Que o MySpace, tal como outros semelhantes, é ou pode ser um espaço de divulgação musical por excelência, normalmente numa perspectiva de actualidade, já todos sabíamos, no entanto, este tem servido – ou pode servir – igualmente para evitar que alguma da nossa memória se dissipe – não havendo registo físico ou digital, contribuindo para que a curta história da música moderna portuguesa, se vá fazendo de uma forma mais visível, acima de tudo mais disponível; de um modo mais livre. São alguns desses casos que gostaria de ir aqui deixando, recorrendo à lista de amigos aqui do maestro, no MySpace. Esta é apenas a primeira parte d’O Roteiro dos Acabados – salvo seja:
Comecemos pelo romântico dos românticos; sabiam que a alma do falecido Tony de Matos também está no MySpace? Pois é, o lisboeta nascido no Porto no ano de 1924, está mesmo na grande rede. Depois, num salto acrobático – como era – é – seu timbre, chegamos ao grande Victor Gomes, de cabedal negro, uma das figuras maiores do nosso rock’n'roll dos anos 60. No encerrar da década de 70, a cair já para a de 80, o rock progressivo nacional era também sinónimo de Tantra, arrojado projecto musical – e cénico – liderado por Manuel Cardoso – estes nem sempre acabados. Numa nova e interessante pirueta – já na década de 80, abrimos alas para o inventivo e único Farinha Master e para os seus Ocaso Épico; qual espírito demente de uma nova pop – sempre nova, sempre diferente. E por falar em pop – agora mais a sério, outros nomes se alinham em definitivo; começando pelos Diva da vocalista Natália Casanova, passando pelos Entre Aspas de Tó Viegas e Viviane e terminando na pop mais alternativa dos Três Tristes Tigres, com Alexandre Soares e Ana Deus ao leme, tudo pode ser ouvido no MySpace – e ainda bem. De seguida e já quase no fim, num confronto entre uma cena mais indie e alternativa, é possível recordar os Superego, powertrio aveirense liderado por Jorge Cruz, recordar a juventude de uns Pinhead Society, terminando nuns excelentes Um Zero Amarelo – excelentes. Por esta altura, já cheirávamos os século XXI. Bem, mas para terminar esta primeira parte, regressemos ao século XX e a uma das imagens de marca do rock’n'roll coimbrão – e nacional; e que tal uns Tédios Boys?

Farinha Master (Ocaso Épico)
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