ransack, Theriomorphic, doismileoito, The Vicious Five, A Thousand Words, Ghost Down, Reaching Hand, Reality Slap, Kandia, Slimmy, Mind Overflow, Decreto 77, Albert Fish, Dazkarieh e José Cid, entre outros.
Todos os meses, sempre gratuita.

Aviso: Contém conteúdo de carácter sexual susceptível para alguns leitores.

capa de checksound #14
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CUSTO ZERO|”Aurora” – Madame Godard

Abril 27th, 2009 | versão papel versão papel
Chegou a vez dos Madame Godard nos Optimus Discos. E chegou em boa hora, enquanto não se vê a luz do há muito esperado álbum de estreia, um disco produzido por Paulo Miranda. Mas para já, fiquemos com esta “Aurora”: “Têm nome de senhora mas postura de «mademoiselle», menineira na forma como brincam com as canções, as referências – que vão da música aos filmes, passando pelas mais expressivas artes de rua – e com o seu próprio percurso, menos jovem do que a sorridente «cara» deste EP possa indicar. Aurora pinta-se com as mesmas cores – ligeiras e esperançosas, logo irresistíveis – de um nascer do sol, e representa de facto uma nova jornada na vida de uma banda cujas primeiras «medalhas» – uma aplaudida passagem por Paredes de Coura, um segundo lugar no Termómetro Unplugged – começaram a ser coleccionadas ainda na década de 90. Naturais de Viana do Castelo, Juvenal Vieira, Pedro Amaro, Paulo Oliveira, Paulo Gonçalves e José Ribeiro provam, na mão cheia de canções que Aurora traz, que conseguem ser felizes em qualquer parte do mundo em que o sol brilhe – e até em Inglaterra, com cuja pop mais clássica dançam em «Queens of the Twilight», a música que abre o disco.” (Optimus Discos).
Em download gratuito…


“Aurora” – Madame Godard (Optimus Discos, 2009)

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HÁ 1 ANO ATRÁS|”Marchas, Danças e Canções” – Fernando Lopes-Graça

Abril 27th, 2009 | versão papel versão papel

Simplesmente magnífica, esta 3ª edição da obra de Fernando Lopes-Graça (nascido em Tomar, a 17 de Dezembro de 1906), “Marchas, Danças e Canções”, reeditada pela CGTP-IN – a detentora dos direitos – em Outubro de 2007. Editada pela primeira vez em 1946, pela Seara Nova, e rapidamente retirada de circulação pela PIDE, a obra viria a ser reeditada, já pela CGTP-IN, em Outubro de 1981. Aproveitando as comemorações do 100º aniversário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, a CGTP-IN decidiu reeditar a obra, excelentemente encadernada e enriquecida pela 2ª edição do CD com o mesmo nome; onde marchas, danças e outras canções podem ser ouvidas. Mas há mais; o CD é ainda composto por uma riquíssima faixa multimédia, onde se pode encontrar informação completa sobre a obra do autor nabantino – biografia, discografia, bibliografia, etc., assim como as pautas digitais – em PDF – de todos os temas incluídos no CD.
Absolutamente imperdível. Mesmo.

capa de Marchas, Danças e Cançõess
LOPES-GRAÇA, Fernando, “Marchas, Danças e Canções“, Lisboa, CGTP-IN, 3ª Edição, 2007.

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NOVIDADES|”Tasca Beat: O Sonho Português” – O’queStrada

Abril 27th, 2009 | versão papel versão papel
“Oxalá te Veja”…
É assim que os fantásticos O’queStrada nos apresentam o seu novo disco. É o tema de avanço para “Tasca Beat: O Sonho Português”, o esperado álbum de estreia da trupe da Margem Sul. No caminho da constante reinvenção da música popular, é o mais que esperado regresso do grupo de João Lima (guitarra portuguesa), Pablo (contra-bacia), Zeto Feijão (guitarra e voz), Miranda (voz) e Donatello Brida (acordeão). Está tudo em 14 temas, imagem perfeita do universo O’queStrada. Bravo.
O disco chega hoje às lojas.

