Posts tagged ‘Adolfo Luxúria Canibal’

DESTAQUE|Festival Silêncio!

Maio 27th, 2009 | versão papel versão papel

De 18 a 27 de Junho, Lisboa vai ser a capital da palavra. É o Festival Silêncio.
O Festival Silêncio é um evento internacional sobre a palavra dita, nas suas mais variadas expressões; um evento sobre as novas tendências do género. Pelos palcos da capital da palavra vão passar nomes como Rodrigo Leão, José Luís Peixoto, Olivier Rolin, Adolfo Luxúria Canibal, Rogério Samora, JP Simões, Francisco José Viegas, Sam the Kid, Jorge Silva Melo, DJ Ride, Filipe Vargas, John Banzai, Mark-Uwe Kling, Maria João Seixas, Alex Beaupain e Wordsong, entre muitos outros.
O Festival Silêncio! é um evento organizado pela 101 Noites, pelo MusicBox, pelo Goethe-Institut Portugal e pelo Instituto Franco-Português.

cartaz Festival Silêncio!
sítio

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NOVIDADES|”A Geração da Matilha” – Mundo Cão

Abril 20th, 2009 | versão papel versão papel
É hoje editado o segundo álbum de originais dos Mundo Cão. Com sede em Braga, e depois de um homónimo álbum de estreia editado em 2006, pela Som Livre, os Mundo Cão regressam em 2009 com um novo disco, tendo Adolfo Luxúria Canibal e Valter Hugo Mãe como responsáveis pelas letras de todos os temas do disco; “Ordena Que te Ame” é o single de avanço – letra de Valter Hugo Mãe e voz de Ana Vieira. Os Mundo Cão são compostos por Pedro Laginha (voz), Miguel Pedro (bateria, teclados, electrónica e coros), Vasco Vaz (guitarras, sintetizadores, programações e coros), Canoche (baixo) e Gonçalo Budda (guitarras e coros).
O disco foi gravado nos estúdios Valentim de Carvalho e foi produzido por Nélson Carvalho.

capa de Geração da Matilha
“A Geração da Matilha” – Mundo Cão (Cobra Discos, 2009)

tipo Pop-Rock
sítio www.cobradiscos.org

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DESTAQUE|Festival Overlive 2009

Março 16th, 2009 | versão papel versão papel
Já está fechado, o cartaz da IV edição do Festival Overlive.
Com o apoio da Câmara Municipal da Marinha Grande, do Sport Operário Marinhense e da Associação Célula&Membrana, o Overlive 2009 decorre nos dias 4, 10 e 11 de Abril, no Auditório José Vareda – Sport Operário Marinhense (Marinha Grande):

04 Abril, 22h00
This Is The Kit (ru)
Estilhaços (Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael)

10 Abril, 22h00
The Allstar Project
Lousy Guru

11 Abril, 22h00
Sean Riley & The Slowriders
Anaquim

O Festival Overlive é organizado pela Associação CISCO.

cartaz
sítio cisco-mg.blogspot.com

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NOVOS DESTINOS|Transporte de Animais Vivos

Fevereiro 14th, 2009 | versão papel versão papel
Não sei se há muito se há pouco, mas a editora Transporte de Animais Vivos já  tem sítio online. Na loja virtual podem adquirir-se os discos de Luís Ribeiro, The Partisan Seed, Perry Blake, Adolfo Luxúria Canibal & António Rafael e Electric Willow.

::Editoras::Transporte de Animais Vivos (www.transporte.com.pt)

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CROMOS DA MÚSICA PORTUGUESA|Adolfo Luxúria Canibal

Julho 29th, 2008 | versão papel versão papel
Obviamente; a música moderna portuguesa sem ele(s) não seria a mesma coisa.

info VER TODA A COLECÇÃO (até este momento).


sítio mao-morta.org
sítio www.myspace.com/maomorta

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À ESPERA|”01″ – Projecto Fuga

Maio 16th, 2008 | versão papel versão papel

O Projecto Fuga nasce da necessidade de escape. Da necessidade de evasão. Deixar tudo e fugir. Fugir inerte, ficar quieto e ouvir os sons e as palavras” (newsletter Let’s Start a Fire).