som

capa de Tasca Beat: O Sonho Português
“Tasca Beat: O Sonho Português” – O’queStrada (SonyBMG, 2009)

género: popular
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HÁ 1 ANO ATRÁS|”Maldoror” – Mão Morta

Abril 26th, 2009 | versão papel versão papel

Fiz um pacto com a prostituição para semear a desordem nas famílias.” (“A Prostituição”)

Lançado numa edição de luxo limitada a apenas 3.000 exemplares, “Maldoror” é isso mesmo, nos seus mais variados sentidos, uma edição de luxo. Por fora e por dentro, na teoria e na prática, consciente ou inconsciente, “Maldoror” é mais um grande disco do colectivo bracarense, liderado pela figura única de Adolfo Luxúria Canibal. Mais do que um disco que é também um espectáculo, ou um espectáculo que também é um disco, “Maldoror” vem confirmar a grande forma criativa em que mantém os Mão Morta. Baseado no livro “Os Cantos de Maldoror”, obra maldita de Isadore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, “Maldoror” seria à partida, até para os Mão Morta – eles mesmo o confirmam, algo de tão arriscado como desafiante. Mas aconteceu.

Estou sujo. Roído de piolhos. Os porcos, quando olham para mim, vomitam.” (“A Porcaria”)

Desafio abissal. “Maldoror” é um espectáculo total, moderno, complexo, uma experiência única feita de teatro, vídeo, música e declamação. Seguindo o mesmo sentido de “Müller no Hotel Hessicher Hof”, tendo a literatura como rastilho do restante processo criativo, em “Maldoror” e contra todas as dificuldades narrativas que a própria obra encerra, o grupo vence em toda a linha, dando-lhe uma forte consistência e a congruência possível, necessárias à sua dramatização – música incluída. O 10º álbum de originais dos Mão Morta nunca desilude, muito pelo contrário, a cada acto, há uma vontade que se renova, uma vontade de usufruir do capítulo que se segue. Menos roqueiro que o habitual, em “Maldoror” são os ambientes que imperam, mais ou menos simplificados nos acordes, na forma como a electrónica pousa certeira em palco; são eles que dão cor ao excelente trabalho narrativo – e performativo - de Adolfo Luxúria Canibal. No lado oposto, nos momentos de maior densidade, quando todo o complexo instrumental entra em palco, os Mão Morta de sempre acordam; acordam-nos. É algo que se completa, brilhantemente, não deixando espaço para mais isto ou aquilo. Chega a ser arrepiante entrar em todo o universo de “Maldoror”.

Eu sonhava que tinha entrado no corpo de um suíno, do qual não me era fácil sair, e que chafurdava os pêlos nos lodaçais mais imundos” (“O Sonho”)

Que mundo terrível nos é dado a conhecer pelo narrador Lautréamont, numa lírica absolutamente assustadora, pesada, negra. Um mundo que os Mão Morta abraçam de uma forma apaixonante, com os seus bichos estranhos, coisas, quadros figurativos de um mal extenso; do antigamente e do agora. O texto não é fácil, mas a solução encontrada é perfeita; única. Não sendo na estética musical um disco surpreendente, não deixa dúvidas o facto de ser efectivamente um disco de Mão Morta; um excelente disco, sendo extraordinária a forma como o grupo reinventa a sua história, a sua banda sonora, retirando de todo aquele estranho e perturbador texto, algum sentido. Tudo parece estar no sítio certo, tudo entra na hora combinada, tudo termina quando deve. Sem deslizes, omissões ou exageros, “Maldoror” é de uma densa sobriedade; absorvente. Entre o teatro e a música, os Mão Morta conseguem mais uma vez fazer as duas resultar. E que resultado. Mas isto é a música. Por outro lado, fica sempre a ideia que “Maldoror” só fica definitivamente completo quando o som e as palavras encontrarem a imagem; em palco ou em DVD – a sair brevemente.

A poção mais lenitiva que te aconselho é uma bacia cheia de um pus blenorrágico com caroços, no qual se tenha previamente dissolvido um quisto piloso do ovário, um cancro folicular, um prepúcio inflamado arregaçado da glande por uma parafimose e três lesmas vermelhas.” (“A Poção”)

No palco, a encenação foi de António Durães, a cenografia de Pedro Tudela, os figurinos de Cláudia Ribeiro, o vídeo por Nuno Tudela e o desenho de luz de Manuel Antunes. Em palco, os Mão Morta, são Adolfo Luxúria Canibal – voz, Miguel Pedro – electrónica e bateria, António Rafael – teclados e xilofone, Sapo – guitarra, Vasco Vaz – guitarra e xilofone e Joana Longobardi – baixo e contrabaixo. Um pesadelo tornado realidade, este “Maldoror”.
Fantástico!

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“Maldoror” – Mão Morta (Cobra Discos, 2008)


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CUSTO ZERO|”Beat Journey” – DJ Ride

Abril 26th, 2009 | versão papel versão papel
Arrancou a Optimus Discos; e que arranque.
Projecto criado pelo radialista Henrique Amaro, a Optimus Discos pretende editar música portuguesa de forma gratuita – disponível durante um ano. Para além da versão digital, gratuita, os discos (EP’s) serão também vendidos em formato físico, numa edição limitada a 500 exemplares.  A partir de 4 de Maio, por 4,95€ cada, em exclusivo nas lojas fnac. Para esta primeira série, Henrique Amaro preparou um pacote de luxo. São seis as novidades da música moderna portuguesa; em simultâneo. Em jeito comemorativo, a trompa dedicará um dia a cada uma delas.

Sobre a edição de DJ Ride, o EP “Beat Journey, vamos recuperar as palavras de Rui Miguel Abreu: ” A “beat journey” que Ride agora nos apresenta é outro resultado de uma mente prodigiosa: breaks escolhidos com precisão cirúrgica, um entendimento superior da ciência de produção, arranjos que revelam uma mente em efervescente concentração: Ride desenha o futuro em cada novo beat e aí se cruzam as mais recentes referências – dos fracturantes baixos do mais avançado dubstep às mais ácidas linhas sintetizadas criadas em los angeles por estetas como flying lótus, passando pela liberdade do jazz, pelo rigor da electrónica e pelo peso do hip hop mais tradicional. O incrível, o inesperado, é que Ride combina tudo isto em proporções inéditas, oferecendo-nos música que nunca se ouviu antes: em parte nenhuma do planeta. A imaginação é nele uma ferramenta muito mais importante do que qualquer mpc, laptop ou teclado moog, embora todos esses artefactos lhe sirvam para traduzir o que lhe vai na alma, no cérebro e nas veias.” (Rui Miguel Abreu)

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Outros títulos da 1ª Série:
- “Aurora” – Madame Godard
- “Child of the Moon” – Tiguana Bibles
- “The Bombazines” – The Bombazines
- “Vi-os Desaparecer na Noite” – Tiago Gomes & Tó Trips
- “Circles” – The Pragmatic


“Beat Journey” – DJ Ride (Optimus Discos, 2009)

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CLASSIFICADOS|Tiago Morgado procura projecto para trabalho académico

Abril 26th, 2009 | versão papel versão papel
Junto segue a missiva:
Tiago Morgado, mentor da XS-Records [pt netlabel], figura associada a projectos como Necrostilet, Uncle Bart Comes to Have Breakfast, Rainbows ou DNP X-Citer, encontra-se de momento à procura de bandas interessadas em fazer pequeno trabalho de estúdio (EP), para um trabalho académico. As bandas devem deslocar-se a Castelo Branco pelos seus próprios meios, não existindo ajudas de custo para os gastos. Tem contudo acesso a um estúdio profissional, equipado com um Mac G5, com uma mesa da Midas, dois monitores da Adam, uma digi 002, um conversor adat da Lynsis, pres da DBX patchbay da Behringer, salas com tratamento acústico profissional, vários micros, incluindo Shure sm 57, 58, vários micros da AKG, incluindo o clássico solidtube, um par de micros de condensador da Schoeps, micros de diafragma largo da Senheiser, audio technica, entre outros. As bandas interessadas deverão enviar uma demo em formato mp3, num ficheiro zip por yousendit ou serviço similar, para tiago_vla@sapo.pt, assim como o contacto e informações gerais sobre a banda, incluindo biografia da mesma, breve descrição da experiência profissional dos vários membros e myspace. As bandas deverão ter uma formação standard de rock, com guitarras, baixo, bateria e voz. De referir ainda a possibilidade de se gravarem arranjos com performances de músicos com formação clássica de nível superior (exemplo: quartetos de cordas, ou instrumentistas de sopro).