Projecto vencedor da categoria Antena 3 do Concurso CAAM 2007, uma iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Autores com o apoio da Rádio e Televisão de Portugal, o colectivo lusófono Projecto Fuga tem agendado para 7 de Julho o lançamento do seu álbum de estreia, “01″. Nas vozes, o novo disco conta com a presença de nomes como os de Enjel Eneh, Ana Deus, JP Simões, Teresa Gabriel, Fernanda Takai (Patu Fu), Pedro Bonifrate (Supercordas) e Adolfo Luxúria Canibal, entre outros. Antes disso, a partir de 16 de Junho, o disco estará à venda em www.fuga.pt (inactivo) no formato mp3 de alta qualidade.
Pelas amostras, a coisa promete…mesmo.

som Projecto Fuga.

imagem projecto fuga
(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

tipo Pop-Rock
sítio www.estudiofuga.net

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ESPECIAL|Semana “Maldoror” com Adolfo Luxúria Canibal

Abril 25th, 2008 | versão papel versão papel

É o último capítulo da entrevista amavelmente concedida, por e-mail, pelo líder dos Mão Morta. Obrigado.

(CONTINUAÇÃO)


> Foto: Rui Pires

10. Para quem vive neste pequeno meio que é a moderna música nacional, o lançamento de um novo disco dos Mão Morta cria sempre algum burburinho. Como encaram a ambiguidade de serem certamente o maior grupo rock de culto nacional, e continuarem a enfrentar as dificuldades de edição/distribuição/exposição que aparentemente enfrentam? Até que ponto isso influencia o vosso trabalho?
Adolfo Luxúria Canibal: Nós tomamos o nosso destino nas nossas mãos e fazemos criativamente aquilo que bem entendemos – se calhar, é esta autonomia e liberdade criativas que origina o respeito de que desfrutamos… Seja como for, as nossas dificuldades de edição e exposição estão intimamente relacionadas com a nossa autonomia, sempre soubemos que a nossa independência tinha um preço e sempre estivemos dispostos a pagá-lo. Mas, olhando à nossa volta, deparamos com as mesmas dificuldades de edição e exposição, ou piores, mesmo por quem aparentemente sempre se curvou às exigências do mercado, e isso, não nos deixando propriamente contentes, só nos fortalece a convicção de que fizemos as opções mais correctas. De resto, a única influência dessa situação no nosso trabalho é mesmo essa: uma vontade ainda mais forte de fazer exactamente o que nos apetece, independentemente das conjunturas, das modas e da má-língua!


> Ilustração: Isabel Llano

11. Acabadas as apresentações de Maldoror, o que podemos esperar dos Mão Morta? Voltamos a ter a banda em formato mais rock, mergulhada no seu próprio universo e a compor baseada nos seus textos, ou este formato mais teatral, criando a partir de textos e autores próximos do universo da banda é o caminho a trilhar no futuro? (Nuno Ávila – Santos da Casa)
Adolfo Luxúria Canibal: Ainda estamos demasiado embrenhados no “Maldoror” para conseguir pensar num qualquer após “Maldoror”. Seja como for, produções como “Müller no Hotel Hessischer Hof” ou este “Maldoror” implicam um tamanho investimento físico e financeiro que se torna incomportável generalizá-las. O ritmo de uma cada dez anos parece-me o mais saudável!


> Ilustração: Isabel Llano

12. O duplo-CD está aí – numa belíssima edição de luxo, o DVD a seu tempo chegará e faltam ainda pelo menos dois espectáculos de “Maldoror”; o que gostarias ainda de dizer aos leitores d’a trompa, de forma a convencê-los a irem ver-vos ao vivo ou a comprar o novo disco?
Adolfo Luxúria Canibal: Nunca fui muito bom a convencer quem quer que seja a fazer o que quer que fosse… E cada vez sou pior! Portanto, acho que nem me atrevo a aceitar esse desafio. Mas tenho fé, ainda assim, que tudo há-de correr pelo melhor!…

Tour Maldoror:
03 Mai (20h) – Theatro Circo – Braga

som Mão Morta.

Alternativo
sítio mao-morta.org
sítio www.cobradiscos.org

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ESPECIAL|Semana “Maldoror” com Adolfo Luxúria Canibal

Abril 24th, 2008 | versão papel versão papel

NOTA: Ainda não sei bem porquê, mas o Especial ‘Maldoror’ de ontem não aparece em alguns navegadores/computadores/ou qualquer coisa…confirmem por favor (ou utilizem o link anterior).

(CONTINUAÇÃO)


> Ilustração: Isabel Llano

8. Em que medida é que podemos associar Maldoror ao anunciado “fim do rock’n'roll’ na carreira dos Mão Morta? (Davide Pinheiro, jornalista – Diário Digital; DN)
Adolfo Luxúria Canibal: Não há qualquer fim anunciado relacionado com os Mão Morta, seja do rock’n'roll ou de outra coisa qualquer!… A ironia sempre esteve presente nos Mão Morta, e há-de continuar a estar, e de maneira nenhuma somos responsáveis pelas interpretações erróneas dessa ironia e muito menos pelos equívocos originados por essas interpretações. Assim sendo, também não podemos mandar para as costas de “Maldoror” especulações que são meros delírios de quem as profere – ou então podemos, delírio por delírio!…


> Ilustração: Isabel Llano

9. Quando o Adolfo anunciar o fim dos Mão Morta como grupo de rock, isso poderá significar que os Mão Morta irão eventualmente transformar-se – e dada a tendência de alguns dos vossos espectáculos conceptuais – num grupo de… Teatro ou de Performance? (António Pires, Jornalista – Raízes e Antenas)
Adolfo Luxúria Canibal: Os Mão Morta são um grupo de rock e só enquanto grupo de rock fazem teatro ou performance. Sempre assim foi desde o primeiro dia que pisaram um palco e só assim, do nosso ponto de vista, o rock, o teatro ou a performance são disciplinas interessantes para abraçar enquanto colectivo. Se um dia for anunciado o fim dos Mão Morta como grupo de rock esse anúncio só pode significar o fim dos Mão Morta pura e simplesmente.

(CONTINUA)

Tour Maldoror:
03 Mai (20h) – Theatro Circo – Braga

som Mão Morta.

Alternativo
sítio mao-morta.org
sítio www.cobradiscos.org

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ESPECIAL|Semana “Maldoror” com Adolfo Luxúria Canibal

Abril 23rd, 2008 | versão papel versão papel

HOJE, na Culturgest (Lisboa), “Maldoror”, o espectáculo!

(CONTINUAÇÃO)


> Foto: Rui Pires

5. Aquando da apresentação deste espectáculo, tive oportunidade de, uma semana antes questionar o Adolfo sobre a receptividade ao Müller e ao tipo de público que a ele aderiu, bem como a expectativa para a adesão a este Maldoror. A experiência dizia que, no espectáculo anterior, não obstante não se tratar de um espectáculo “típico” de Mão Morta, o público era essencialmente o público “clássico” dos Mão Morta, ou o mesmo que comparece aos concertos de rock.
Agora que Os Cantos de Maldoror já percorreram várias salas, faço de novo a questão: os Mão Morta garantiram neste espectáculo o seu público, ou já conseguiram convencer mais público interessado num espectáculo diferente da vertente rock dos Mão Morta. Por outras palavras: se o público mais ligado à poesia ou às artes de palco teve curiosidade em assistir a esta encenação – nem que essa tenha sido a primeira experiência ao vivo com os Mão Morta. (Manuel Melo – Sinfonias de Aço).

Adolfo Luxúria Canibal: Penso que sim, que terá havido um outro público, que normalmente não frequenta concertos rock, a ir assistir a este espectáculo – não só porque ele percorreu apenas salas de teatros, muitas delas já com o seu público cativo, mas também porque “Maldoror” foi programado em Festivais de Teatro, como aconteceu em Estarreja. Mas isto é mero exercício especulativo, baseado na lógica de probabilidades, porque de facto ninguém fez qualquer inquérito ao público presente em qualquer uma das datas de apresentação de “Maldoror” quanto aos seus hábitos culturais…


> Ilustração: Isabel Llano

6. Será que o séc. XXI vive à sombra de Maldoror e do seu niilismo? (João Carlos Callixto – Etnomusicólogo)
Adolfo Luxúria Canibal: O séc. XXI ainda gatinha apenas… Os “Cantos…” estenderam a sua influência, não só literária, por todo o séc. XX, com diferentes intensidades e em diferentes contextos, e como o devir acontece à margem dos cortes epistemológicos do calendário, nada nos garante que essa influência tenha ficado acantonada até 1999!


> Ilustração: Isabel Llano

7. Independente de toda a complexidade de “Maldoror”, esta é claramente uma obra típica de Mão Morta; da vossa análise, que diferenças, evoluções ou originalidades, poética e musicalmente, este disco/espectáculo traz ao universo dos Mão Morta?
Adolfo Luxúria Canibal: Do nosso ponto de vista ainda é cedo para tirar conclusões a esse nível. Esta obra parece-nos um corolário, mas só o futuro, com a sua capacidade de trazer nova luz ao passado, poderá confirmar isso ou, pelo contrário, vir indicar evoluções ou originalidades.