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AVISOS À NAVEGAÇÃO|Uma trompa de molho

Abril 26th, 2009 | versão papel versão papel
Serviços mínimos…
Na próxima semana, o maestro vai estar a bulir além fronteiras, por isso sem grande disponibilidade para a blogosfera. De resto e como sempre, a tasca não fecha. Digamos que vai ser uma semana em marcha lenta.
Lá para sexta-feira estarei de volta.

trompa em serviços mínimos

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ESPECIAL|25/04

Abril 25th, 2009 | versão papel versão papel

Sem mais palavras…

Nota: Se o autor ou outros detentores dos direitos sobre esta faixa se sentirem de alguma forma lesados, queiram desde já aceitar as minhas desculpas e informar-me do seu desagrado. Obviamente, o tema será de imediato retirado do blogue.

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EM SÍNTESE|”The Beast Brigade” – Theriomorphic

Abril 24th, 2009 | versão papel versão papel
Três anos após “Enter The Mighty Theriomorphic” (Exorcize Music), o primeiro álbum da banda lisboeta, os Theriomorphic marcaram o ano de 2008 com um novo disco. Novo e aconselhável. Na verdade, nada que não esperássemos já. Depois de algumas alterações no line-up – entradas do guitarrista Cláudio (Sannedrin) e do baterista André (ex-Shadowsphere), a banda de Jó (voz e baixo), Zé (guitarra), Cláudio (guitarra) e André (bateria), soube dar continuidade ao que lhes ouvíramos antes. Na altura, sobre o anterior álbum, dissemos possuirem estes um “Death Metal poderoso, agressivo, naturalmente pujante, tecnicamente perfeito“. Em “The Beast Brigade” a violência mantém-se, dando espaço a um jogo de parada e resposta absolutamente devastador; também melódico; sempre agressivo. Sem floreados, e sempre com o Death-Metal a Norte – ainda que se percebam alguns cruzamentos, o som dos Theriomorphic é duro, directo, cru e negro como a noite. Com personalidade.
Entre os convidados, e para além de Hugo Camarinha, também produtor – como acontecera no anterior registo, estão ainda o antigo guitarrista da banda, Sid, W dos Decayed e Paulo Gonçalves dos Shadowsphere.
Com autoridade; uma referência importante no metal luso de 2008.

som

capa de Arquétipos da Alma
“The Beast Brigade” – Theriomorphic (Dethstar Wreck’ordes, Praise Unholy Records, 2008)

01 Rise Of The Theriomorphic
02 Dark Sky Above
03 The Beast Brigade (part I)
04 Maledict
05 Operators Of Triumph
06 The Necroid
07 Shadowlore
08 Flesh Denied
09 A Final Journey
10 The Beast Brigade (part II)

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NETLABELS|”090309″ – The Astroboy

Abril 24th, 2009 | versão papel versão papel

The Astroboy está de volta…
E está de volta com um novo álbum, o sucessor de “A Derrota da Engrenagem” (test tube, Lovers & Lollypops, 2007) – ao qual devemos juntar ainda o EP de 2006, “EP01” (Bump Foot). São 13 novas faixas a vaguearem no campo da electrónica abstracta. É assim que se apresenta em press release a música de Luís Fernandes, o autor, também guitarrista dos peixe : avião. Continuando, diz-se ainda ser este “um trabalho de 13 temas assente em improviso e emotividade. Não se trata de um trabalho de cariz conceptual, mas antes um exercício introspectivo e escolástico, como uma radiografia do aqui e agora” (press release). O disco foi gravado, misturado e masterizado por José Arantes.
“090309″ é também o primeiro registo da Cobra Digital, a nova netlabel da Cobra Discos.

ouvir (brevemente em download gratuito)


“090309″ – The Astroboy (Cobra Digital, 2009)

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