(CONTINUA)

Tour Maldoror:
23 Abr (20h) – Culturgest – Lisboa
03 Mai (20h) – Theatro Circo – Braga

som Mão Morta.

Alternativo
sítio mao-morta.org
sítio www.cobradiscos.org

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ESPECIAL|Semana “Maldoror” com Adolfo Luxúria Canibal

Abril 22nd, 2008 | versão papel versão papel

(CONTINUAÇÃO)


> Ilustração: Isabel Llano

3. Como já acontecera em certa medida com “Müller no hotel Hessischer Hof” – até com alguma naturalidade, este “Maldoror” é, musicalmente, um disco/espectáculo de ambientes; ele é exactamente aquilo que quiseram que fosse, ou houve casos onde não chegaram exactamente onde queriam? Não se torna este espectáculo, musicalmente, um pouco limitador?
Adolfo Luxúria Canibal: A música, mais do que mero ambiente, participa na enorme babel do imaginário à solta, criando rupturas, provocando leituras, imprimindo ritmos e reminiscências, e é exactamente aquilo que queríamos – de outro modo não fazia sentido apresentá-la! Aliás, não percebo bem a questão: nada nos impedia de continuarmos a compor até chegarmos onde queríamos caso não considerássemos essa meta já atingida! Quanto à segunda parte da questão, a resposta é igualmente negativa: musicalmente este espectáculo não foi nada limitador, bem pelo contrário, foi um enorme desafio.


> Ilustração: Isabel Llano

4. “Maldoror” parece ser também o resultado do trabalho de uma grande equipa; que peso tiveram nesta produção, nomes como os de António Durães, Pedro Tudela, Cláudia Ribeiro, Nuno Tudela e ou Nuno Couto?
Adolfo Luxúria Canibal: O trabalho dos diversos intervenientes foi o desenvolvimento, nas respectivas áreas, de algumas características do pré-guião do espectáculo que consideraram mais interessantes ou apelativas. A Cláudia Ribeiro, por exemplo, explorou nos figurinos a estética Manga que está hoje omnipresente em qualquer espaço infantil, seja através da banda desenhada, dos filmes ou dos jogos electrónicos. Já o encenador António Durães, sempre com a produção à perna para lhe controlar os custos, fez malabarismos para explorar a ideia de duplicidade, do fora e dentro, que é algo presente no livro e também na imaginação infantil, recorrendo ao vídeo e às suas possibilidades falaciosas e fabuladoras para acentuar essa dupla realidade. O Nuno Tudela tratou do vídeo que, por um lado participa na criação das múltiplas vozes que se digladiam no livro (narrador, personagem, autor, pseudónimo) e forçosamente no espectáculo, funcionando como mais uma voz, por outro lado cumpre o papel de duplicador do real, quer distorcendo-o pela ampliação de pormenores, quer mostrando o invisível porque imaginado ou porque fora do espaço ou do tempo da acção, e, finalmente, concorre para o clima de estranheza que se quer instalado ao interagir, pela sua presença, com as brincadeiras da criança e com as vozes que assume, rompendo o ténue véu que separa as duas realidades, como no entrecruzar de dois espaços-tempo. A intervenção cenográfica do Pedro Tudela foi, sobretudo, no sentido de dar espaço e respiração quer aos figurinos quer ao vídeo, organizando esteticamente a sua presença, e de dimensionar algumas ideias de encenação. O Nuno Couto distribuiu espacialmente o som. Por fim, o Manuel Antunes criou, com o desenho de luz, os ambientes e os destaques necessários ao espectáculo.

(CONTINUA)

Tour Maldoror:
23 Abr (20h) – Culturgest – Lisboa
03 Mai (20h) – Theatro Circo – Braga

som Mão Morta.

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ESPECIAL|Semana “Maldoror” com Adolfo Luxúria Canibal

Abril 21st, 2008 | versão papel versão papel

Grandes dias os que se seguem…
Esta vai ser uma semana totalmente dedicada a “Maldoror”, última grande criação dos Mão Morta. Durante os próximos dias, Adolfo Luxúria Canibal vai responder por aqui a algumas perguntas colocadas pelo dono desta tasca e por alguns dos amigos desta. A próxima apresentação de “Maldoror” está prevista para o dia 23 de Abril, na Culturgest (Lisboa), mas para já, ficam as palavras pela voz dos Mão Morta.

foto de maldoror - rui pires
> Foto: Rui Pires

1. Como e quando nasceu esta ideia de musicar/teatralizar uma obra maldita como “Os Cantos de Maldoror”?
Adolfo Luxúria Canibal: Há já muito tempo que o Miguel Pedro acenava com a sua vontade em fazermos qualquer coisa à volta de Os Cantos de Maldoror, mais concretamente desde que encenamos o Müller no Hotel Hessischer Hof em 1997. Chegamos mesmo a apresentar uma proposta de espectáculo, baseado na estrofe do Oceano do Canto Primeiro, para a Expo 98, em Lisboa, que não foi aceite. Mas o Miguel mantinha a sua insistência para um trabalho mais global, abarcando todo o livro, contra a minha resistência que, conhecendo bem a obra, achava o projecto impraticável. Mas tanto insistiu que, a seguir à edição de Nus, acabamos todos por concordar em mergulhar de cabeça nessa loucura. E então, com o convite do Theatro Circo para encabeçarmos a sua produção de espectáculos, inicialmente para a reabertura da sala, em 2006, a viabilidade do projecto deixou de ser mera miragem para passar a ser uma obrigação concreta e aí atolamo-nos no espectáculo, obsessivamente, primeiro para encontrar o mecanismo que permitisse passar do nível literário do livro para a linguagem musical e cénica, depois na sua construção, até finalmente, ano e meio depois de lhe pegarmos e seis meses após a data inicialmente prevista, estrear em Maio de 2007.

ilustração Maldoror - Isabel Llano
> Ilustração: Isabel Llano

2. Foi um trabalho doloroso, viver com este “herói do mal”? Que principais dificuldades enfrentaram na transposição do livro para o palco de “Os Cantos de Maldoror”?
Adolfo Luxúria Canibal: Toda a criação, ao obrigar a uma ruptura com o existente, é dolorosa, independentemente de implicar ou não um convívio com um herói do mal!… Neste caso, a grande dificuldade com que deparamos foi a da transposição da complexidade e da riqueza e variedade das questões existentes no livro, e que nele são colocadas a um nível estritamente literário, para uma outra linguagem e para um outro espaço. Essa dificuldade foi resolvida com o recurso a um local fechado, o palco quarto de brinquedos, onde a partir daí toda a incoerência narrativa ganha um discurso firme alicerçado no poder do faz-de-conta imaginativo infantil assim, a narração pode estilhaçar-se em todas as direcções sem dispersão, as formas discursivas podem suceder-se sem confusão, as vozes de diferentes personagens podem concentrar-se numa só boca. Descobrir esse mecanismo, aparentemente tão simples, demorou cerca de um ano o resto foi a construção normal e sem grande história de um espectáculo…

Tour ‘Maldoror’:
- 23 Abr (20h) – Culturgest – Lisboa
- 03 Mai (20h) – Theatro Circo – Braga

som Mão Morta.

Alternativo
sítio mao-morta.org
sítio www.cobradiscos.org

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NOVIDADES|"Estilhaços" – Adolfo Luxúria Canibal + António Rafael

Dezembro 22nd, 2006 | versão papel versão papel

Só para lembrar que, “Estilhaços” de Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael, já se encontra à venda.
Esta é uma das quatro novas edições da também nova Transporte de Animais Vivos (a juntar a The Partisan Seed, Electric Willow e Luís Ribeiro), um novo selo do grupo Do Impensável, ao qual pertence também a Quasi Edições.
Baseado na obra literária de Adolfo Luxúria Canibal, “Estilhaços” (editada exactamente pela Quasi) e tendo por base as perfomances levadas a cabo por este e António Rafael – responsável pelo preenchimento sonoro do ambiente – em Braga, Marinha Grande, Caldas da Rainha, Lisboa, V.N. de Famalicão e Budapeste, foi editado “Estilhaços”, um CD feito de sete peças. Adolfo trata dos textos, António Rafael ocupa-se do piano, sintetizador e programações, Henrique Fernandes toca o Contrabaixo. Para além do resto, que excelente trabalho sonoro!
Eu conheço quem já comprou…imperdível.

Capa de Estilhaçosa
“Estilhaços” – Adolfo Luxúria Canibal + António Rafael (Transporte de Animais Vivos, 2006)

tipo Spoken Word

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